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28 fevereiro 2022

“Os Abutres Têm Fome” (Two Mules for Sister Sara) [1970] USA/México, Subtitle/Legenda Ptbr SRT exclusiva Brasil Download

 

Os Abutres Têm Fome - Brasil/Portugal
Two Mules for Sister Sara - USA/ Australia/Canadá/Japão/UK      
Ein Fressen für die Geier - Austria             
Sierra Torride – Bélgica/Canadá/França/Noruega/Suécia              
Een non voor de Hel- Bélgica
Две мулета за сестра Сара - Bulgária
Los buitres tienen hambre - Colombia     
Han kom, han så, han skød - Dinamarca
Kourallinen dynamiittia - Finlândia
En handfull dynamit - Finlândia
Ein Fressen für die Geier - Alemanha
Οι γύπες πετούν χαμηλά - Grécia
Két öszvér Sara nővérnek - Hungria
The Vultures Are Hungry - Índia e English Title
Ha'nsharim Hem Re'evim - Israel
Gli avvoltoi hanno fame - Itália
Mahiru no shitô - Itália
真昼の死闘 - Japão
Dos mulas para la hermana Sara – México/Peru
Muły siostry Sary - Polônia
Doi catâri pentru sora Sara - Romênia
Две мазге за сестру Сару - Sérvia
Два мула для сестры Сары - Rússia
Dos mulas y una mujer - Espanha
烈女與鑣客 - Tailândia
Sara'ya İki Katır - Turquia
El Torida - Turquia
Hai Vùng Chiến - Vietnam









Direção: Don Siegel        
Produção, 31 de Dezembro de 1969, USA e México
Escrito: Albert Maltz (baseado em história de Budd Boetticher)
Duração: 116 min.
Música: Ennio Morricone            
Fotografia: Gabriel Figueroa e Robert Surtees
Edição: Robert F. Shugrue           
Co Produção: Universal Pictures, Malpaso Company Picture, Martin Rackin Productions e Sanen Productions, S.a., México.
Locações: Jantetelco, Morelos, Bavispe, Sonora, Sierra Madre Occidental, Tlayacapan, Bacanora, Casa de Janos, Chihuahua, San Miguel de Horcasitas, Six Points Texas e Cuautla (México), Backlot, Universal Studios, California, USA.

Elenco:
Shirley MacLaine - Irmã Sara
Clint Eastwood - Hogan
Manuel Fábregas - Coronel Beltran
Alberto Morin - General LeClaire
Armando Silvestre - Bandido 1
John Kelly (III) - Bandido 2
Enrique Lucero - Bandido 3
David Estuardo - Juan
 

Este faroeste, ao mesmo tempo intenso e levemente cômico, precisamente dirigido por Don Siegel, desenrola-se no México do século XIX, durante as lutas armadas contra a dominação da expedição francesa, mais precisamente entre os anos de 1864 e 1867. 
 
Shirley MacLaine encarna maravilhosamente bem o papel de Sara, uma corajosa freira missionária aliada dos Juaristas, em fuga dos franceses. Ao ser atacada por um bando de vaqueiros pervertidos, é salva por Hogan, Clint Eastwood no papel de um cavaleiro mercenário e individualista, porém justo e digno. 
 
A luta nacionalista dos guerrilheiros mexicanos figura como um belo pano de fundo na trama. A cena do ataque à guarnição francesa é um deleite aos olhos dos espectadores. E tudo isso tendo como trilha sonora a batuta precisa de Ennio Morricone. 
 
Estamos no meio de uma invasão de um grande grupo de revolucionários mexicanos a uma base fortificada de interventores franceses no México (como contexto histórico foi uma novidade). 
 
Em determinada cena, ele segura numa corda presa a um cavalo com uma mão e na outra acende uma dinamite arrastando pelo chão, desviando-se das balas. O ator se solta, joga a dinamite num portão e depois de ter aberto a passagem corre enquanto balas ricocheteiam do seu lado. Um deleite aos olhos fanáticos de western. Clint Eastwood, "Hogan" está usando o mesmo cinturão e coldre que usou como "O Homem Sem Nome" da trilogia dos "Dólares" de Sergio Leone. 


Shirley MacLaine não se sentiu muito a vontade com o diretor Don siegel durante as filmagens, e tiveram alguns atritos, além disso a produção teve que contratar uma assistente mexicana para cuidar da pele de Shirley MacLaine que não combinava com o sol das locações e percebe-se também nitidamente que ela usou cílios postiços no set. 
 
Alguns pontos como trabalhar com uma profundidade de campo, planos abertos, respeitar os momentos dos cortes para que não interfiram com nosso interesse pela realidade do evento são essênciais e Don Siegel sabe como fazer isso muito bem. 
 
Siegel deixa ação fluir envolvendo até uma cena com uma metralhadora giratória que Clint usa para matar alguns soldados e por pouco tempo, o que não deixa que esse artifício, por exemplo, canse pela repetição. Para os produtores economizar o máximo possível nas filmagens deste filme, e de acordo com Siegel, usaram atores e extras mexicanos desconhecidos e baratos em vez de americanos mais caros. 
 
Na realidade devemos lembrar também que o título deste não passa de um trocadilho. Sara no início usa uma mula pra se locomover, que em seguida fica manca, e ela a troca por um suposto burro, então, a segunda “mula” do título não tem como não ser o mercenário Hogan, e que Sara chega a dizer: Você é tão teimoso quanto minha mula. 


O roteiro ajuda muito porque sempre coloca-os em várias situações de tensão. O primeiro encontro dos dois acontece quando a Irmã Sara do título, personagem de MacLaine, está prestes a ser abusada por três canalhas. Hoogan, o personagem de Clint, resgata a moça seminua e depois descobre que ela é uma freira por suas roupas. Ela está sendo procurada por uma tropa de franceses por ajudar os revolucionários. 

Os dois fogem e depois, a noite, acabam percebendo que tem o mesmo interesse: acabar com a fortaleza francesa e se apossarem dos supostos tesouros ali guardados e ela também por raiva dos “colonizadores europeus”. Sara na verdade não é uma freira mas uma prostituta. 

Ela matou um oficial e por isso odeia o regimento. Não há uma noção humanitária que a motiva em punir os opressores. Aqui o personagem do Clint Eastwood é uma verdadeira cópia do Estranho-Sem-Nome dos filmes do Sergio Leone e também ficou interessante com a freira. 


O filme foi gravado no México e vários atores, coadjuvantes e membros da equipe são mexicanos. Quanto à trilha de Morricone, assim como em qualquer filme em que compõe sua música, fica difícil não se empolgar com as variações e sons incomuns presentes nos temas. 

Não me lembro de ter lido algo interessante e mais completo sobre esse filme na web do Brasil por isso achei interessante em deixar esse registro com algumas curiosidades e atualizações sobre ele aqui neste espaço. 

É um bom western com uma aventura, belas cenas de ação desenfreada e anárquica com bom humor, bom ritmo, diálogos e a diversão é garantida. 

Foi o último western de Clint Eastwood em que seu nome apareceria em segundo lugar nos créditos lançado no Brasil estranhamente com "Os Abutres Têm Fome" foi a segunda parceria do ator com Don Siegel, diretor americano que impulsionou sua carreira cinematográfica após seu retorno da Itália com Clint Eastwood em "Meu Nome é Coogan". 


Contando com Shirley McLaine no divertido papel de Irmã Sara, o primeiro faroeste com Eastwood dos anos 70 marca também uma das primeiras vezes que Ennio Morricone atuou como compositor de uma produção hollywoodiana, mesmo que essa tenha sido uma co-produção Mexicana. 

O grande destaque do longa é, sem dúvida alguma, a dinâmica do mercenário Hogan, veterano da Guerra Civil em território mexicano à serviço dos Juaristas contra a tentativa francesa de invasão e colonização. Os dois astros estão muito bem em seus respectivos papeis e o filme exige que se compreenda que este não é um faroeste comum, no sentido clássico, pelo menos. 

Trata-se muito mais de uma comédia leve do que qualquer outra coisa, em que Eastwood desfaz seu personagem de pistoleiro sem destino, mostrando-se durão, ignorante talvez, mas de coração mole e uma vontade muito grande de explicar em detalhes o que pensa e o que pretende fazer da vida. 


Quando o roteiro originalmente foi escrito, tinham em mente os protagonistas Deborah Kerr e Robert Mitchum. A personagem de Kerr seria uma aristocrata mexicana fugindo de revolucionários para a América disfarçada de freira e Mitchum seria um caubói americano que faria a sua escolta na viagem. 

Depois que o roteiro foi negociado, sofreu alterações para que Hogan seria um mercenário e Sara uma prostituta trabalhando para os revolucionários. Ennio Morricone que faz questão de compor a música tema com uma pegada cômica evidente que marca o filme desde seus primeiros segundos, inclusive criando uma versão orquestrada dos zurros das mulas do título que na verdade, seriam uma mula e um burro que facilmente arrancam sorrisos por parte do espectador. 

É como se Morricone, mesmo compondo fora da Itália, nas locações mexicanas, tivesse farejado que Eastwood e McLaine juntos, não poderiam resultar em um filme totalmente sério mesmo que Siegel tenha se esforçado para isso, levando a um longa que se equilibra entre os sub-gêneros do faroeste, nitidamente num Espaghetti Western e uma de suas variações: O Zapata Western. 

Don Siegel escolheu excelentes locais para as locações em Tlayacapan, no estado de Morelos, em uma grande variedade de cenários que mantém a história, que nada mais é do que uma corrida de obstáculos, sem fazer com que o filme fique desinteressante como uma cobra cascavel aparecendo; pela chegada da guarnição francesa; pelos momentos de luxúria em que a câmera de Siegel faz questão de mostrar Hogan como um homem que precisa fazer enorme força para respeitar Sara e seu celibato. 

Aperfeiçoei e elaborei uma legenda/subtitle no idioma português do Brasil no formato SRT para o Bluray disponível na Web com as três possíveis dublagens brasileiras e um áudio em inglês. 

 Link disponível na Web:
https://mega.nz/file/ZaJHwBwK#_C8fVJkPPs58ZgaDZ1zchiIlmQgDicDP5XY2GfFvBuo

3 comentários:

  1. Emanuel Neto04/03/2022 03:39

    O coldre e o cinturão que Eastwood usa neste filme é, de facto, o mesmo que ele usa na "trilogia dos dólares". Eastwood já usava esse coldre e cinturão na série de televisão "Rawhide" e levou-o para a Europa quando foi trabalhar com Sergio Leone.
    Curiosamente, também o usou em westerns como "À Sombra da Forca" e "O Pistoleiro do Diabo".
    Quando a Don Siegel, que dirigiu Clint Eastwood em vários filmes, diria que o filme mais marcante desta dupla foi o policial "Dirty Harry".
    Grande abraço, amigo Edelzio!

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    1. Muito bom ter informações curiosas como essa sua que deixa a matéria mais ilustrativa e completa.
      Grande abraço.
      já li seu livro duas vezes e sempre aprendendo mais com ele.

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    2. Emanuel Neto05/03/2022 13:33

      Olá, grande Edelzio!
      Espero que tenhas gostado do livro "Por um Punhado de Euros". É sempre um prazer saber que os nossos amigos no Brasil também lutam constantemente em defesa dos westerns-spaghetti.
      Tanto eu como o Pedro ficaríamos muito honrados se pudesses escrever um pequeno texto sobre o nosso livro. Queremos muito saber o que achaste da obra, a tua opinião em geral, etc., para depois nós publicarmos na página do Facebook do nosso blogue, de modo a dar a conhecer às pessoas as opiniões dos nossos amigos brasileiros.
      Se puderes escrever umas linhas a dar a tua opinião sobre o livro, seria uma grande honra para nós!
      Envia o teu texto para o meu email, ok? Obrigado por tudo.
      Um forte abraço!

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