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16 fevereiro 2014

Paz para um Pistoleiro - Peace for a Gunfighter - Especial Brasil


Paz para um Pistoleiro [Brasil]
Peace for a Gunfighter [USA]

Produção: USA - 1965
Direção: Raymond Boley
Duração: 82 minutos
Musica: Dolan Ellis         
Fotografia: Bob Allen    
Produção: Robert J. Allen e Harold W. Johnson         
Edição: James L. Royer
Escrito: Michael Fuller
Set Decoração: Red Johnson
Locações: Arizona - USA
Co-produção:  Cable Springs, Ltd., e
Crown International Pictures

Burt Berger - Pastor/Tedd Mathews
Bill Black - Membro do Bando de Smiley
Mark Farrington - Reverendo
Everett King - Smiley
JoAnne Meredith - Melody Trent
Ray Odum - Jogador
Bob Pollard - Velinho
Mark Sanchez - Garoto
John Scovern - Rafe
Stirling Welker - Sloan
Allen Wood - Agente da Wells Fargo
Danny Zapien - Ignacio


Uma realização original e totalmente americana que merece uma explanação mais aprofundada deste que sem dúvida nenhuma ficou reconhecido após muito tempo como um excelente filme western aos fãs mais eloquentes e sem nenhuma informação mais aquecida na web, principalmente na América Latina.
Resolvi então ajudar a colocar este filme em seu merecido lugar na estante dos colecionadores mesmo sendo um apreciador assíduo do Espaghetti Western e este com certeza é mais um com influências do Europeu.

Um único western realizado pelo diretor Raymond Boley que sem dúvida nenhuma naquela década de 60 já assistia aos Espaghettis Westerns que começavam a invadir os EUA.

Baseado em um roteiro e história de Michael Fuller, e aos estilos de Demofilo Fidani utilizando-se de uma dúzia de atores e também demonstrando muitas cenas com engenhosidade Européia, principalmente nas falas e na execução dos "Fighters" consegue aqui um bom resultado com o Pistoleiro Tedd Mathews e sua jornada remissiva por onde passava.


Em um breve resumo posso concluir que: Narra a história de um famoso pistoleiro conhecido em todo o oeste por "O Pastor" [The Preacher] que luta diariamente com o objetivo de melhorar a sua reputação de matador procurando viver definitivamente em paz, mas pela sua fama no país, não consegue um momento deste em sua vida, daí então o filme é batizado "Paz para um Pistoleiro".

No primeiro segundo do filme, figura-se um de seus oponentes ao chão e a primeira, simples e curta frase do pistoleiro observando o cadáver no chão e: "Tolo."
Esta frase se repetiria por outras situações pela sua jornada ao após chegar de passagem pela pequenina e isolada cidade de Reata Pass no Arizona.


A letra da música do inicio filme já conta a história do que virá pela frente.
Este homem e a vida que ele tinha...
Não se importava com nada em seu caminho...
Quando disparava seu último tiro...
seus mortos, não causariam mais medo...

Um duelo inicial bem original sem muita conversa logo ao entrar naquela árida cidade originalmente no Arizona [onde foram feitas também grande parte das locações da série de TV "Chaparral] em que Lenny, mais um de seus algozes caçadores o espera para um duelo e diz para Tedd, “O Pastor”, uma das frases mais conhecidas e muito usada nos filmes westerns:
"Não há espaço nesta cidade para nós dois, ou melhor, neste país", e em um clássico saque do coldre sempre executados a um giro de 180 graus, tendo em vista que seus oponentes sempre tentam alvejá-lo pelas costas, é infalível.


Após este início de filme ele se dirige para o saloon, onde consegue encontrar cinco cartas de Reis em um jogo de baralho sendo dois Reis de Paus e mais uma vez outra confuzão.

São várias tentativas de assassinato contra ele. Tedd é um herói misterioso, que revela a sua história ao Reverendo local contando que se tornou pistoleiro ao vingar a morte do pai barbaramente assassinado e que ganhou o apelido por tentar convencer seus inimigos desistirem de duelar com ele e essa conversa foi vista como um sermão dado por ele antes de os matarem.

Um filme feito para a TV americana e que chegou a passar também nos cinemas brasileiros muito precocemente por falta de divulgação na época.


Em alguns países só chegou mesmo em 1967 e na Alemanha só chegou em 03 de novembro de 1976 também pela falta de divulgação.

Uma aventura recheadíssima com muitos clichês do Espaghetti Western e que fez deste filme se transformar em um Cult aos colecionadores e pouquíssimo conhecido na esfera mundial com um diretor e atores desconhecidos até então.

É um filme com um Burt Berger bem durão que além de arrastar o país inteiro atrás dele em que todos desejam a fama se conseguirem mata-lo, ainda envolve-se também com Melody, a amante e sócia de um juiz corrupto na propriedade do saloon.
Este já é um dos bons motivos para o enredo de perseguições, duelos, vinganças bem ao estilo Europeu.


Ao presenciar a destreza de Tedd ao chegar na cidade e após muita insistência, é contratado por Sloan, um dono de uma empresa mineradora de ouro, que lhe dá como trabalho, a missão de fazer transportar em segurança carregamentos de ouro das minas para os depósitos do governo em uma região que não há xerifes e nem regimentos militares para tal escolta.

Por sua eficácia nos duelos locais acaba trabalhando e ludibriando com astúcia as gangues que frequentemente roubavam os carregamentos.
Com instintos intuitivos por experiências de guerra, consegue resolver o problema e ganhar a simpatia do dono da mina, o que seria fundamental no desfecho da história.

Burt Berger era americano de Nova York e em sua carreira só deixou três trabalhos:
Paz para um Pistoleiro (1965) como “O Pastor”, Episódio da série Combate "High Named Today" (1962) no personagem "Soldado" e na série Kojak (1973) no episódio "You Can't Tell a Hurt Man How to Holler" no personagem "Wexler”.
Ele faleceu em 01 de Abril de 1992 em Los Angeles, California, USA.


Possuo uma cópia de qualidade regular do filme, a única que se tem notícia no Brasil exibida na TV americana pela CBN e que fãs conseguiram copiar em VHS e hoje é comercializada em DVD.
Poucos no mundo possuem uma dessas. Acho que tudo que prejudicou a popularidade deste filme fora a divulgação, pois o filme possui um bom ritmo às exigências dos fãs.

O material e o cartaz de divulgação da época eram muito simples e sem sentido e talvez tenha prejudicado o sucesso do filme naquele ano. É um cartoon feito a mão, insignificante para o porte do filme. Deveriam ter procurado os europeus para fazerem este trabalho.


Na trilha sonora que é bem original americana, Dolan Ellis ficou encarregado da direção musical e interpretação das duas músicas vocalizadas.

O tema do filme “Peace for a Gunfigther”, lembra as influências de alguns Espaghetti Westerns pelo assobio no meio dela e outra bela canção romântica também é destaque “ Sometime” também interpretada por Dolan Ellis. Nota-se também que o pianista do saloon está mesmo tocando o piano provando que é músico de verdade e não dublando notas erradas e fora do tempo harmonioso da música como na maioria dos pianistas do saloon nos Westerns.


Posso dizer, que se Burt Berger tivesse feito outros filmes como este, poderia ter sido um Clint Eastwood também porque possuía postura suspeita e aqui teve o privilégio de atuar como anti-herói, bom jogador que sabia quando estava sendo roubado, bebia o seu whisky, conhecia todas as mutretas e sacanagens dos bandidos e corruptos, envolvia-se com mulheres, tiroteios, duelos, enfim; Se Leone tivesse assistido Burt Berger e JoAnne Meredith contracenando cenas de romance, sem dúvida o teria levado para Cinecittà.

O olhar entre o casal nestas cenas românticas e melancólicas é dramático e envolvente.
Burt Berger só consegue esboçar um pequeno sorriso duas vezes no filme e uma delas é ao tirar da cama o Agente da Wells Fargo “Allen Wood” fora de hora de trabalho pra receber o carregamento de ouro e esta era uma das estratégias de transporte: Horários inconstantes de saída e de chegada da carga.

Algumas falas divertidas também podem ser apreciadas como na cena em que o Pastor pede ajuda ao Reverendo local: O Reverendo lhe diz: Só você pode se ajudar. O Pastor responde com outra pergunta: "Como eu poderia fazer isso dando tiros nas pessoas?".


É legal assistir ao filme sabendo que o cenário também é natural em tudo e que o inconveniente é só termos o conhecimento desta única cópia distribuída em formato 4:3 Widescreen [das TV´s antigas] e que em várias cenas não se consegue ver partes da ação em um plano abrangente.

Uma destas cenas é quando na emboscada preparada para Tedd por Smiley na saída do saloon com dois homens colocados no telhado, e quando um deles é alvejado por Tedd, não se consegue captar todo o plano executado.

Bem típico Europeu. Às vezes fico imaginando se não foi proposital para imitar o estilo. Interessante também é ver o chefe da gangue local "Smiley" interpretado pelo ator Everett King com aquele timbre de voz bem agudo [fininho] e ser tão cruel com todos com aquela voz fina.


Americanos e Europeus adoram temas com padres e reverendos justiceiros.
Neste filme o pistoleiro chegou a fazer uma tentativa de ser seminarista, mas não chegou a ser padre, pastor, reverendo e sim ganhou um apelido "O Pastor".

O desfecho da trama pra ficar mais original ao tema é do lado de fora da igreja local ao ser cercada por todos os seus pretendentes em obter a sua fama e sua vingança adquiridas durante os oitenta minutos de filme até ali.
No momento de seu casamento, é desafiado pelos bandidos do lado de fora da igreja, mas um a um vão se ajoelhando diante de seu Colt.


Após limpar a cidade da desordem entra na humilde igreja com sua mulher e o Reverendo local para dar continuidade ao seu casamento, jogando sua arma na porta da igreja do lado de fora e repentinamente o garoto (Mark Sanchez) que cuida de cavalos acaba pegando a arma já simulando alguns disparos para o ar ironizando o surgimento de um próximo pistoleiro a procura de paz.

Uma diversão muito boa para quem gosta de uma história séria, ou seja, um drama envolvente e bem mais forte recheada com um pouco de tudo em um filme muito procurado e pouco conhecido pela falta de informações e acesso no Brasil.

Os conceituados colecionadores do Western estão todos à procura de uma cópia digna desse que sem dúvida deve constar nas listas dos westerns raros e imortais. Estamos caçando-o como a um Bounty killer.

4 comentários:

  1. Garimpei bastante para adquirir, temos atrás, uma cópia em DVD´r, através de uma fonte americana desse filme.

    Lamentavelmente, temos que ficar gratos com essa versão, pois dificilmente teremos esse filme editado por aqui.

    Mas o sonho existe.

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  2. Quem sabe com a divulgação deste post, possamos conseguir pistas de alguém que possua uma cópia original de melhor qualidade em outro país, pois com as visitas constantes diárias no blog, mais cedo ou mais tarde algo pode acontecer, como já houve algumas surpresas por aqui.
    Meu amigo do "viva gringo blogspot"

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  3. Le todo o comentário Edelzio, e realmente muitos faroeste precisão ser desengavetados mais divulgados e lançados por alguma boa produtora remasterizados. tenho o Filme (Duelo ao Sol) de 1946 com ótima imagem remasterizada e se ver muito à venda, e porque não poderia fazer isto com esse que foi produzido 19 anos depois. é Edelzio como esse filme tem uma grande semelhança com os faroestes Europeus, quem sabe que o Diretor Americano Raymond Boley tinha uma grande simpatia por eles. e se os diretores Italianos tivessem conhecido melhor o ator Burt Berger, com certeza teria lhe conviado para os Spaghetti Western.

    Luiz Carvalho

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  4. Aqui tem bons filmes de faroeste para venda, dê uma olhada.
    http://www.revistariaribeiro.com.br/faroeste-western_qO41XtOcxSM

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