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27 maio 2010

CINE ANCHIETA - IPIRANGA


Muita gente conheceu pela primeira vez o ator Giuliano Gemma em “O dólar furado” (Un dollaro Bucato – Blood a silver dollar - 1965) e tantos outros.
Hoje no local funciona um grande estacionamento e uma loja de calçados, mantendo-se ainda a estrutura original igual a de quando era o cinema.
As formas de lazer acompanharam as mudanças socioeconômicas ocorridas no estado de São Paulo. Bem como em todas as grandes cidades do mundo. Os cinemas, bailes, entre outros locais freqüentados pelos paulistanos não só no centro da cidade, mas espalhadas pelos bairros, foram substituídos aos poucos pelo isolamento causado pela tecnologia, como a televisão e o computador. As opções culturais passaram a se concentrar na sua maioria deslocados das ruas de bairros para o interior dos shoppings centers. Bons Tempos. Em algumas cidades do interior brasileiro é possível constatar cinemas de bairros que ainda não perderam a sua histórica tradicionalidade.

CINE ANCHIETA - IPIRANGA


Era o meu cinema preferido. Inaugurado em 1952 com o filme "Tapete Mágico" (The Magic Carpet - 1951) fantasia com Lucille Ball e John Agar dirigido por Lew Landers, foi um dos cinemas pioneiros no Brasil, localizado na Rua Silva Bueno 2404, perdurou por 30 anos realizando sua última sessão no dia 17 de outubro de 1982, um domingo, exibindo os filmes “O Poder do Fogo" (Firepower - 1979) thriller de ação com Sophia Loren, James Coburn e Eli Wallace, e "Amor sem Fim" (Endless Love – 1981) romance de Franco Zeffirelli com Brooke Shields e Hewitt Martin com a antológica música tema de Lionel Richie e Diana Ross. Fechava também o último cinema do Ipiranga, com 1958 poltronas, que pertencia à Empresa Cine Santo André Ltda, fundado em 1941, por Raphael Cilento que apresentava projeções em 35 mm.
Seu funcionamento era diário com média anual de 518 sessões e de 433.219 espectadores.
Nos seus últimos tempos, o Anchieta sobreviveu precariamente com a exibição de filmes eróticos, mas lotava na Semana Santa, quando projetava "A Paixão de Cristo", (From the Manger to the Cross – produção em preto e branco – mudo de 1912). Esta apresentação tornou-se uma tradição no bairro do Ipiranga enquanto existiu. Presenciei os últimos dias de vida da fase áurea do Western Spaghetti neste cinema quando assistia aos westerns como Trinity´s de Enzo Barboni e muitos Demofilo´s Fidani. O impacto desses filmes na tela grande do cinema era impressionante assim como lembra o amigo Jeanclerques Steffen do “Vivagringo.blogspot.com”; nos deixou muitas saudades.

01 maio 2010

Sergio Leone


A HISTÓRIA DO SPAGHETTY WESTERN

Porque o Faroeste à moda Italiana (Bang Bang à Italiana) é tão cultuado no mundo inteiro ainda mais hoje do que nas décadas passadas e especialmente no Brasil? Gostaria de ter a resposta em uma única palavra, mas o assunto é muito complexo, assim como o Futebol, Política e outros assuntos.

Através de anos pesquisando, assistindo, colecionando material sobre o assunto decidi que deveria passar estas informações e idéias às comunidades e aficionados no assunto a fim de entendermos melhor essa frenética busca pelos filmes, por informações sobre os atores, diretores, personagens, enfim todo o contexto que cerca este gênero cinematográfico apaixonante que muitos julgavam estar sepultado em um “Cemitério sem Cruzes” continua encantando gerações.

Tivemos quatro atores representando o Brasil atuando em uns poucos western-spaguete “Bang Bang à Italiana” os quais estarei também prestando a minha homenagem. Foram eles: Antonio de Teffé (Antony Steffen – o mais bem sucedido entre eles), Esmeralda Barros, Norma Bengell e Celso Faria.

Para começarmos, logicamente temos que voltar no tempo e tudo começa quando em 1962, o produtor alemão Horst Wendlandt e o diretor Harald Reinl fizeram “The Treasure of Silver Lake - USA” , (O Tesouro do Lago de Prata - Brasil) baseado nas histórias de intrigas e disputas em fronteiras do escritor alemão Karl May. Filmado na antiga Iuguslávia com o ator americano Lex Barker e um francês, Pierre Brice inovaram com a mistura dos sotaques dos diferentes idiomas e atraiu o gosto europeu, se tornando extremamente popular. Até o final de 1963 na Itália eram produzidos somente paródias de clássicos e adaptações de filmes americanos interpretadas por atores como Raimondo Vianello, Ugo Tognazzi e Walter Chiari, como em “Un dollaro di fifa" (Rio Bravo),
Ainda em 1963, o jovem napolitano Alberto Grimaldi já começava a sua própria produtora conhecida como “PEA” associado com a Copercines do espanhol Eduardo Manzanos. Juntos construíram um pequeno vilarejo do Velho Oeste Americano a aproximadamente 35 km. ao norte de Madrid.
Nele nasce o primeiro western italiano, "I 3 implacabili" (Os 3 magnificos) com Jeoffrey Horne, Claudio Undari (Robert Hundar) e Fernando Sancho que também já vinha despontando e que se tornaria o bandido mais bem lembrado na história dos westerns italianos.

Com a direção de Joaquin Luis.Romero Marchent, e com a produção de Grimaldi-Manzanos realizaram também "I 3 spietati" (Os 3 impiedosos) com Ricahrd Harrison, Claudio Undari, Fernando Sancho com música de Riz Ortoloni), "I 7 del Texas" (Os 7 do Texas) e "La valle delle ombre rosse", (O vale das sombras Vermelhas), mas o estilo começou a tornar-se sério entre os produtores a partir do filme “Duello nel Texas” produzido pela “Jolly Film de Papi e Colombo” com seu primeiro western produzido: Duelo no Texas obteve considerado sucesso e então no início de 1964, o diretor de fotografia Enzo Barboni e seu colega e amigo Stelvio Massi, acabavam de assisitir o filme “La sfida Del samurai” (Yojimbo) di Akira Kurosawa, e conversando com Sergio Leone, um obscuro diretor ainda desconhecido em um bar disse-lhe que o filme era muito bom e a receita seria só transportar a ação para o Oeste Americano. Sergio Leone tinha US$ 200.000 e uma pequena sobra de película cinematográfica para aproveitá-la e filmar um western. Ele já havia trabalhado em (Os últimos dias de Pompéia, de Mario Bonnard em 1959); (O Colosso e Rodes de 1960, com Rory Calhoun e Lea Massari), (Bem Hur de William Wyler), ), (Helena de Tróia de Robert Wise). Sua eficiência chegou a tal ponto que quando foi Segundo Diretor (cenas de ação) de “Sodoma e Gomorra”, assinado por Robert Aldrich, muitos especialistas chegaram a lhe creditar o filme. Com esses míseros US$ 200.000 um péssimo orçamento, uma boa idéia seria um grande desafio, então entusiasmados procuram o roteirista Sergio Donati pedindo uma adaptação mas Donati recusou porque estava envolvido em vários outros trabalhos.
Leone não desiste e envolve Duccio Tessari e Ferdinando Di Leo que apresentam um script de 358 paginas intitulado "Il magnifico straniero".
Então foi só procurar a produtora “La Jolly Film di Papi e Colombo”,
A Jolly estava rodando um filme dirigido por Mario Caiano, "Le pistole non discutono" (As armas não discutem) com Rod Cameron e Dick Palmer, (Ennio Morricone já estava trabalhando a música deste filme) que foi temporariamente suspenso para a execução do filme de Leone que deveria ser feito em 6 semanas. utilizando-se das mesmas configurações em cenografia, locação, ambientação e extras, iniciariam as filmagens entre março e abril.
Um ator da tevê americana foi convidado, era Clint Eastwood, (que só foi chamado porque outros, mais conhecidos, como Richard Harrison e Charles Bronson, recusaram a oferta). Clint atuava no seriado americano Rawhide; um maestro compositor italiano chamado Ennio Morricone, e um operador de câmara chamado Massimo Dallamano também foram convidados, Leone fez o que supostamente esperavam, mais um western que seria refugado e sem saber que sua equipe perduraria por uma década nos Faroestes e mal podia imaginar Eastwood que Leone mudaria a sua vida para sempre assim como a de seus escolhidos.

Set de Filmagem


A Fistful of Dollars – USA - 1964 , (Por un Pugno di Dollari (Itália), Por um Punhado de dólares – Brasil ).Um filme violento, cínico e visualmente espantoso, introduziu no filme um novo personagem, simplesmente um homem sem nome, o pistoleiro anti-heróico, para quem dinheiro é a única motivação de viver e para ele os bandidos são meramente obstáculos a serem removidos de seu caminho, contrariando o Cowboy romântico americano com suas fazendas mulheres lindamente produzidas muitas vezes atuando em primeiro plano em um falso cenário de fundo utilizando-se de pinturas em telas de pano.

Muitos outros filmes de qualidade inferior seguiram essa linha; do pistoleiro solitário em perseguição ao dinheiro excluindo tudo e todo o resto ao seu redor. O estilo original de Leone, os artísticos ângulos de câmera, a extensão de tempo e a violência crua, explosiva, apresentaram uma vista distorcida do western, fazendo com que sua filmagem fosse completamente diferente dos western anteriores ao seu.
Os críticos logo surgiram para degradá-lo, pois para eles era decepcionante ver um western brutal e anti-romântico, mas as audiências diziam o contrário, e o espaguete western acabara de chegar para ficar e bater de frente com o western americano, como uma bala disparada de uma Winchester.

Outros produtores pegaram carona no estilo e em 1964, alguns pioneiros já começavam a cogitar suas primeiras cenas em estúdios improvisados na Alemanha, Itália e Espanha.
Entre 1964 e 1974 foram produzidos aproximadamente 600 westerns italianos e nem todos foram excelentes produtos mas todos deixaram suas marcas na história, bons ou ruins são procurados e colecionados em todo o mundo.
A qualidade do filme geralmente era ruim, não melhores do que os filmes de capa e espada da época.Um filme considerado notável deste período foi “Gunfight at Hight Noon - USA” (Revólveres em Luta - Brasil) de Ricardo Blasco e também (Areia Vermelha – Brasil - 1963) com Richard Harrison, que futuramente seria estrela de dezessete filmes no western-espaguete. As produções não passavam meramente de “simples produções” e raramente iria surgir alguma coisa nova dentro do gênero,

Os primeiros diretores que começaram a rodar os westerns italianos foram Sergio Leone que assinou seus primeiros filmes com o pseudônimo de Bob Robertson, Duccio Tessari e Sergio Corbucci. E quase todos os filmes nesta época foram rodados na Itália e Espanha e frequentemente os atores e os diretores usavam pseudônimos americanos a fim esconder suas origens européias e se misturarem ao rol dos atores americanos causando até confusão entre os milhares deles.

A trama do espaguete western italiano “pode ser dividida em três tradicionais partes:

1o De Sergio Leone e Sergio Corbucci nós temos o personagem do herói sem passado, o mais rápido no gatilho, quase sempre misterioso tentando de alguma forma a vingança ou simplesmente à busca de um dinheiro.
2o Sollima e Damiani inspiraram-se no personagem mexicano revolucionário em busca da liberdade e a justiça pelo seu povo.
3o E . B. Clucher é mais simples com seus filmes cômicos.

O sucesso de “Por um Punhado de Dólares” foi tanto que os produtores resolveram financiar mais e mais Westerns com orçamentos mais elevados. Leone seguiu rapidamente em 1965 com uma seqüência.

Gian Maria Volontè


For a Few Dollars More – USA - 1965, (PerQualche Dollaro in Piu´ (Itália),(Por uns Dólares a Mais (Brasil), desta vez com Eastwood e com um ator que encontrava-se inativo em Hollywood, nada mais de que Lee Van Cleef, como os dois caçadores rivais de bandidos, perseguindo um assassino fugitivo enlouquecido (Gian Maria Volonté). O sucesso deste segundo filme selou a reputação de Leone como um diretor de westerns e ajudou a consagrar internacionalmente estrelas como Clint Eastwood, Lee Van Cleef, e do compositor italiano Ennio Morricone.

O bom, O mau e o Feio


The Good, the Bad and the Ugly – USA – 1966, ( Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (Itália), O Bom, O Mau e o Feio (Brasil), com Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach foi o último da trilogia dos dólares de Leone. Longo, divertido e brutal, este épico da guerra civil é talvez o espaguete mais marcante unindo a ação, violência, ambição, heroísmo, piedade e humor. Aproveitando-se do estranho modo de enquadramento de fotografia de Tonino Delli Colli em widescreen unido ao sincronismo clássico das músicas de Ennio Morricone este sem dúvida é o mais famoso de todos os western-espaguete produzidos.
A trilha sonora e o tema de Ennio Morricone foi usado durante anos em comerciais, shows de TV, com cenas que imitavam o estilo visual de Leone.

Ennio Morricone


Se Sergio Leone definiu o estilo do western-espaguete, Morricone inventou sua música. Seus ritmos e rufos, assobiados, e o uso da voz humana como a um instrumento transformaram-se no padrão para os seguidores. Morricone fez além de temas de aberturas, o filme que por completo, antes, durante e depois dos diálogos, havia um ritmo.
Transformaram-se em uma presença audível, acompanhando a ação, acelerando numa cena de perseguição, ou dirigir um showdown (duelo final) à sua conclusão. Esta coordenação da ação e da música atraiu a atenção de especialistas a comparar filmes de Leone às óperas.

Muitos outros compositores começaram então a copiar Morricone, tais como Carlo Rustichelli, Angelo Lavagnino, Piero Piccioni e Francesco De Mais.
Adaptaram com sucesso seus próprios estilos originais ao gênero. De Masi, um do mais prolifero dos compositores do western-espaguete, escreveu cerca de trinta e cinco músicas incluindo Ringo the Lone Rider – USA - 1967 (Ringo, O Cavaleiro Solitário – (Brasil) e Payment in Blood – USA – 1968 Pagamento Em Sangue (Brasil) e Any gun can play – USA –1968 (Vou, Mato e Volto - Brasil).

Bruno Nicolai, outro músico, amigo próximo de Morricone regeu e compôs também várias músicas no estilo e podemos ressaltar a trilha do filme Run, Man, Run - USA – 1967, Corre, Homem, Corre – (Brasil) e Adios Sabata – USA – 1970 , Sabata Adeus – (Brasil).

O dia da Desforra


Os aficionados e colecionadores deste gênero de filme consideram a trilha sonora como o ingrediente principal para o ritmo do filme. De fato hoje a procura e a demanda é grande, pois presenciamos a compra, venda e a troca de trilhas sonoras diariamente entre estes grupos de pessoas através da Internet.
É necessário somente ouvir “The Big Gundown” (O Dia da Desforra) de Morricone, “Minnesota Clay” de Piccioni, “Django” de Luis Bacalov, ou “The Returns of Stranger” de Stelvio Cipriani. Estas são composições musicais comparáveis aos grandes compositores contemporâneos tais como Dimitri Tiomkin e Elmer Bernstein.
Em 1966, o western-espaguete estava em seu auge. A emergência de diretores de cinema estava crescendo com este gênero.
Surgiu dentre tantos outros um outro Sergio (Sergio Corbucci) que já tinha dirigido alguns westerns obscuros e fez de “Django” uma exceção, superior, um filme que colaborou para mudanças radicais no estilo, introduzindo considerável violência e sangue–frio em suas cenas fazendo com que fosse censurado em vários países na América e na Europa.
A brutalidade e as mortes não tinham limites, fizeram com que os críticos de cinema negligenciarem vários filmes proeminentes.

Franco Nero


A Matança surrealista de “Django Kill...If You Live, Shoot!” – USA – 1967 (Se Sei Vivo ...Spara ( Itália), Django Vem Para Matar ( Brasil) de Giulio Questi com Tomas Millian é considerado o mais brutal dos espaguetes, um dos mais estranhos, com humilhações, torturas, estranhos atos de vampirismo, crucificação e bandidos com comportamento homossexual.

O Título Django apareceu em cerca de trinta filmes, mas somente o de Sergio Corbucci é considerado o oficial.
Outros personagens começaram a surgir como “A Pistol For Ringo” (Uma Pistola Para Ringo e o Retorno De Ringo ambos de 1965) de Duccio Tessari. Giuliano Gemma com o pseudônimo de Montgomery Wood estrelou como Ringo. Muitos outros atores interpretaram Ringo confundindo-o com o original Outros personagens marcaram sua presença por décadas como Sartana (1968), Sabata (1969) e O Retorno de Sabata (1970) de Gianfranco Parolini (Frank Kramer).
E.B. Clucher criou “Trinity” e “Chamam-me Trinity”(1970) e muitos outros foram inspirados.
A política entra em cena, com Damiano Damiani e Sergio Sollima. Assistindo ao The Big Gundown - USA –1966 (La Resa Dei Conti ) com Lee Van Cleef e Tomas Millian, considerado um dos melhores filmes no estilo Leone.
Millian interpreta um camponês Mexicano perseguido por um poderoso privilegiado da sociedade. O estilo tomava novos rumos, travando-se lutas entre ricos e pobres camponeses oprimidos por revoluções na fronteira mexicana e os poderosos tentando se aproveitar da situação para dominar regiões a força.
Damiano Damiani dirigiu um desses filmes, “A Bullet for the General”- USA - 1966 ( El Chucho – Quien Sabe ! ( Itália), Uma Bala Para o General ( Brasil) e Giulio Petroni fez Tepepa –USA – 1967.

Sollima completou sua trilogia fazendo duas seqüências de “The Big Gundown” com o ator Tomas Millian. “Face to Face” - 1967 – USA, Facia a Facia (Itália), Face a Face (Brasil) e “Run Man Run” USA – 1967 Corri, Uomo, Corri (Itália), Corre Homem, Corre (Brasil).

Sergio Corbucci continuou inovando quando introduziu o matador profissional ao dirigir
The great silence – USA - 1967(Il Grande Silenzio (Itália), O Vingador Silencioso (Brasil), “The Mercenary” - USA 1968 (Il Mercenario (Itália), Os Violentos Vão Para o Inferno (Brasil) e Companeros!- USA - 1970.(Companeros (Itália), Vamos a matar companeros ! (Brasil).
A maioria destes Westerns, embora, parecendo serem simples filmes de ação sem sofisticações cinematrograficas, ainda hoje tem suas maiores audiências na América do Sul, Ásia e África, talvez por forte influencia de paises de idioma de origem latim.

Enzo Girolami (usando pseudônimo como Rowland e Enzo G. Castellari) especializou-se em filmes ingênuos, embora alcançado algum sucesso e podemos citar “Payment in Blood” e “Any Gun Can Play” (1968). Girolami conseguiu como destaque, fazer um dos piores –westerns-espaguete de todos “Cipolla Colt” USA - 1975 e conseguiu fazer um dos melhores “Keoma” místico filmado em 1975.
Demofilo Fidani, usando vários pseudônimos tais como Miles Deem, Dick Spitfire e Slim Alone, destacou-se por dirigir numerosos filmes com baixíssimos orçamentos e podemos destacar alguns que alcançaram sucesso tais como
Django and Sartana are Coming...It's the End – USA - 1970 (Django e Sartana – Brasil) e Go Away! Trinity Has Arrived in Eldorado – USA -1972. Outros diretores proliferaram incluindo Alfonso Balcazar, Mario Caiano, Giuliano Carmineo (pseudônimo de Anthony Ascott), Ignacio Iquino, Joaquin e Rafael Romero Marchant, Roberto Montero, e Primo Zeglio.

Tomas Milian


Muitas estrelas e atores de filmes B encontraram então possíveis chances de viajar a Europa e transformar-se em estrelas do western-espaguete. Após a trilogia – Dollars de Leone, Lee Van Cleef fêz O Dia Da Desforra (1966), A Morte Anda a Cavalo (1967), Acima da Lei (1968) e muitos outros.

Nos anos 70 Cleef tornou-se um dos dez atores mais solicitados na Europa. Atores tais como Gilbert Roland, Walter Barnes, Stephen Boyd, Edd Byrnes, Joseph Cotten, Broderick Crawford, Mark Damon, Jack Elam, Woody Strode, John Ireland, Ty Hardin, Guy Madison, Lex Barker e muitos outros impulsionaram suas carreiras quando já estavam caindo no esquecimento.
Atores europeus também, embora alguns trabalharam sob pseudonimos. Conseguiram aparecer para o mundo como Giuliano Gemma (Montgomery Wood) consagrou-se na pele de Ringo.,Franco Nero encontrou um trabalho lucrativo em filmes “The Brute and the Beast" (1966), de Lucio Fulci, Ferdinando Baldi dirigindo “Texas, Adios” (1966) com Franco Nero, ator de prestígio de Sergio Corbucci que chegou a dizer certa vez: "John Ford tem John Wayne, eu tenho Franco Nero".

Klaus Kinski


Franco Nero e Tony Musante em “A Professional Gun”. Tomas Millian, (Ator Cubano) que atuou como um assassino psicótico “The Ugly Ones” – USA - 1966 de Eugenio Martin, transformou-se em um herói do terceiro mundo que liderou camponeses e revolucionários mexicanos nos melhores filmes de Sollima e Corbucci.
O ator uruguaio Jorge Hill Rodriguez Acosta y Lara sob o pseudônimo de George Hilton, fez teatro com Delia Garcês e Gloria Guzman. Apareceu em algumas fotonovelas na sua terra natal Uruguai, inclusive em "Teto de Estrelas"(1958),com Elcira Olivera Garces. Fez vinte e dois Westerns, interpretando geralmente o estranho, o desconhecido e misterioso pistoleiro.
No “The Ruthless Four” – USA -1968 de Giorgio Capitani, ele interpretou o filho adotivo homossexual de Van Heflin e contracenou com Klaus Kinski.
O alemão Kinski, que fizera o bandido corcunda "Wild" em “For a Few Dollars More”, especializou-se em atuar como psicopata. Outros rostos familiares neste gênero de interpretação foram os de Gian Maria Volonté, Gianni Garko, (John Garko) Anthony Steffen (pseudônimo de Antonio De Teffe), e George Martin.
Muitos produtores e diretores saíram a procura de atores europeus sem distinção de nacionalidades para representarem papéis místicos e muitos atores encontraram trabalho constante nos espaguetes.

Bandidos Famosos


Mario Brega, Aldo Sambrell, Chris Huerta e Fernando Sancho especializaram-se em representarem bandidos gordos, cruéis e sádicos.
Fernando Sancho atuou em 53 espaguetes. Fernando Rey, foi antagonizado como revolucionário na conexão francesa, na maioria das vezes como padre e intelectual.
Claudia Cardinale encontra sua família assassinada por um fora-da-lei em “Era Uma Vez no Oeste”.
Considerado um gênero machista, mulheres estavam faltando em papéis principais.
Em Viva Maria de Louis Malle (1965), Once Upon a Time in the West “de leone” (1968), The Legend of Frenchie King “de christian-jaque (1971), e Hannie Caulder de Burt Kennedy (1971), tiveram mulheres caracterizadas em papéis heróicos
Nos westerns-espaguetes, na sua maior parte as mulheres tinham papel de prostitutas, viúvas, e alguns críticos queixaram-se da natureza de preconceito e racismo nos filmes inclusive os negros que eram quase inexistentes. E os mexicanos prevaleciam como padres ou bandidos.
Julgando-se o papel dos atores tão importante quanto ao terreno, A grande maioria dos westerns-espaguetes fora filmada na Espanha, geralmente perto da cidade litorânea “Mediterrânea de Almeria".
Esta área do país assemelhava-se ao sudoeste americano, dá-se o porque da maioria dos filmes ocorrerem ao longo da fronteira mexicana com cenários espanhóis idênticos ao México. A maioria dos filmes alemães de “Winnetou” usaram a região de montanhas em torno da cidade Croata de Split na antiga Yugoslávia. Outras tomadas incluíram os alpes italianos, África do Sul, e as Ilhas Canárias, e Albert Band filmaou seqüências da movimentação do gado na Argentina para “The Tramplers” (1966), melhorando o visual no fundo da paisagem.
Era Uma Vez no Oeste de Sergio Leone (1968) e Meu Nome é Ninguém de Tonino Valerii (1973) tiveram já suas seqüências filmadas em Monument Valley em Utah (cidade natal de John Ford)
Em 1968, Sergio Leone deu-nos seu quarto filme, e o mais reverenciado dos westerns-espaguete “Era Uma Vez no Oeste” uma homenagem longa e fascinante aos filmes americanos de John Ford, Howard Hawks, e outros. Com um orçamento feito por Hollywood sob medida e atores com presença forte como Henry Fonda, Charles Bronson, Jason Robards, e Claudia Cardinale, foi aclamado pela crítica e na Europa foi tanto o sucesso que firmaram contrato por quatro anos de exibição adaptando o filme a uma peça teatral para ser apresentado em Teatros de Paris.
Apos pesquisado pelos críticos americanos de cinema nos EUA, chegaram a conclusão de que o filme ficaria marcado mesmo como um clássico.

James Coburn


Em “Duck, You Sucker” – USA 1971 (Quando Explode a Vingança – Brasil) Sergio Leone atuou como co-produtor . Quando as estrelas James Coburn e Rod Steiger recusaram trabalhar com o diretor programado Giancarlo Santi, Leone assumiu o filme e contou a história de um revolucionário Irlandês e um ex-banqueiro, juntos em meio a revolução mexicana tentando apossar-se de dinheiro. Talvez o menos bem sucedido de Leone. É ainda um bom filme que mostra a habilidade de Leone, seguro de segurar a ação em grande escala. A popularidade do western-espaguete reacendeu a produção de Westerns americanos (diversos novos Westerns americanos foram filmados na Espanha).
Quando alguns diretores tentaram (em vão) imitar os espaguetes, muitos deles emergiram, usando a vantagem da popularidade, se não o estilo, do western-sespaguete

Anthony Steffen



Embora “High Plains Drifter” - USA (1973), (O Estranho Sem Nome – Brasil) com Clint Eastwood, pode-se notar o clima de uma refilmagem de “Django, O Bastardo” de (Sergio Garrone 1969).
Os clássicos tais com o de Richard Brooks “ The Professionals” (1966), “ Will Penny” de Tom Gries (1967), e “Butch Cassidy and the Sundance Kid” de George Roy Hill(1969), foram todos beneficiados pela popularidade do espaguete. O diretor Sam Peckinpah, cujo “The Wild Bunch” (1969) (bando selvagem) ajustou novos padrões para a violência, usando o clima europeu criado nos espaguetes permitindo executar um bom filme.
Nos anos 70, começaram a procurar outros heróis, mais lucrativos e o western-spaguete começava a apresentar sinais do envelhecimento ou seja da idade. Os personagens como Sartana e Sabata continuaram rastejando-se em meio aos 19 filmes já feitos de James Bonds : Com muita sofisticação, roteiros ridículos, e exagerados. Os Westerns em geral começaram a entrar em decadência tanto quanto a qualquer outro gênero de filme.
O western-spaguete necessitava então de uma nova receita, uma nova arma para que pudesse re-erguêlo, e surgiu uma dupla de comediantes dirigidos pelo antes operador de câmara Enzo Barboni (quem contribuiu ao registrar cenas dos melhores espaguetes produzidos por Sergio Corbucci, Eugenio Martin, e outros).

Meu nome é Ninguém


Usando o pseudônimo E.B. Clucher, Enzo Barboni criou nos anos 70 o estilo comediante com Trinity e fez They Call Me Trinity – USA -1971, Lo Chiamavano Trinitá.. (Itália), Meu Nome é Trinity (Brasil) e Trinity is Still My Name – USA 1974, Lo Chiamavano Trinitá.. (Itália), Trinity ainda é meu Nome (Brasil), filmes que arrecadaram milhões de dólares fazendo com que os atores ficassem famosos mundialmente, um sucesso planetário, Terence Hill (Mario Girotti) e Bud Spencer (Carlo Pedersoli, um ex-nadador olímpico). Uma longa fila de westerns comédia começaram a surgir.

Barboni (Clucher) fez o “Man of The East” (1973) com Terence Hill,
Giulio Petroni fez “Life's Tough, Eh Providence?” (1972) com Tomas Millian caracterizando um clone de Charlie Chaplin como cocheiro de diligência.
Ferdinando Baldi veio com “Carambola” (1975), uma imitação de Trinity com Paul L. Smith e Michael Coby (Antonio Cantafora).

Na metade dos anos 70, filmes de artes marciais e outros gêneros conseguiram conquistar uma grande platéia de afeccionados afastando-os dos espaguetes.