
Hoje aos seus 74 anos de idade estou mais uma vez homenageando Giuliano Gemma.
Foram centenas de pedidos e agora em uma edição mais bem aprofundada e elaborada sobre este ator que ficou no coração de muitos brasileiros que assistiram aos seus filmes no cinema e na TV nas décadas de 60 e 70 e desta vez contei com a ajuda do meu amigo Marcos Maurício de Belo Horizonte que possui um grande acervo sobre o ator e gentilmente cedeu-nos fotos inéditas para o deleite dos fãs.
Quando surgiu o Espaghetti Western no ínicio dos anos 60 na Itália, muitos atores se tornaram ícones conhecidos mundialmente conquistando o público. Na Alemanha, na antiga Yuguslávia e até mesmo na Romênia já haviam sido filmados alguns faroestes muito antes mesmo dos italianaos entrarem com tudo no gênero.
Em meio a tantos ídolos surgiu um que se tornaria eternamente famoso em interpretar o personagem Ringo e este ator é Giuliano Gemma, nascido em Roma em 02 de setembro de 1938.
Viveu boa parte da infância no interior da Itália em uma cidadezinha chamada Réggio Emília.
Aos 12 anos, enquanto brincava correndo com seus amigos pelos campos da área rural, encontrou uma granada aparentemente desativada. Ignorando o perigo da mesma, começou a brincar. A granada acabou por explodir em suas mãos. Por sorte, do acidente, o ator leva até hoje somente uma pequena cicatriz no lado esquerdo do rosto.

Nessa mesma época, em pleno período da 2ª, guerra que começou a freqüentar a academia de ginástica, onde se dedicou exclusivamente à ginástica rítmica, acrobacia, boxe e natação.
“Foi este meu gosto por esportes que me valeu, mais tarde a oportunidade de entrar para o cinema”, disse o astro.
Para cumprir o serviço militar ingressou no corpo de Bombeiros em Roma e lá permaneceu durante alguns anos. “Fui bombeiro como poderia ter sido outra coisa qualquer” e me senti muito bem na profissão e lá eu tinha a oportunidade de praticar ginástica, de saltar, de exibir agilidade e isso era ótimo pra mim.
Um dia resolveu dar baixa e tentar novos rumos. Mediante insistência do pai, ainda pretendeu tornar-se corretor de imóveis, mas logo desistiu da idéia. “Eu não tinha jeito mesmo para a coisa”. disse.
Foi nesta época que nasceu em mim a vontade de ser ator.

Decidido a entrar para o cinema "a qualquer preço", passou a freqüentar os estúdios cinematográficos italianos. Um dia, acenaram-lhe com alguma esperança. Disseram-lhe, por exemplo, que ele tinha uma "boa pinta", e que seu porte jovem, os olhos e cabelos castanhos, e a sua altura, 1,84cm, talvez lhe valessem alguma oportunidade. Finalmente, no ciclo de filmes mitológicos do cinema italiano, Giuliano Gemma acabou sendo aproveitado, inicialmente como figurante e posteriormente como ator de ponta.

Seu bom desenvolvimento físico também o levou para o circo, onde trabalhou como trapezista.
Além do esporte, sua segunda paixão era o cinema, e tinha como ídolo, Burt Lancaster. Sem dúvida, foi o excelente porte atlético que lhe possibilitou aos 20 anos, ingressar na carreira cinematográfica, atuando em pequenas pontas de filmes épicos, geralmente estrelados por Steve Reeves.
Em "Ben-Hur" (1959) apareceu interpretando um soldado romano.

Após trabalhar também com dublê, em 1961, ganhou seu primeiro papel de destaque convidado por Duccio Tessari numa aventura épica intitulada: "Chegaram os Titãs" (Arrivano i titani).
Neste período de 1960 a 1964, trabalhou em várias películas, destacando-se nas pontas que fez para “Boccacio 70”, e “O Leopardo”. Nesse meio tempo, para ganhar a vida e conseguir popularidade, participou também pelo caminho da fotonovela, tornando-se rapidamente conhecido do público aficionado do gênero.
Em 1962 trabalhou também em “Gattopardo” (“O Leopardo”), de Luchino Visconti como General Garibaldi contracenando com Burt Lancaster, Cláudia Cardinale e Alain Delon.

Logo foi despertando a atenção do público ao aparecer em dois filmes capa-espada:
"Angélica a marquesa dos anjos" e "Angélica e o rei" (1964-65).
Mas, foi graças ao produtor Sérgio Leone, que ao produzir o faroeste "Por um punhado de dólares" (1964), o cinema italiano despertou para os filmes de bang-bang, cujo sucesso duraria por quinze longos anos.
Ainda assim, a crise do cinema italiano era tremenda. O súbito êxito da fita "Por um punhado de dólares" estrelada por Clint Eastwood, e stimulou os produtores a insistir no gênero do western, dessa feita, no entanto, com ator local.
- Foi aí que meu nome foi lembrado. Ninguém tinha dúvidas de que eu me sairia bem. O que atrapalhava, apenas, era meu nome legitimamente italiano.

Compreendendo que o cinema americano já não tinha condições de produzir filmes de faroeste em número suficiente para saciar a fome do mercado internacional, os italianos resolveram fazer uma incursão no setor, isto é, produzindo westerns cujas histórias se desenrolavam na América do Norte entre os séculos XIX e XX.
Como o faroeste era vivido na América, os nomes dos personagens teriam que ser americanizados, pois não ficaria bem um xerife com o nome “Guido” e elem disso criaram também os pseudônimos para os atores acreditando que a aceitação do público acostumado ao western norte americano, receberiam melhor os novos mocinhos.

Em seus primeiros filmes, em vez de Giuliano Gemma, o nome que apareceu nos créditos foi Montgomery Wood. Porém, o sucesso foi tão grande, que rapidinho passaram a atuar com seus nomes verdadeiros. Dos faroestes, Giuliano Gemma passou a atuar em filmes policiais, guerra e comédias tais como: "África Express" e "Safári Express" (1974-76) ao lado de Úrsula Andress.

Batizaram-me de Montgomery Wood, a despeito de meus protestos. Na qualidade do mais novo mocinho da tela, fiz "O Dólar Furado", "Adiós, Ringo", "Uma pistola para Ringo", "Erick, o Viking", "Arizona Colt", “Dias da Ira” e "Ringo não perdoa". Felizmente, a crítica aceitou-me bem e o público prestigiou meus westerns.
Atuou também até na comédia “Dois anjos da Pesada” de 1973 (Anche gli aneli mangiano fagioli) como parceiro de Bud Spencer em vez de Terence Hill (o parceiro habitual do Bambino).
O nome de Montgomery Wood, todavia, estava atravessado na garganta de Giuliano Gemma, e, tanto fez ele, que convenceu os produtores a lançarem-no com seu nome verdadeiro. “Não importava que me tachassem de um texano de Roma”; O que importava era que eu me firmasse como ator, e o público me recebesse tal como eu realmente sou. Meus argumentos acabaram vencendo.

A solução, pelo menos no início, resumia-se em contratar atores americanos. Surgiram então os primeiros westerns italianos, protagonizados por Clint Eastwood (O bom, o mau e o feio - Três homens em conflito, Por um punhado de dólares); Cameron Mitchell (Minnesota Clay), Richard Harrison (Cem mil dólares para Ringo), Robert Woods. Lee Van Cleef e até de outros países como o uruguaio George Hilton.

"Uma Pistola para Ringo" (1965) foi o filme que lançou Giuliano Gemma como cowboy do faroeste. Nesse ano, durante as filmagens, o ator conheceu Natália Roberti , com quem se casou e teve duas filhas: Giuliana e Vera. O casamento durou até 1995, quando sua esposa veio a falecer. Os filmes de Ringo conquistaram a todos e o ponto máximo do sucesso foi "O dólar furado". Excelente western com uma bonita trilha sonora composta por Gianni Ferrio.
Nos cinemas do interior brasileiro o público aguardava ansioso pelas sessões de finais de semana, para ver o Ringo se defrontar contra o vilão mexicano, interpretado por Fernando Sancho. Pois se o filme tinha Giuliano Gemma, o sucesso era garantido.
Enquanto os faroestes italianos eram rodados na cidade espanhola de Almería, os produtores se preocupavam com os nomes dos seus atores.

Na sua carreira Giuliano Gemma já trabalhou frente a frente com grandes astros internacionais como: Kirk Douglas, Rita Hayworth, Henry Fonda, John Huston, Klaus Kinsky, Fernando Rey, Francisco Rabal, Jack Palance, Max von Sydow, Jacques Perrin, Martin Balsam, Bruno Kremer, Anthony Franciosa, Ernest Borgnine, Philippe Noiret, Catherine Deneuve, Ursula Andress, Senta Berger, Claudia Cardinale, Aurore Clement, Lee Van Cleef, Florinda Bolkan, Corinne Touzet, Alain Delon, Liv Ullman, Van Johnson e Ely Wallach.
Um dos últimos westerns de sua carreira datado do ano de 1985, deu vida a Tex Willer, um famoso cowboy dos quadrinhos no filme "Tex e o Senhor dos abismos", de Duccio Tessari.

Hoje ele ainda atua seja no cinema ou na televisão. O que muitos não sabem é que o mesmo é apaixonado pela arte da escultura. Estudando com os melhores mestres da escultura, Gemma já produziu diversas obras. O ator/escultor ainda pratica muitos esportes como equitação, tiro, e, recentemente descobriu uma nova paixão, o alpinismo e escalada. Coleciona armas antigas e quadros com pinturas modernas. Nos últimos anos o seu passatempo preferido é fazer esculturas em bronze.
Trabalhou recentemente no Japão, onde também é muito conhecido, fazendo divulgação para a Suzuki. Atualmente está casado com a jornalista Babi Richerme e vive nos arredores de Roma que quando solicitado, comparece em homenagens e festas ocasionais com vários artistas.

Um ator carismático, cujo talento o tornou inesquecível entre os brasileiros que puderam vê-lo no Brasil em 1969 quando foi convidado para ser jurado no festival Internacional da Canção no Maracanãzinho onde teve um encontro histórico com o rei da música brasileira Roberto Carlos que na época filmava “O Diamante Cor-de-Rosa” e em 1986 quando Gemma veio em férias e chegou até marcar presença no Programa “Discoteca do Chacrinha” da TV Globo.
Atualmente, Giuliano Gemma é casado com Baba Richerme. Sua filha, Vera Gemma também é atriz.
Fonte de Pesquisa
WWW.giulianogemma.it
Acervo: Marcos Mauricio Lima – BH
Acervo: Edelzio Sanches - SP
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