Portal dedicado ao Espaghetti Western

Letras-Lyrics-Song-Sung-Espaghetti Western-História-Músicas-Entrevistas-Curiosidades-Pesquisa-Opinião-Atores Brasileiros no Espaghetti Western-Atualidades-Homenagens-Resenhas-Sinópses-Subtitles/Legendas.
Mostrando postagens com marcador Ivano Staccioli. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ivano Staccioli. Mostrar todas as postagens

08 julho 2013

Três Balas Para Ringo

Três Balas Para Ringo – Brasil
Três Tiros De Ringo - Brasil
Tre Colpi Di Winchester Per Ringo
Three Graves For A Winchester - USA
3 Bullets For Ringo - USA

Produção: 1966 - Itália
Direção: Emimmo Salvi
Música: Armando Sciascia
Duração: 100 Minutos
Fotografia: Mario Parapetti
Escrito: James Wilde e Ambrogio Molteni
Produção: Franco Mannocchi Profilms
Edição: Cesare Bianchini

Mickey Hargitay - Ringo Carson
Gordon Mitchell - Frank Sanders
Milla Sannoner - Janny Walcon
Ivano Staccioli (John Heston) - Daniels
Spartcao Converi (Spean Convery) - Tom
Dante Maggio - Sr. Walcon
Margherita Horowitz - Sra. Carson
Willy Miniver - Willy
e com Isarco Ravaioli, Nino Fuscagni, Bruno Arié, Amedeo Trilli (Mike Moore)


Os dois amigos Ringo e Frank, resgatam  Janny Walcon das mãos de bandidos, trabalho que fora feito através de um contrato com o pai de Janny, o Sr. Walcon.
Após uma boa luta no meio da rua (coisa que os italianos eram melhores que os americanos, lembrando ainda que Gordon Mitchell era um grande Doublê italiano) entre Ringo e Frank por ciúmes da mesma mulher, Frank parte da cidade.
Ringo reconcilia-se com a mãe “Sra. Carson”, casa-se com Jenny, tem um filho e torna-se xerife de Stone City.
Passam-se alguns anos e após a Guerra Civil, Ringo ao tentar debelar um ataque de bandidos liderados por Frank (seu ex-companheiro) fica cego ao salvar um menino do incêndio no vilarejo atacado.

Frank então se aproveitando da debilidade de Ringo assume o poder da cidade como xerife e uni-se a um inescrupuloso banqueiro “Daniels” (O sempre competente Ivano Staccioli) que tem como interesse apoderar-se das terras de fazendeiros inclusive as de Ringo apoderando-se das suas escrituras.



A casa de Ringo é atacada por três capangas de Frank e Daniels e ao tentarem se apoderar dos documentos acabam assassinando a mãe de Ringo e durante uma tortura, Ringo recupera a visão e a partir daí passa-se a fingir de cego e começa a fazer a limpeza da cidade novamente. 1965 -1966, estes dois anos poderiam ser chamados de “Era” experimental do gênero, produzidos com imprudência e ousadia na execução, não se imaginava que neste ano de 66 surgiria Sergio Leone com “Três homens em conflito”, provando de forma definitiva que os italianos poderiam fazer Westerns na Europa contrapondo ao estilo de John Ford com seus John´s Wayne´s limpos e barbeados ao contrário de atores de aparências horríveis como a de Lee Van Cleef, Gordon Mitchell, All Mulock e muitos outros.


Detalhe: Este filme não tem nada a ver com “Mate ou morra” como anunciado em alguns sites, somente alguns atores.
Apesar de ser um filme de muito baixo orçamento, com um enredo muito solto, é um filme que ainda dá para assistir pelo valor histórico; Lançado na Itália em 16 de março de 1966, é um exemplo do filme que atravessava a fase do filme B dos anos 60, pois  se percebe ainda a falta de luz em muitas cenas, cavaleiros inexperientes e um Spean Convery (Spartaco Conversi), amigo de Ringo ainda sem a sua conhecida barba grisalha que perpetuaria uma centena de westerns italianos como integrante de gangue de bandidos.

Começava-se a dar os primeiros Close-ups como no exemplo, naquela face cruel e feia de Gordon Mitchell. É um dos Spaghetti Westerns pioneiros. É mais um dos westerns obscuros italianos que acabou esquecido. Com uma boa trilha musical do compositor e regente Armando Sciascia que muito pouco tem a ver com o peso pesado do gênero, ou seja, Ennio Morricone que estava também em “Três homens em conflito” no mesmo ano. Gordon Mitchell com sua risada forçada-sarcastica é marcante em todos os westerns (era a sua marca registrada).


O diretor Emimmo Salvi começou sua carreira como desenhista de produção e escritor de filmes épicos de Capa e Espada e a idéia de um pistoleiro cego já tinha sido abordada anteriormente em “Minnesota Clay” de 1965 (com Cameron Mitchell da série Chaparral “Tio Buck”) dirigido por Sergio Corbucci e a idéia reapareceria em “Preso na Escuridão-Blindman”, dirigido por Ferdinando Baldi (1927-2007) e estrelado por Tony Anthony com uma rara participação de Ringo Starr em 1971.



Acho que a cena de uma cerimônia Voodoo (?) poderia ter ficado fora do filme.
Os cineastas parecem ter tido um lapso ao editá-la no filme inclusive com uma música (Western-Macumba), completamente efêmero que deixa impressão de uma tentativa fracassada de inovar em algum sentido.
Só assistindo para acreditar. Muitos dos atores nem aparecem nos créditos.
Alguns westerns italianos foram editados somente com o título do filme, pois era mais um meio de se economizar material. Sobre o título do filme, na realidade as “3 balas para Ringo”, são as 3 balas que Jenny retira de um rifle e carrega consigo durante todo o filme que ajudara no desfecho da história.
Um filme indicado somente para os fãs bem assíduos.
Música em comentários

23 agosto 2011

Vou, Mato e Volto (Any Gun Can Play)

Terra Sem Lei (Brasil)
O Assassino De Olhos Frios (Brasil)
“Vado... L´Ammazzo É Torno”
“Voy Lo Mato Y Vuelvo”
“Go Kill And Come Back - USA”
“Any Gun Can Play - USA”

Produção: 1967 - Itália
Direção: Enzo Girolami Castellari
Música: Alessandro Alessandroni e Francesco De Masi
Composição: Giulia De Mutiis "Stranger" interpretada por Raoul
Fotografia: Giovanni Bergamini
Escrito: Tito Carpi, Romolo Guerrieri, Sauro Scavolini e Giovanni Simonelli
Duração: 105 Minutos
Distrib. Brasil VHS: Edt E Wks – Century Vídeo
Estudios de Cinecittà - Roma

Edd Byrnes – Clayton o Banqueiro
George Hilton – O Estranho/Django/Caçador de Recompensas, Estrangeiro
Gilbert Roland – Monetero/Um celebre Fora-da-lei
Stefania Careddu (Kareen O´Hara) – Guapa/Marisol
Ivano Staccioli – Capitão
José Torres – Guangue de Monetero
Gérard Herter – Lawrence Blackman (Agente da Seguradora)
Ignazio Spalla (Pedro Sanchez) – Pajondo
Adriana Giuffrè – Taberna – Conchetta
Valentino Macchi – Charro Ruiz
Riccardo Pizutti – Paco (Guangue de Monetero)
Rodolfo Valadier – Pablo
Salvatore Borghese (Sal borghese) – Guarda da Prisão
Rocco Lerro – Guangue de Monetero
José Yepes – Guangue de Monetero

Após o encerramento do “77 Sunset Strip” uma fenomenal série de investigação criminal da TV americana em 1963, Edd Byrnes que tinha se tornado um lendário ídolo adolescente “Kookie” do show, estava tendo alguns problemas para manter seus 15 minutos de fama como acontecia com a maioria dos ídolos adolescentes. Em 1967 ele foi para a Europa para ver se o Spaghetti Western faria por ele o que fez por Clint Eastwood. Conseguiu fazer dois filmes até acima da média mas não alcançou tanta popularidade como Eastwood, mas tem mais de oitenta outros trabalhos como ator em sua carreira. Neste mesmo ano faria também “Profissionist per um Massacro” dirigido por Nando Cícero também atuando ao lado George Hilton. Aqui em “Vou, Mato e Volto” (Any Gun Can Play) especificamente, Byrnes e Gilbert Roland são os dois únicos nomes norte-americanos e nota-se que fica difícil saber qual é o ator principal entre eles além de contar com um experiente Pistoleiro Macarrone com nome americanizado de George Hilton, ator uruguaio com nome verdadeiro de Jorge Colina Acosta y Lara.
Gilbert Roland com mais de 140 filmes em sua carreira é outro ator americano com aquele seu bigodinho charmoso que também tentou fazer algum dinheiro na Europa e seu nome aparece em outros Espaghetti Westerns que complementaram sua experiente carreira. Três pistoleiros chegam a uma sinistra cidade do oeste e percebe-se obviamente que não estão a passeio e, com olhares ameaçadores, intimidando todas as pessoas moradoras do local escondidas em suas casas que já estão prevendo o que acontecerá nos próximos cinco minutos. Observando atentamente, notamos que destes três pistoleiros dois deles tem uma semelhança impressionante com personagens de Leone do filme “Por alguns dólares a mais”. Um deles com um poncho de Eastwood, um de terno preto que faz lembrar Lee Van Cleef até no olhar.
Durante uma viagem de trem os passageiros são surpreendidos por um assalto.
São 300.000 dólares pertencentes a um banco que estavam sendo transportados e são roubados pela gangue de um bandido conhecido como Monetero (Gilbert Roland). Em um típico assalto de trem bem planejado, os bandidos conseguem levar a grande quantidade de moedas em ouro, sob o olhar de um passageiro enigmático; ele é o pistoleiro conhecido como “O Estrangeiro” (George Hilton).
Após bem sucedido o roubo, Monetero é traído por Pajondo (Pedro Sanchez) que foge com o ouro e o esconde em um local secreto.
Em uma perseguição, Monetero se vê obrigado a matar Pajondo eliminando sua única possibilidade de encontrar o ouro, mas Monetero fica com um estranho medalhão que estava com Pajondo. Monetero acaba sendo capturado pelos soldados do Capitão do Exército (Ivano Staccioli).
O medalhão com a forma de um “brasão da família” agora é sua única pista para se chegar ao ouro.
“O Estrangeiro” agora tem a sua chance de ficar com todo o dinheiro do assalto e disfarçado de padre, ele se encontra com Monetero na prisão e ao ajudá-lo a fugir, os dois fazem um pacto para dividirem o dinheiro entres si. O medalhão é partido em duas partes e cada um fica com sua metade como garantia de sua parte do segredo onde está escondido o ouro, pois as duas partes unidas podem desvendar o segredo onde localizar o ouro. (Lembram-se de Paco e Blondie o Loirinho: Um sabia o nome do Cemitério e o outro da Sepultura – mera coinscidência?).
Aproveitando-se de tudo isso, Clayton (Edd Byrnes) executivo banqueiro corrupto que fazia a escolta do ouro no trem tem também seus planos para por a mão no ouro escondido e só ele sabe que pode estar escondido na antiga “Missão Cuenca” na fronteira mexicana tal qual brasão gravado no medalhão.
O filme consegue seguir um ritmo envolvente até o final da primeira hora e percebe-se que daí para frente toma um rumo mais para a comédia e muda de velocidade, parecendo que uma outra equipe de escritores terminariam a historia já iniciada.
O roteiro lembra uma cópia óbvia de Leone “O Bom, o Mau e o Feio”, três pistoleiros estão novamente disputando um tesouro escondido. Mais uma vez, há o caçador de recompensas, o bandido mexicano e um inescrupuloso aproveitador. Parece até uma homenagem que não desrespeita em nada o Trio de Leone. Até a cena do duelo final lembra mesmo o duelo de “Três Homens em conflito” mas o fechamento une os três em disparar tiros contra um velho órgão do monastério onde as moedas estavam escondidas provocando uma verdadeira chuva de ouro.
Castellari acrescenta muitos bons clichês de sua autoria como o reflexo no vinho derramado na mesa; entrada do “Estrangeiro” na taberna com o fundo na cor vermelho vivo, os flashes de luzes em seu rosto, refletindo o clarão dos tiros disparados de sua arma contra os bandidos, e a maneira lúdica de mostrar o ouro que é descoberto no final. Embora inacreditável, muitas das cenas de luta foram bem encenadas e dirigidas. Duas cenas de luta em particular (a luta do mercado e a da luta na casa de banhos) foram muito bem feitas. O diretor também não teve medo de tentar efeitos diferentes com a câmera em Close-ups e Stare-Downs (Jogos de Olhar).
Pode-se dizer que esse filme tornou-se Cult porque passou pelas mãos de Tatiana Casini Morigi que através do toque feminino conseguiu uma edição perfeita nas cenas.
A bela atriz Stefanie Careddu aparece muito pouco mas vale a pequena presença desta mulher que todo bandido gostaria de ter para ele. O filme é divertido, violento e frio; Um Spaghetti Western tradicional, pois nele não há regras, não há lealdades duradouras, e não há certo ou o errado, apenas fazer o que for preciso para se obter o tesouro custe o que custar e, embora o filme não seja um clássico, o final certamente é diferente. Uma trilha sonora digna de um clássico mais uma vez neste o cantor Raoul foi o escolhido para interpretar uma simples e pequena letra de música que se tornaria inesquecível para quem ouviu dentro da sala do cinema.
O meu amigo Zé Carlos (extinto Projeto-Isbumplace) fez uma cortesia em me enviar a música tema deste filme que também é considerado um dos mais cultuados no Brasil exibido também em nossos cinemas em sua época, em Setembro de 1967, a exatamente 44 anos atrás com o título de “O assassino de Olhos Frios” Este filme não é tão bom quanto aos filmes de Leone, é claro, mas como diz Monetero:
“E quando eu morrer, alguém me enterrará. Se não me enterrarem que diferença faz?
Quem vai se importar?”
É isso... Quem se importa? 

                                                                Dublado em Português