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28 maio 2012

Karatê no Oeste Selvagem

Os irmãos Karatê contra o Oeste – Brasil
Os irmãos Karatê desafiam o Oeste - Brasil
Os irmãos Kung-fu contra o Oeste - Brasil
...Altrimenti vi ammucchiamo...Kung Fu nel pazzo West - Itália
I fratelli del kung fu - Europa
Kung Fu Brothers in the Wild West - USA
Master Killers - UK
Produção: Itália e Hong Kong -1973
Diretor: Yeo Ban Yee (George Bange)
Duração: 92 minutos
Música: Franco Brocardi
Fotografia: Hsun Yang (Albert Young)
Escrito: Nagi Hon, Tu Lung Li e Carlo Mancori
Co-Produção: Golden Harvest Company e Yangtze Film Company Ltd.

William Berger - Steve/Blonde Angel/Anjo Loiro
Jason Pai Piao - Chen
Donald O'Brien - Don
Po Chih Leo - Dow
Attilio Dottesio - Bandido George
Winnie Pei Nie - Ling
Thompson Kao Kang - Mestre King Dragon
Rosemarie Lindt - Elaine
Tang Chin Ho - Treccia Torneo
Gilberto Galimberti, Wu Choon Hu, Tang Kwoksze,
Tony Liu Jun-Guk (martial arts student)
Ang Saan (martial arts student)
Sally Leh (Sa La Leh), Joe Chan, Wu Choon Hu,
Tang Kwoksze, Chin-Ku Lu e Lee Wan-Chun.

Vi este filme na década de 80 uma única vez pela TV dublado em português, e nunca mais no Brasil consegui encontrar e sei que na época chegou a sair em VHS e haviam vários títulos exóticos misturando Western-Karatê-Espaghetti ou Western–Kung-Fu-Espagehtti. Eu sempre dei atenção e gostava de assistir estes filmes de Kung-Fu no velho oeste porque eles traziam curiosidades de dois seguimentos que tinham suas particularidades e a mistura de artes marciais com os revólveres se tornava curiosa e interessante pois o sucesso de Bruce Lee abria portas para estas produções.

Nos primeiros dez minutos do filme assistimos a unicamente demonstração de lutas de Kung-Fu em que dois irmãos disputam a sucessão de mestre de Kung-Fu em uma escola de tradição milenar na China.
“No início dos anos 70 tudo o que se fazia envolvendo artes marciais lotava os cinemas do mundo”.
Um destes dois irmãos “Dow” para renunciar e evitar a disputa entre eles, refugia-se com sua irmã “Ling” em uma cidade do velho oeste conduzindo suas vidas operando um restaurante Chinês.
Vivendo a discriminação do povo local e da região infetada de bandidos.
Outros Spaghetti Westerns tais como “O dia da Ira” (Day of Anger -1967), O Preço do Poder (Il Prezzo Del Potere - 1969), e muitos outros compartilham esse tema, embora o racismo esteve focado contra os camponeses mexicanos, africano-americanos e americanos nativos (índios).
Aqui neste filme é único e exclusivamente contra os chineses.
É curioso e estranho neste filme que no enredo não existe um valor em dólares ou ouro, ou algum tesouro envolvido na trama para motivar tanta matança e violência desenfreada e parece que o diretor só queria mesmo mostrar o Kung-Fu, tão em evidência na época e fica óbvio que um dos focos principais aqui é sobre o racismo na América, que fornece todos os argumentos para se justificar toda a violência, caso o contrário ele esqueceu-se mesmo achar um motivo para filmar.

No momento em que o bando de Steve (William Berger), seu protetor e mestre de uma escola de artes marciais “Dragon” (Thompson Kao Kang), e seu ‘batedor e mercenário’ Don (Donald O´Brien), resolvem tomar e apoderar-se de tudo e de todos na cidade, surge em meio às pradarias, “Chen”, em sua procura de cinco anos por seus irmãos chineses Dow e Ling.
Em meio a sua jornada de busca, enfrenta diversas situações com bandidos armados com revólveres e rifles, mas são todos rechaçados com sua habilidade e destreza com o Kung-Fu e seus truques e armas ninjas.
Chen usa uma espécie de moeda de aço que arremessadas com precisão são mortais ao inimigo e algumas vezes, consegue confundi-los e desarmá-los com esta arma.

No entanto, a sua arma secreta, é um dardo que ele chama de “peão” e que ao atingir seu alvo é mortal.
Outros bandidos de um bando rival chefiado por George (Attilio Dottesio) também está na cidade, intimidando os chineses do restaurante e também querem tomar a cidade de assalto, mas não são páreo para o bando de Steve e os enfrentamentos são inevitáveis.

Donald O´Brien é “Don” e faz o papel do homem mau e sem escrúpulos com o qual já era consagrado ao ponto de executar o telegrafista desarmado a sangue frio, impiedosamente.
É legal ver o cenário de Tirrenia na Itália com a sua tradicional igreja como pano de fundo para as lutas marciais.
Não existe cena de humor proposital e o humor mesmo fica por conta dos efeitos especiais como os vôos simulados pelos lutadores que parecem ser arremessados por catapultas (muito usado no estilo de lutas marciais).
O clima é melancólico em meio à poeira do oeste e todo ele vivido em situações de lutas e preconceitos contra os chineses, mostrando que o oeste foi mesmo um desafio para europeus, africanos e asiáticos na época do pioneirismo.

Assim como em “Meu nome é Shangay Joe” de 1972 que até ganhou uma seqüencia no mesmo ano (Il Ritorni di Shangay Joe), os duelos mostrados pelos chineses são até criativos e interessantes.
Em um deles, o pistoleiro defende-se das moedas mortais de Chen atingindo-as uma a uma à bala e em seguida Chen defende-se das balas do revólver deste mesmo pistoleiro disparadas contra ele com suas moedas desviando-as. Tudo em uma única seqüencia. Muito típico dos filmes de Kung-Fu e do Espaghetti Western.

Estes chineses não conseguem ter sossego um minuto sequer e são perseguidos o tempo todo inclusive com o seqüestro da chinesinha “Ling” por Dragon, o mestre Kung-Fu degenerado que é salva a tempo de ser estuprada por ele.
Tudo o que acontece no filme gira em torno de duelos, lutas, golpes, truques e sangue.
As moedas de aço arremessadas por Chen vão liquidando um a um os seus oponentes culminando ao final na morte de Don, Steve e Dragon em uma seqüencia de 25 minutos de ação sem diálogos em que o “peão” de Chen mostra realmente a sua periculosidade e eficácia.

O filme claramente mostra que foi feito para divulgar a luta Kung-Fu e para isto atrair também os fãs do western utilizando de seus melhores ícones da arte marcial na época no cinema asiático e conquistar outros públicos.
Talvez por culpa de uma história pobre e uma edição muito fraca que deixou o filme na primeira metade embaraçoso, não fez tanto sucesso quanto “O Dragão Chinês e o Pistoleiro” (Là Dove Non Batte Il Sole – 1974), filmado um ano depois com Lee Van Cleef sob a direção de Anthony M. Dawson (Antonio Marghariti), experiente diretor que conseguiu um resultado acentuado no estilo.

Uma das inovações neste filme é a reação ao tiro nos close-ups.
Um ator tem um rosto perfeitamente estático, e então repentinamente age surpreso, mas só muda a expressão facial. Para quem gosta de filme de lutas marciais, este é um pouco exagerado em suas seqüencias, algumas um pouco absurdas como uma cadeira arremessada por Chen que é congelada no ar por balas de revólveres dos bandidos dentro do saloon.


Um final com mais suspense, como aquele duelo final em “Três Homens em Conflito” (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo – 1966) e com uma música mais elaborada poderia recompensar os fracassos da primeira metade do filme.

Outra curiosidade são as mudanças de locais das lutas e nota-se em uma delas que se inicia na poeirenta cidade e acaba em um local com muita vegetação verde à beira de um riacho, completamente diferente. Acho que esta seqüencia começou na Itália e terminou em Honk Kong.
Jet Li em “Era uma vez na China e na América” (Once Upon a Time in China and Amércia) já no ano de 1998 repetiu a façanha e não mudou muita coisa em relação a este filme.

Infelizmente como produtor, Yeo Ban Yee fez bons trabalhos, mas como diretor em seus três únicos filmes faltou-lhe experiência e isso é comprovadamente mostrado em algumas cenas bizarras como a trança dos cabelos da chinesa que corta as mãos de um bandido ao agarrá-la por trás.

A música também não tem muito a ver com o Western, pois o tema inicial original que é o caso da versão em Inglês é singularmente um tema chinês e mesmo durante o filme se percebe mais a influência da música oriental.
Alguns efeitos sonoros também são adicionados às cenas de saltos e vôos dos lutadores chineses causando aquela sensação de flutuação no ar.

Considerando a pobreza da produção, não é tão bom como o Kung-Fu em “Meu nome é Shangay Joe” (Il mio Nome è Shangai Joe -1972) de Mario Caiano e desconsiderando a má primeira metade do filme (talvez com alguns risos) e levando em consideração que Caiano e Marghariti eram experimentados diretores em fazer westerns, este filme não pareça ser tão péssimo como muitos pensam, sabendo-se da pouca quantidade deste estilo ter sido produzido na época, porque foram poucos os diretores a se aventurarem em fazê-los.
Talvez seja por isso que esse é mais um filme bem cultuado e procurado no Brasil e no mundo.

O bom de ver no filme são as presenças de William Berger ensaiando alguns golpes de Kung-Fu e Donald O'Brien, os quais estrelariam novamente juntos em um excelente Keoma dois anos depois em 1975.
Estava difícil de se ter uma boa impressão do filme atualmente, pois não possuía uma cópia digna para avaliação. Era uma cópia muito borrada de VHS fullscreen com legendas em espanhol na cor branca ilegíveis, mas consegui finalmente legendar uma cópia melhor em Inglês e curiosamente percebi alguns diálogos dos chineses em Inglês.
É difícil ainda nos dias de hoje tentar explicar, mas é divertido de assistir.

2 comentários:

  1. Este não conheço. Parece-me fraco...

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com

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  2. Realmente é fraco, pelo ano em que foi feito poderia ter sido melhor, mas como relatei na postagem, a falta de experiência do diretor e os baixos recursos resultam nisso, mas deve fazer parte da coleção dos fãs do Espaghetti pelo marco histórico do atrevimento e pioneirismo de alguns diretores.

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