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11 outubro 2010

Ringo e Sua Pistola de Ouro / Johnny Oro


Produção Itália 1966
Ringo and his Golden Pistol (USA)

Direção: Sergio Corbucci
Música: Carlo Savina e Cantori Moderdi di Alessandroni
História: Adriano Bolzoni e Franco Rossetti
Produção: Joseph Fryd
Duração: 87 min.
Fotografia: Riccardo Pallottini
Edição: Otello Colangeli
Direção de Arte, Decoração de Cena, Ambientação e Design: Carlo Simi
Edição de Som: Alessandro Sarandrea
Co-Produção: Sanson-Film
Locação: Castello di Rota, Tolfa, Roma, LazioElenco
Mark Damon – (Alan Harris) - Johnny Oro / Ringo
Valeria Fabrizi - Margie
Franco De Rosa (Franco Derosa) - Juanito Perez
Giulia Rubini - Jane Norton
Loris Loddi - Stan Norton (filho do xerife)
Andrea Aureli – Gilmore (Líder local)
Pippo Starnazza - Matt (velho preso)
Ettore Manni - Xerife Bill Norton
Nino Vingelli - Gordo amigo de Gilmore
John Bartha - Bernard – Alcalde (Adminstrador da fronteira)
Giovanni Cianfriglia (Ken Wood) – Índio Sebastian
Fortunato Arena - Capanga de Joanito
Paolo Figlia - Pistoleiro
Ferdinando Poggi, Vittorio Bonos, Bruno Scipioni, Silvana Bacci,
Giulio Maculani, Evaristo Signorini, Amerigo Castrighella,
Figlia Francesco, Ivan Basta, Lucio De Santis e Mauro Mannatrizio.
Quarto filme Spaghetti Western de Corbucci, agradável suficiente não sendo comparável ao estilo barroco do posterior no gênero - Django (1966) e o sombría obra-prima, O Grande Silêncio (1968). Mark Damon bem diferente de Franco Nero, e bem longe de Jean-Louis Trintignant. Ele ainda tem boas lembranças de sua participação neste filme conforme mencionou em entrevista durante um evento de filmes Cult em 2004 no Festival de Veneza.
O filme tem um saudável senso de humor negro. Na fronteira entre “Ravinas e Coldstone”, Ringo aguarda na saída da igreja o final do casamento de “Perez” que é morto exatamente 40 segundos após sua vida conjugal ter início junto com mais dois irmãos. Seu irmão mais novo Juanito Perez é poupado por Ringo por não ter um preço por sua cabeça. Juanito (Franco De Rosa)consegue uma inusitada e improvável aliança de índios apaches renegados e mexicanos e colocá-los contra a cidade de Coldstone ameaçando invadi-la se não entregarem a cabeça de Ringo por vingança, mas o xerife se recusa a entregar Johnny que está sob sua custódia aprisionado. Encontramos alguns momentos divertidos como o insulto no Saloon; Ringo pede ao barman uma preparação prolongada de uma mistura composta de whisky, mostarda, leite, tobasco (uma espécie de pimenta picante) e ovo, misturando-os só para depois jogá-lo no rosto de Gilmore (Andrea Aureli), um líder local e contrabandista de armas que ao final recebe um machado em sua cabeça lembrando outra cena forte de Corbucci com Aldo Sambrell em “Navajo Joe”. Mais tarde, enfrenta três capangas de Juanito disfarçados de músicos na rua, sem a sua cobiçada pistola de ouro, simplesmente jogando uma dinamite sobre eles pulverizando-os explodindo a rua principal da cidade (é interessante notar nesta cena que Ringo primeiramente assovia e tira seu cavalo da rua antes da explosão prevendo a proporção do estrago). Johnny utiliza-se de dinamite já que armas de fogo não são permitidas na cidade de Colsdtone. Ettore Manni está muito bom no papel do Xerife Bill Norton que é exatamente o contraste de Ringo; é um homem de princípios muito além da razão que tem um cliente freqüente em sua cadeia chegando ao ponto de considerá-la sua casa e tem até um velho amigo Matt (Pippo Starnazza) que evita sair da cadeia por achar que a vida na prisão lhe dá mais benefícios do que a vida em liberdade.
Corbucci procurou batizar o filme originalmente de “Johnny Oro” para não ter nenhuma relação ou ligação com os dois “Ringo” anteriores criados pelo diretor Duccio Tessari e estrelado por Giuliano Gemma. Mark Damon, ator americano nascido em Chicago-Illinois está brilhante como Ringo, cujo seu nome verdadeiro é “Jonathan Atemidoro Jefferson Gonzáles” o respeitável pistoleiro com a pistola de ouro. Ele tem uma resposta para tudo e faz o seu personagem de forma perfeita. Damon interpreta um hábil pistoleiro canhoto (saca a arma com a mão esquerda) raramente vistos em outros Espaghettis e seus confrontos são memoráveis com apetrechos dourados em ouro refletindo brilho aos olhos de seus oponentes procurando equiparar a vantagem aproveitando-se destes truques em momentos decisivos nos duelos para confundi-los e agir no momento certo.
A história as vezes lembra até um pouco “Rio Bravo”, com John Wayne.
Sergio Corbucci , em seu auge, tem em seu Ringo, Johnny Oro de traje preto, com detalhes em ouro inclusive em sua sela e esporas, é um caçador de recompensas que só saca sua arma de ouro em troca de ouro e só mata bandidos que estejam legalmente com seus dias contados.
Nem mesmo sabendo da morte de sua amante Margie (a belíssima Valeria Fabrizi) por Juanito, Johnny não demonstra nem um sentimento e emoção.
Este filme é o seu pré-Django com Franco Nero que seria feito em seguida no mesmo ano, notando-se tragicamente que os dois persoangens após armarem suas confusões, ao final causam evacuações em massa e destruição total da cidade para poder reinar a paz. É o estilo Corbucci. Existem relatos que Corbucci idealizou este filme homenageando o ato Richard Boone de “O Paladino do Oeste” série de TV americana exibida também no Brasil na década de 60 filmado em preto e branco.
Após a evacuação da cidade, só o xerife, sua esposa, seu filho, e o velho Matt ficam para trás para defender Johnny. Aqui achei um pouco desproporcional a quantidade de bandidos que enfrentaram mas temos aqui a dinamite e afinal é o Espaghetti Western.
A direção de arte, decoração de cena, ambientação e design de Carlo Simi foi fundamental para que este filme torna-se inesquecível. Nota-se no canhão muito bem postado como um Monumento da cidade, uma das peças fundamentais para o desfecho da história.A música de título de Carlo Savina é cativante, tanto na versão vocal italiana ou em inglês.
A letra da música faz jus ao protagonista: Não fala de amor de mulher, nada romântico, somente ouro como na versão italiana...(Non l´ importava dell ' amore / a Johnny Orooooo – Il suo l´unico amore era l´oro)

Johnny Oro, acho que foi um personagem que anteciparia ícones do gênero como Sabata e Sartana, estes personagens com vestimentas mais sofisticadas sob os olhos de outros diretores.Mercenários mais sofisticados nos filmes Corbucci surgiriam após este, como o polaco Kowalski e o sueco especialista em Armas Yolaff Petersen ambos interpretados por Franco Nero.
Kowalskis e Peterson também foram personagens obcecados por fortunas, gananciosos, frios e cruéis mas que em algum momento, gradativamente, acordam para a consciência social revolucionária em meio a tantas injustiças de um povo sofrido ao contrário de James Coburn em “Giu La Testa” (Quando explode a vingança) age unicamente por questões de idealismo. Interessante e inesplicável o sucesso deste filme no Brasil tendo em vista sua exibição pela primeira vez na TV Manchete do Rio de Janeiro em 05 de Agosto de 1983 para todo o Brasil no início de suas atividades. . Sua passagem pelo cinema foi obscura e tardía e a maioria dos brasileiros vieram mesmo a cultuar Johnny Oro na década de 80. No Japão o sucesso deste filme também é um fenômeno. Particularmente acredito que seja pela forte influência da música com o seu inesquecível assovio aqui eternizado por Alessandro Alessandroni.
Johnny Oro ou Ringo e sua Pistola de Ouro tem sua particularidade.


Até mesmo a equipe de Sergio Corbucci cometia falhas como esta em que nota-se um automóvel estacionado do lado da igreja.

3 comentários:

  1. Olá Sanches

    Inicialmente, parabéns pelo seu blog. Acho-o completo, pois tem as informações diferenciadas, que todo cinéfilo deve ou deveria ter em relação a este gênero de filme. Vai muito além da informação corriqueira. Detalhes, que poucos conhecem, músicas com letra e tradução. Buscava tanto estas letras e de repente, elas surgem aqui na minha frente, com uma facilidade que não esperava.
    Você talvez não imagine o bem e a satisfação que ele proporciona a muitos fãs dos filmes faroeste Italianos.
    Ele, o blog, resgata para mim uma época muito feliz, quando era criança, na minha cidade (Picos-Piauí), onde a diversão era o cinema e filmes westerns, era a melhor pedida.
    Aproveitando a oportunidade e achando que você já viu tantos filmes, como poucos já viram. Em 1972 (tinha 12 anos na época), vi um filme em que a cena final era num depósito de carne e o mocinho, (chamávamos de artista), e ao ficar sem munição e uti, arremessa então suas esporas no pescoço do bandido. Já fiz esta procura através deste final, para resgatar que filme era aquele e até agora não tive êxito.
    Gostaria de saber que filme era aquele?

    Grato-joailton

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  2. Olá amigo Edelzio

    Não preciso dizer que estou feliz. Graças a você, terminou uma procura de muitos anos, que me deixava com uma certa ansiedade, principalmente quando achava que teria que assistir a todos os spagettis existentes, para chegar a este filme.
    Pedi ajuda a muita gente que lidava com filmes, mas a maioria era sé comercial, pouca gente envolvida por gostar, por cultura, ou até por um simples passatempo, até que tive a coragem de te passar um email, pois sempre que podia acessava seu blog e pelo sua desenvoltura ao lidar com este gênero, achei que teria uma chance com você.
    Até o cartaz do filme, não esperava por ele, que era publicado em jornais, me trouxe uma lembrança boa e outra ruím. Boa, porque eu colecionava estas miniaturas, com muito sacrifício, pois eu as conseguia nos jornais de Recife, que vinham embalando móveis de uma loja em Picos, que era do pai de um colega de escola e um dia, por acaso, eu fui ao depósito com este colega e encontrei este tipo de publicação nestes jornais, daí em diante, não preciso nem dizer, que me tornei uma figura frequente no depósito, para desespero dos funcionários, retirando as embalagens das cadeiras. Fazia recortes e colava em cadernos. Colecionava também, os sinopses, que vinham com os filmes para o referido cinema(spark), onde o operador, o saudoso Zé Brasil, tornou-se meu amigo, ajudava-o a revisar os rolos de filmes antes da projeção(quando a fita vinha rompida, era colada com acetona), ajudava a fazer o texto para ser anunciado num carro de som pela cidade, ficava com os sinopses desses filmes e o principal, assistia a tudo de graça, inclusive filmes impróprios para a minha idade.
    Não tenho lembrança de ninguém na região que tinha um pequeno interesse a mais por isso.
    A parte ruím, em 1976, fui estudar em Recife, levei todo este material e nas minha férias, estourou um cano da descarga do sanitário, não havia ninguém em casa e molhou tudo. Quando retornei do piauí, estava tudo colado e perdido. Aindo sinto esta perda. Principalmente dos sinopses, que eram uma miniatura colorida dos cartazes, com tudo sobre o filme(cenas, elenco etc).
    Logo te mandarei minha lista. Ela contém também faroestes americanos.
    Gosto muito de alguns astros americanos(John wayne, Randolph Scotch, Glenn Ford, James Stewart, Henry Fonda, entre outros. O que faltou foi trilha sonora nos seus filmes, uma pena.
    Mais uma vez, muito obrigado e que nosso contato continue.
    Abraço-Joailton

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  3. Mensagem via E-mail: Lula-Carvalho
    Vila Social Clube - Pernambuco - Brasil

    Edelzio, o início desse filme é inesquecível; Quando Mark Damon vai entrando na cidade alimentada pela música assobiada, quando ele desce do cavalo, o sino da igreja começa a tocar e ele fica limpando o vidro do seu espelho, os bandidos vão saindo de dentro da igreja e ele percebe a imagem deles no espelho sacando a arma para matá-lo, ele se gira rapidamente sacando também a sua arma com sua esquerdinha e em seguida a música do compositor Carlo Savina é tocada ao som do pistom, uma cena memorável.
    Post muito bom!

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