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29 julho 2014

4 Dólares De Vingança - Brasil [4 Dollari Di Vendetta]


4 Dólares De Vingança - Brasil
4 Dólares De Vingança Para Ringo - Brasil
4 Dollari Di Vendetta
4 Dolares De Venganza - Espanha
Four Dollars For Vengeance - USA

Produção: Itáia e Espanha em 4 de Setembro de 1967
Direção: Jaime Jesús Balcázar
Duração: 84 minutos
Fotografia: Victor Monreal  e Tino Santoni
História: Bruno Corbucci e Giovanni Grimaldi
Letra da Música: Benedetto Ghiglia e M. Russo e
Tema: "Let Him Go"
intérpretes: 4+4 de Nora Orlandi
Regência: Angelo F. Lavagnino
Produção: Alfonso Balcazar e Paolo Moffa
Edição: Juan Luis Oliver               
Mestre de Armas: Giulio Maculani/Xerife
Co Produçõa: Balcázar Producciones Cinematográficas e
Compagnia Ambrosiana Cinematografica de Roma


Robert Woods - Capitão Roy Dexter
Ghia Arlen (Dana Ghia) - Mercedes Spencer
Angelo Infanti - Barry Haller/Haller
Antonio Casas - Coronel Jackson
José Manuel Martin - Manuel De Losa
Gérard Tichy - Frank Hamilton/Governador/Major
Antonio Molino Rojo - Dave Clifford/Griffin
Tomás Torres - Pedro
Giulio Maculani - Xerife Sullivan
Osvaldo Genazzani - Barnaby/Barney/Editor
Juan Torres - Mexicano/Olho
Ángel Lombarte - Doutor Johnson
Luis Del Pueblo - Thompson
Carlos Ronda - Sr. Spencer
Francisco Nieto - Proprietário Da Loja
Miguel De La Riva - Advogado De Defesa,
Sergio Doré - Juiz Do Tribunal Militar
e com Lucio Rosato, Gardenia Polito, Gianluigi Crescenzi, Gustavo Re, Renato Baldini, Robert Hoot e Eleanora Bianchi.


Lembrando muito o filme “O Retorno de Ringo” de Duccio Tessari, vemos aqui Robert Woods condenado injustamente a prisão perpétua que após fugir, volta para vingar os seus conspiradores.

Embora o conceito de "vingança" seja um dos temas mais populares no Espaghetti Western, existem infinitas variações sobre como ela é mostrada nas planícies áridas de Almería na Espanha e Tirrenia na Itália.
Aí está o seu misterioso estranho costume surgindo aparentemente do nada e gerando uma grande história de suspense, intriga e vingança. 


Mais uma Co Produção ítalo-espanhola, de 1966, dirigido por Jaime Jesús Balcázar e produzido por seu irmão Alfonso Balcázar, aqui em seu primeiro contato com o Espaghetti.

Jaime Jesús Balcázar convidou aqui o ator americano Robert Woods para interpretar o Capitão Roy Dexter, um herói da cavalaria dos Estados Unidos na Guerra Civil que após retornar a sua cidade pretende concorrer ao cargo de Governador,  mas tem um outro concorrente, um também Major aposentado Frank Hamilton,  que pretende a todo custo o cargo de poder.

Hamilton e seu amigo, Barry Haller, outro militar que juntos cortejam uma senhorita da nobreza local chamada Mercedes Spencer (a bela Dana Ghia), que dentre eles, escolhe ficar noiva de Roy Dexter.


Inesperadamente às vésperas de seu noivado, antes de se aposentar definitivamente, ele recebe mais uma missão a partir de seu comandante, o Coronel Jackson interpretado pelo grande ator neste gênero, Antonio Casas. A missão é a de escoltar um carregamento de vinte mil moedas de ouro confederado confiscadas e devolve-las a Washington.
No entanto, ele e seu destacamento de nove homens são atacados por uma gangue de bandidos mexicanos liderados por um homem chamado Manuel de Losa (José Manuel Martin) e todos são aniquilados, exceto o Capitão Roy Dexter.
Quando Roy ferido, finalmente consegue chegar à cidade, ele descobre que tudo o que está acontecendo é uma conspiração para culpá-lo do roubo do carregamento das moedas de ouro pelo seu primo Dave Clifford.


Dave articula um plano junto com Hamilton e Barry conseguindo uma condenação em um tribunal militar com pena de trabalhos forçados perpétuos em prisão federal, mas ele consegue escapar tomando o lugar do cadáver de outro prisioneiro que fora assassinado ironicamente em seu lugar. Em sua fuga ele faz amizade com um mexicano fugitivo chamado Pedro, que ao início ameaça até algum momento comédia como Eli Wallach em “Três Homens em Conflito - 1966”, mas não dá continuidade e tudo continua sério, e Pedro era de quem Dexter precisava para ajudá-lo a começar a sua trajetória de vingança.

De volta à cidade a muitos anos, disfarçado como um mexicano, iniciar o rastreamento na vida de todos os seus traidores e começa se vingando de seu primo Dave que no tribunal testemunhou contra ele e do Major Frank Hamilton que também como promotor do tribunal adoçou a sua condenação.


O último a ser vingado é seu ex melhor amigo Barry Haller que o queria vê-lo morto para conseguir ficar com Mercedes e através de uma confissão de Manuel de Losa, o Coronel Jackson consegue provar a sua inocência limpando o seu nome.
Curioso final que ao invés do clássico duelo com revólveres, os dois militares desembainham as suas espadas e resolvem suas diferenças na lâmina tipicamente como em Zorro.

Um filme acima da média como um bom entretenimento e seu maior trunfo foi o enredo de conspiração, que foi bem construído o suficiente para mantê-lo interessante e preso a tela.
As atuações no geral são muito boas, com performances sólidas de Robert Woods, Manuel Martin e Antonio Casas que dispensam comentários como bons atores espanhóis que foram. Embora a trama de vingança tenha sido um pouco diferente, algumas vezes, lembram-se os clássicos Ringo de Tessari principalmente quando Woods usa a sua barba longa e está disfarçado como um mexicano assim como Ringo de Giuliano Gemma, parecendo-se muito com ele.


Entre os destaques no filme, é a demonstração de pontaria de Roy Dexter, e as quedas de Robert Woods nas pedras quando é perseguido e a queda na escadaria quando na luta de espadas dentro da mansão. Robert Woods me disse em entrevista exclusiva ao blog que nestas quedas ele não usava dublês. Ele fazia tudo sozinho como bom cowboy que sempre foi nos Estados Unidos.
A trilha sonora de Benedetto Ghiglia e Angelo Francesco Lavagnino e a fotografia de Victor Montreal e Tino Santoni estão em sincronia com a fita e isso valoriza muito o conteúdo no geral.
Em muitas partes do filme percebe-se bem uma influência de câmera alá Leone executadas pelo olhar de Tino Santoni conseguindo captar bem o desertico e árido oeste de Almeria como em “Por um Punhado de Dólares”.
Tino Santoni foi um mestre na fotografia na década de 60 fotografando os Pepluns e Épicos Romanos e em outros Espaghettis dom em “Sangue Chiama Sangue” de 1968 com Fernando Sancho e Stephen Forsyth.


Trilha sonora bem movimentada e competente, embora, uma música tema que comece com um assovio bem ao estilo italiano, mas aos poucos ganha a forma de um hino militar americano clássico anunciando que o filme terá o envolvimento de heróicos militares da Guerra Civil.
Ficou interessante e a maioria das 24 trilhas seqüenciais musicais seguem harmoniosamente as variações ao tema inicial. Outras influências além da música é a dança clássica tipicamente dos Westerns americanos [muito usado por John Ford] e aqui bem executada e dirigida em cenas muito curtas, mais ricas em detalhes.


Talvez este roteiro tenha mesmo ficado diferente pela participação de Bruno Corbucci, Giovanni e Aldo Grimaldi, mas pode ter alguma ligação com o grande romance de Alexandre Dumas "O Conde de Monte Cristo", e se fossemos comparar, veríamos uma adaptação pois aqui o protagonista é também injustamente acusado de um crime com a participação de seu melhor amigo, que por sua vez envolve o amor de uma mulher e ele é condenado em um presídio de trabalhos forçados fugindo após anos de reclusão, voltando para se vingar de tudo e de todos satisfazendo o seu desejo de vingança, reconquistando sua honra e sua amada.

Infelizmente cópias existentes hoje não apresentam uma qualidade digna para o filme, mas com o recurso da internet, muitas cópias consideradas extintas estão ressurgindo do nada para o deleite dos fãs. Esta é mais uma das que estamos aguardando. Um filme divertido para os fãs e um pouco diferente das tradicionais vinganças da mulher e familiares do cowboy solitário.

Não é excepcional e nem tão pouco memorável, mas um filme para relembrar bem o escurinho do cinema. Com um pouco mais de capricho e cuidado de produção este poderia ter sido mais um clássico do Espaghetti Western.
Nunca exibido na Televisão Brasileira.

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