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29 março 2020

O Retorno dos 5 Mascarados "Maskeli Beslerin Dönüsü" [Turquia] (1968) Subtitles/Legendas Inéditas PTBR SRT exclusivas [Especial Brasil]

O Retorno dos Cinco Mascarados - Brasil [1968]
Maskeli Beşlerin Dönüşü - Turquia
Bes Maskelerin Dönüsü - Turquia
Maskeli Bes'in Dönüsü - Turquia

Produção: Turquia, 01 de Abril de 1968
Diretor: Yilmaz Atadeniz
Produtor: Kamil Ersahin
Diretor de fotografia:  Nahit Ataman Ertem Egilmez
Duração: 87 minutos
Decoração: Rafet Sirin
Design do poster e promoção: Mehmet Bal
Produção: Arzu Film - Turquia
Preto e Branco

Elenco:
Tamer Yigit - Korkusuz/Destemido
Yusuf Sezgin - Yakisikli/Bonito
Yilmaz Köksal - Seytan/Satan
Süleyman Turan - Boy Görüntüsü/Garoto da foto
Yildirim Gençer - Çelik/Aço
Selma Güneri - Mary
Erol Tas - Ramon
Suzan Avci - Suzi
Danyal Topatan - Pancho Villa
Necati Er - Roz
Faruk Panter, Hüseyin Zan, Hasan Ceylan,
Elitas'in Sirri, Mahmure Handan, Selami Içsel,
Aydin Tezel, Selahattin Geçgel e Kudret Karadag


Mais um inédito no Brasil agora disponível para os cinéfilos e pesquisadores de cinema.
Um grupo de mexicanos por volta de 1860, liderados por Ramon ["Erol Tas" - um mestre em interpretar o líder de gangues de bandidos, indiscutivelmente comparado à Fernando Sancho no Espaghetti italiano] comanda massacre de peões, roubos, saques e uma mina de ouro escravizada por ele.

É o típico General auto-declarado, dominador de pequenos povoados indefesos fronteiriços. Seu filho, outro peverso bandido é morto pelos Cinco Mascarados.

O filme não mostra essa morte, mas já é motivo sucifiente para que Ramon execute sua vingança para com os cinco heróis. Ramon e seu bando invadem a fazenda do governador executando-o friamente e faz sua filha Mary "Selma Güneri" refém trabalhando na cantina para servir ao seu bando, sofrendo todos os tipos de maus tratos.


Sabendo da boa influência dos Cinco Mascarados pelo povo, Ramon executa um plano de mestre, vestindo cinco de seus homens de mascarados e assaltam a diligência levando todo o ouro, a correspondência e mata seus passageiros, deixando o cocheiro vivo para delatar os cinco mascarados ao xerife da cidade.

O xerife aos poucos começa a prender suspeitos de serem os mascarados que causaram as mortes dos passageiros e quatro deles são encarcerados. Ramon no entanto, mesmo sem provas contra eles, convence o povo para encoforcar os 4 homens. Esquece-se que ainda há um à solta o "Destemido" (Tamer Yigit) e seu amigo índio "Tonto". No momento do enforcamento, surgem estes dois heróis para salvarem os quatro amigos da forca.


É um filme gostoso de apreciar com um roteiro bem original, muita ação perigosa e rudimentar real, belas locações turcas rodadas em Istambul, com belas simulações de vilas mexicanas, atuações dignas de filmes B americanos, personagens envolventes, boa edição que consegue um resultado digno para as estruturas disponíveis.

O ator Erol Tas com Ramon paga o ingresso. Atuação ótima como sempre. "O Fernando Sancho turco."
Nossos Cinco Mascarados são: "Destemido, Bonito, Demônio, Picture Boy (garoto da foto) e Steel (Aço)". Tem sua música própria, mas com vários trechos da trilogia de Ennio Morricone muito usada em vários países para os Westerns da época e que aqui causa até certa empolgação em raros momentos.
Esta é uma sequência de "Os Cinco Mascarados" produzida no mesmo ano em Istambul, Turquia.


A fantástica produção na indústria cinematográfica em todos os países teve como apoio os aficionados dos filmes do tipo B.
Os filmes do tipo B são uma "segunda categoria" de cinema que é filmada com orçamento baixo e limitado e, portanto com poucas possibilidades de se tornarem clássicos memoráveis à níveis hollywoodianos, no entanto existe uma infinita confraria seguidora deste cinema que não levam em consideração os faraônicos orçamentos para considerarem seus filmes preferidos como clássicos de cinema.


"O Retorno dos Cinco Mascarados" é um faroeste clássico turco com personagens criados pelo cinema turco. É um filme que deve ser assistido com visão artesanal e não comparativa. Exemplos conhecidos dessas produções atuais podem ser vistas em diretores como Sam Raimi (Evil Dead) e Roberto Rodrigez (El Mariachi).

É o tipo de cinema fantástico que os filmes do tipo B proporcionam. Não contam com os caros e agradáveis efeitos dos grandes estúdios, e mesmo sem isso, há uma infinita e imaginativa magia e criatividade em sua produção que podem ser observadas somente para os olhos mais sensíveis à sua essência.


Todos os países tiveram a sua produção tipo B e uma das melhores provas e sucesso nesse seguimento pode ser visto no cinema turco através do livro “Fantastic Turkish Cinema”, assinado por Giovanni Scognamillo e Metin Demirhan para a segunda edição.

O livro, publicado pela Kabalcı Publishing House, conta a história dos filmes do tipo B filmados por Yeşilçam sobre temas fantásticos. Nos anos 60 e 70, que foram os anos em que "Yeşilçam" se desenvolveu rapidamente, mergulhou na fantasia em paralelo com o desenvolvimento do cinema americano.


Yeşilçam, beneficiando-se de contos orientais e ocidentais ("como Branca de Neve", "O Mágico de Óz", "Ali Baba"), e nos quadrinhos: ("Baytekin", "Süperman", "Tarkan"), e adaptações para o Western tais como: ("Çeko", "Five Masked Horseman", "Zorro"), filmados em dois ou três dias, com um orçamento limitado por causa das imprecisões técnicas, ele às vezes dirigia filmes com resultados "absurdos" e às vezes "trágicos".

No entanto, esses filmes serão sempre considerados "clássicos" e dignos, como afirmam os autores do livro. Outro personagem místico para o velho oeste americano criado pelo cinema turco foi "Cowboy Ali" de Yılmaz Güney. Ele produziu também o personagem "Kilink" considerado hoje um cult mundialmente reconhecido.


Alguns dos ídolos turcos poderão ser conhecidos aqui neste filme em que curiosamente em homenagem a eles, elaborei uma Legenda/subtitle com tradução para o idioma português para que os fãs de outros países possam assisti-lo e traduzi-la para outros idiomas e conhecerem um pouco do início da arte turca em fazer cinema.

Versão original Turca disponível 

Disponível também em:
https://www.dailymotion.com/video/x4cok7p

18 março 2019

Django, Homem Sem Medo "Cango - Korkusuz Adam" Inédito no Brasil (1966) [Subtitle/Legenda ptbr.str.] Exclusiva Especial Brasil


Django - Homem Sem Medo - Brasil
Cango - Korkusuz Adam - Turquia
Cango - Korkusuz Adam - Ölüm Süvarisi - Turquia

Produção: Tuquia 1966 
Direção: Remzi Jöntürk
Escrito: Recep Ekicigil

Fotografia: Kaya Ererez
Duração: 76 minutos
Produção: Recep Ekicigil e Nevzat Pesen
Co Produção: Artist Film e Pesen Film
Preto e Branco
Áudio: Turco



Tunç Oral - Cango "Django/Tom"                           
Figen Say - Rozita                          
Yilmaz Köksal - Chico "Red Kit"                 
Süheyl Egriboz - Jack
Resit Çildam - Pedro                     
Muzaffer Civan  - Mexicano com bigode
Kayhan Yildizoglu - McLee                          
Meral Küçükerol - Suzi                  
Yavuz Karakas - Fazendeiro Frank                           
Yavuz Selekman - Xerife               
Oktar Durukan – Killing/Cavaleiro da Morte                        
E com Sükrü Üstün, Baykal Alp, Ali Ekdal e Levent Kýral (Levent Kral)



A versão turca para Django, a primeira após o original de Sergio Corbucci.
Apesar de seus orçamentos apertados e atores desconhecidos, ousaram em copiar fielmente o gênero Espaghetti Western europeu com a mesma violência e clichês conhecidos.

O filme Django com Franco Nero de 1966, dirigido por Sergio Corbucci foi a inspiração para o atrevimento. No Django original de Corbucci, uma gangue mexicana na fronteira após a guerra da secessão, liderada por um oficial da confederação, o Major Jackson [Edoardo Fajardo] aterroriza a região usando o seu uniforme do exército racista do norte.

O caçador de prêmios Django tentando sobreviver ao caos, é o herói que irá salvar a cidade da opressão. O filme atraiu muita atenção e destacou-se na época na Itália e a partir daí abriu-se o caminho para o mundo. O personagem ficou tão famoso que muitos Djangos foram criados pelo mundo.


Mostrando enorme habilidade, rapidez e astúcia com a arma, surgiu a versão turca "Cango", criado pelo diretor turco Remzi Jöntürk em 1967. O filme, que Tunç Oral interpreta, também foi o primeiro e único filme a ser traduzido com o nome Cango (Django).

Neste também, o filme é ambientado em uma pequena cidade mexicana. Um nobre minerador de ouro, McLee (Kayhan Yildizoglu) ao possuir a propriedade de uma grande mina de ouro para tentar melhorar o progresso e o desenvolvimento da região tem seu sonho destruído pelo Cavaleiro da Morte (Oktar Durukan) e sua gangue de assassinos inescrupulosos.

O Cavaleiro da Morte faz fielmente o personagem Killing; um homem em uma fantasia de esqueleto. Tom "Django", sobrinho de McLee chega à cidade para assumir os trabalhos na mina e depara-se com o tio pendurado em uma forca e parte a procura dos bandidos para vingá-lo.  Django acaba involuntariamente fazendo amizade com Chico "Red Kit", um vendedor mascate e conta também com a ajuda do xerife local (Yavuz Selekman), que ora também é assassinado.

O vendedor de medicamentos Chico Red Kit (Yilmaz Koksal) apaixona-se pela bela Rozita (Yilmaz Köksal) a proprietária do saloon que também une-se a Django. Ao iniciar sua caça aos bandidos, Tom jura vingança e pede a todos para chamá-lo de Django.


Um roteiro baseado em uma das rotineiras histórias de vingança do Espaghetti Western e ao assisti-lo você perceberá as possibilidades de orçamento em que foi feito. A história avança lentamente e consegue atrair a atenção pelos personagens envolvidos mas, a falta de experiência do elenco não leva a grandes conclusões.

A violência deste filme foi censurada na época na Europa, pelas torturas e excesso de tiros e mortes mas era o que fazia sucesso no cinema naquela época. Há uma cena em que a mão de um dos bandidos, Pedro, [o Fernando Sancho turco] é decepada com um facão e jogada para o cão do Cavaleiro da Morte comer, por ele ter falhado em uma missão.

Lembre-se que no Django de Corbucci há uma orelha mutilada. Em outra cena um braço e decepado com a explosão de uma dinamite, mas as técnicas e efeitos especiais são muito rudes e pobres como em filmes de comédia dos anos 40. A sensualidade está presente em algumas poucas cenas mostrando belos decotes de seios fartos das atrizes turcas.


Cango - Death Rider Fearless ou "Django - Homem Sem Medo" é um filme pobre em orçamento feito num período em que havia espaço para a sua comercialização numa época fantasiosa do anti-herói. Na Turquia eram conhecidos como "Eriste Western".

Apesar deste filme na maioria ter suas próprias músicas, melodias trágicas, ousadamente existem muitas sequências com os temas de "Por Alguns Dólares a Mais" (1965) de Ennio Morricone.

Este seria o enredo principal, mas durante a história surgem uma infinidade de situações e detalhes que não precisariam estar lá acontecendo, mas as raras aparições de Django e Killing surpreendentemente conseguem segurar o ritmo por sua curiosidade. Interessante no final, Killing retirar a máscara e revelar usa identidade à Django e a todos.

A curiosidade maior para quem assiste ao filme é em saber quem vencerá a luta: Django ou Killing. Interessante nessa produção cinematográfica turca que o produziu, foram os primeiros em fazer a sua versão do personagem e seguramente os outros genéricos com outros atores como Anthony Steffen, Terence Hill e outros viriam depois.


Devo lembrar que antes de sua morte, prevendo um atentado contra ele, o empresário minerador McLee despacha escondido dentro de um alforge de couro o mapa e o documento de posse da mina através de seu peão Cisco, para entregá-lo ao seu sobrinho Tom.

De uma forma inusitada, o alforge acaba sendo trocado na carroça do vendedor mascate que acaba se envolvendo na trama e mesmo sem saber, o mascate perde o alforge num jogo de cartas para um agricultor que é perseguido e assassinado pelo Cavaleiro da Morte.

É uma mistura de aventura e comédia. Chico é o personagem ingênuo e inocente que se transforma, enquanto Django acaba sendo o herói. Alguns bandidos fazem a cópia perfeita de Gordon Mitchell (Süheyl Egriboz) como Jack sempre com o sorriso sarcástico e o braço direito do Cavaleiro da Morte e temos também Pedro (Resit Çildam) que faz um "Fernando Sancho" irreparável.

Os atentados de violência sexual é implícita geralmente associada ao Cavaleiro da Morte "Killing". Um final apoteótico com explosões de dinamite, uma armadilha construída para morte lenta de Django planejada bem ao estilo do seriado Batman (Adam West) dos anos 60 que chega a ser hilária, mas lembre-se estamos em 1966.


Quanto aos cenários e locações parecem aceitáveis até porque a Turquia também possui seus belos vilarejos barrocos. Os figurinos da produção é que não convencem e parece que os atores vieram de suas casas com suas próprias roupas para o set de filmagem, detalhes cruciais para um Espaghetti Western.

Cango Korkusuz Adam ou Django aqui, só faltou mesmo ter um caixão para arrastá-lo, mas a atmosfera do filme não faz você levá-lo à sério, principalmente quando chega a gangue dos "Irmãos Farlon" contratados por Jack para eliminar Django.

Em resumo é um filme para colecioná-lo como documento e para quem é fã de Django, respeitá-lo por ter sido a primeira cópia do personagem criada no mundo após o original de Corbucci.

Preocupado em preservá-lo e homenagear essa desafiadora produção, decidi traduzir uma legenda inglesa para o idioma português para que outros fãs possam assistir e conhecer esta raridade.

Versão original turca disponível on line:
 https://archive.org/details/KilinkVsDjangoEnglishSubs

Versão disponível Youtube