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19 fevereiro 2018

Giarrettiera Colt (Itália) [Subtitle/Legenda Ptbr.srt Exclusiva] "A Pistoleira Virgem" Especial Brasil


A Pistoleira Virgem - Brasil
Giarrettiera Colt - Itália
Garter Colt - USA
Das Coltstrumpfband - Alemanha

Produção: Itália 19 Maio de 1968
Direção: Gian Rocco      
Escrito: Giovanni Gigliozzi, Guido Leoni, Brunello Maffei,
Vittorio Pescatori e Gian Rocco
Fotografia: Gino Santini
Duração: 86 minutos
Música: Giovanni Fusco e Gianfranco Plenizio
Locações: San Salvatore, Cabras, Oristano, Sardegna, Itália
Co Produção: Columbus Cinematografica
Produção: Gian Maria Leoncini e Nicoletta Machiavelli
Edição: Mario Salvatori

Nicoletta Machiavelli - Lulu 'Garter' Colt
Claudio Camaso - Red
Walter Barnes - General
Marisa Solinas - Rosy
Gaspare Zola (Jasper Zola) - Jean
Elvira Cortese - Elvira
Franco Bucceri - Doutor
Silvana Bacci – Massagista de Red
Franco Scala - Droga Soldier
Giovanni Ivan Scratuglia - Roger
James Martin - Xerife
Arnaldo Fabrizio (Fabrizio Arnaldo) - Lulu's 'Baby'
Alberto Hammermann                                
Riccardo Pizzuti, Brunello Maffei e Isabella Guidotti
Yorgo Voyagis - Carlos

Na fronteira com o México, durante a revolução contra os franceses de Massimiliano, uma diligência, tendo como passageiros: uma jovem e atraente mulher, conhecida como Giarrettiera Colt, jogadora de cartas e um soldado francês, conseguem escapar de um ataque dos revolucionários comandados por um bandido chamado "Red".

Mostrando-se corajosa, audaciosa e habilidosa com sua arma, ela coloca os bandidos à distância. Uma vez ao chegar na aldeia mexicana, ela liberta um mexicano com um tiro certeiro na corda que estava prestes à esticar o seu pescoço e logo após ela hospeda-se no hotel onde inicia-se o seu trabalho de como ganhar a vida: Jogar poker. Extremamente habilidosa com as cartas e cheia de truques inclusive usando o seu belo decote, sempre consegue vencer os seus adversários.


Em meio as suas noites de jogos, o tráfico de armas por revolucionários ocorrem através de Red, mas em uma dessas ocasiões o contrabando é impedido por um jovem francês disfarçado de mexicano.

Este mesmo que havia conhecido a jovem na diligência e entre as reviravoltas eles se apaixonam mas ele quer Aproveitar-se dessa situação para usá-la prometendo-lhe viver com ela uma vida mais tranquila e fora da violência mas pouco depois que o jovem francês é morto acidentalmente pelo general revolucionário, a jovem "Lulu" como também é conhecida resolve vingar-se de Red, enfrentando-o, concretizando sua vingança e ao final retornando ao seu trabalho, o jogo, agora partindo da vila.

Aqui a história trata-se de tráfico de armas por revolucionários que são alvo de três ou mais facções rivais na fronteira entre o Texas e o México.


Um elenco acima da média para o seguimento e uma impressionante beleza de Machiavelli como uma solitária pistoleira é marcante. Claudio Camaso como o vilão perigosamente perturbado desempenha esse papel exageradamente e faz o personagem Red "Vermelho" perder-se na história como uma grande ameaça.

O filme não se tornou um obra prima por um enredo confuso, pobre e monótono. Poderia ter sido mais envolvente e interessante mas mesmo assim conseguiu uma boa crítica na época.

Quentin Tarantino definiu esse filme como sendo uma verdadeira jóia de originalidade e foi uma inspiração direta para seu filme "Kill Bill" com Uma Thurman. Nicoletta Rangoni Machiavelli esteve sensual e bela como sempre neste filme e foi uma pena o diretor não ter investido em um romance mais enfático, menciona. "Faltou emoção".


O diretor Gian Rocco dirigiu esse filme com poucas pretensões no roteiro, mas o visual nas locações, são mesmo bem originais e isso ainda depois de tanto tempo pode-se valorizar o deslumbramento em muitas dessas paisagens.

O filme poderia ter se tornado um cult como outros Espaghettis, mas ficou na rotina e estranhamente atraiu mais a audiência feminina na época, fim dos anos 60. Uma excelente trilha sonora de Gianfranco Plenizio e Giovanni Fusco, tão boa quanto o elenco no qual destaco mais uma vez a bela performance de Walter Barnes como general mexicano revolucionário.

Foi o último filme europeu de Claudio Camaso, irmão de Gian Maria Volontè. Camaso ficou preso alguns anos por tentativa de assassinato de sua namorada e cometeu suicídio em 1977.


Gosto muito desse filme porque tive amizade pessoal com Nicoletta Machiavelli e ela sempre foi simpática e atenciosa comigo e com este blog.
Tive o privilégio de ter realizado uma de suas únicas e a última entrevista para este blog [”Entrevista Exclusiva com Nicoletta Machiavelli (aqui)”] com o qual ela fez com muito alegria e carinho ainda exercendo a profissão de guia turística nos Estados Unidos para a Itália.
Ela comentou sobre este filme e achou especial para ela. Resolvi elaborar e disponibilizar aos fãs uma “Legenda/Subtitle srt” no idioma português do Brasil totalmente revisada deste filme para a versão com áudio italiano disponível no Youtube e na web.

Versão disponível no Youtube com áudio Italiano
Resolução:  640x270 pixels
Duração: 86 minutos
FPS: 25
”Subtitle Português SRT Revisada Download”


16 dezembro 2015

A Morte de Saturno Cerra [Começou sua carreira no Brasil em 1960] Especial Brasil

Nascido em 25 de Novembro de 1924 em Sebreño, Ribadesella, Asturias, Espanha, faleceu aos 91 anos de idade em 05 de dezembro de 2015 (sábado) na mesma cidade Riosellano.

Saturno Cerra Pendas, um homem de múltiplos papéis nos trabalhos que participou em dezenas de filmes e sublinhou ao longo de sua vida como um pintor, leitor ávido, ocasional e cozinheiro jogador de golfe amador.

Seu primeiro filme foi em uma telenovela brasileira, aqui na cidade de São Paulo, e de volta à Espanha se especializou em westerns americanos em terras de Almería, onde ele chegou a compartilhar o set de filmagens com atores consagrados como Clint Eastwood, Henry Fonda, Charles Bronson e Anthony Queen e com atrizes dramáticas como Sophia Loren e Claudia Cardinale.

Nos anos cinquenta, ele trabalhou em uma loja de departamento em Madrid e foi um entre aqueles que frequentavam os encontros de Gregorio Marañón e José Martínez Ruiz 'Azorín'.

Após a Guerra Civil, com apenas 15 anos, Saturno Cerra começou a trabalhar como operário em diferentes localidades de Ribadesella. Ele gostava de pintar mas como faltavam-lhe lápis e papel ele ocupava-se de esculpir imagens do desenho para a massa de cimento e areia.

Ele emigrou para Madrid e conseguiu um emprego em Galerias Preciados, estabelecimento fundado em 1943 pelo espanhol Pepin Fernandez. Ele se tornou uma estrela dependente, a ponto de chegar a faturar uma média de sete milhões de pesetas por ano.

Mas Madrid e a miséria do do pós-guerra na Espanha gerou-lhe preocupações paraa decisão de emigrar.

Ele partiu em peregrinação pelas embaixadas do Canadá, México e Austrália, onde lhe negaram o visto para entrar no país pois requisitavam referências familiares ou empresariais.

Um dia, bateu na porta da embaixada brasileira, onde fora aberta e em menos de de vinte e quatro horas de viagem partindo de Barajas, já estava em São Paulo, Brasil. Uma cidade que fez de tudo para tornar a ganhar algum dinheiro diariamente.

Até que um amigo o sugeriu para que ele participasse das filmagens de uma novela e logo depois veio um papel aceitável no filme “Bruma Seca” [nome dado a um fenômeno natural nas nuvens] (1960),
interpretando o personagem “Ricardo”, um defensor do garimpo de diamantes de seu pequeno povoado na selva amazônica que estava sendo tomado por invasores herdeiros da cidade grande.

Foi creditado como “Saturnino Cerra”, ao lado de atores consagrados como Adoniran Barbosa e Francisco Egídio em um filme totalmente filmado e dirigido no Brasil pelo diretor e produtor italiano Mário Civelli que dirigiu vários filmes no Brasil e após este filme foi o que também ajudou a projetar Cerra ao cenário cinematográfico.

Nota: no site IMDB.NET não aparece nos créditos mas no prólogo do filme seu nome é creditado.

Em 1963 ainda no Brasil atuou no filme “O Cabeleira” [Se incontri Django cercati un posto per morire (Itália)] e foi também Cenógrafo [produtor de Design] sob a direção de Milton Amaral, renomado diretor brasileiro e Cerra pode compartilhar mais uma vez o set com grandes atores brasileiros como Enoque Batista e Ruth de Souza.

[Se Incontri Django Cercati Un Posto Per Morire (Itália)]

Não sei por qual motivo este filme somente fora lançado na Itália em meados de 1970. É um filme sobre o cangaço brasileiro que pode ter sido censurado na Europa por excesso de violência. Não consegui identificar o ator neste filme.

A música de Edmundo Peruzzi é tipicamente regional nordestina do Brasil.
Acredito que pode ter havido uma parceria na trilha. O dinheiro era escasso e se mudou para a cidade de Santos no Estado de São Paulo, Brasil, onde encontrou um oásis extraordinário para vender dezenas de suas pinturas para um casal de americanos, exportadores de café que se comprometeram a comprar todas as suas obras inclusive as que seriam ainda pintadas.

Ele retornou à Espanha em 1964 para visitar sua mãe em Sebreño e uma viagem posterior a Madrid colocou-o no caminho de Almeria, onde conheceu o diretor Mario Caiano quando rodava seus Espaghetti Westerns o qual lhe deu um papel em (Frente a Frente com os Pistoleiros/Um Caixão para o Xerife – Brasil - 1965) [Una bara per lo sceriffo] como pianista no saloon, e logo outros papeis surgiriam e acabaria conhecendo O diretor Sergio Leone que também lhe concedeu uma participação em dois de seus westerns clássicos.

Foram em “Três Homens em Conflito – Brasil -1966” [Il buono, il brutto, il cattivo] como Caça Recompensas e em “Era uma Vez no Oeste – Brasil 1968" [C'era una volta il West] como membro da Gangue de Frank no trem.


Para Leone, ele trabalhou em "O Bom, o Mau e o Feio", embora o primeiro filme de sua fase de Almeria foi “Frente a Frente com os Pistoleiros/Um Caixão para o Xerife – Brasil – 1965” [Una bara per lo sceriffo) como pianista. Nesse meio Saturno Cerra encontrou sua verdadeira expressão, que, segundo ele, seu sonho, o que ele mais gostava de fazer, era: "Pendurar as pistolas, colocar o meu chapéu e andar a cavalo."

Em 2011, aposentou-se pacificamente em Sebreño. Foi homenageado no Primeiro Festival International Film Festival Western realizado em Almeria em 2011 ao lado de outros grandes nomes de sua época como: Antonio Pica, Dan Van Husen, Nicoletta Machiavelli, Craig Hill, Candida Lopez Sambrell [Esposa de Aldo Sambrell], Frank Braña, Edoardo Fajardo, Fabio Testi entre outros.

Ao longo de sua carreira deixou 86 trabalhos para o cinema e a TV e 14 Espaghetti Westerns considerando os dois produzidos no Brasil. Em Ribadesella había se convertido em um praticante habitual del golf e foi no campo de la “Rasa de Berbes”, donde seus amigos lhe presentearam com um chapéu Stetson para atender aos seus 90 anos.

SATURNO CERRA FILMOGRAFIA ESPAGHETTI WESTERN

Bruma Seca (Brasil 1960)
O Cabeleira (Brasil 1963) [Cenografia]
Frente a Frente com os Pistoleiros/Um Caixão para o Xerife (1965) "Una bara per lo sceriffo" [Pianista]
7 Pistolas para os MacGregor (1966) “7 pistole per i MacGregor” [Johnny MacGregor]
Johnny Yuma (1966) “Johnny Yuma” [Olho de Facão/ Cyclope]
Três Homens em Conflito (1966) "Il buono, il brutto, il cattivo" [Caça Recompensas]
Django Volta para Matar (1966) "Mestizo"
Bounty Killer, O Pistoleiro Mercenário (1967) "El precio de un hombre"
Joe Dinamite (1967) “Joe l'implacabile”
Sete Mulheres para os MacGregor (1967) “7 donne per i MacGregor” [Johnny MacGregor]
Era uma Vez no Oeste (1968) "C'era una volta il West" [Membro da Gangue de Frank no trem]
Sua Lei Era Vingança (1969) "I vigliacchi non pregano" [Padre]
Quando um Bravo Empunhou o Colt (1970) “Manos torpes”
Vente a ligar al Oeste (1972)
Ringo... Volta para Matar (1972) "Hai sbagliato... dovevi uccidermi subito!"


Título: O Cabeleira [Especificações]
Link: https://www.youtube.com/watch?v=fxFoNIUKX6A
Gênero: Cangaço/Ação/Western
Lançamento: 1963
País: Brasil
Duração: 86 min.
Diretor: Milton Amaral
Roteiro: Ody Fraga
Elenco: Lamartine Cardoso, Enoque Batista, Nelson Camargo, José Carlos, Yuri Caster, Ruth de Souza, John Doo, Francisco Egídio, Madalena Ferreira, Marlene França, Diva Lobo, Nelcy Martins, Nelson Teixeira Mendes, José Moreira, Diva Padoim, Milton Ribeiro...
Raridade extrema. Matriz: Qualidade A/V: Amarelada, mas assistível e audível (levar em conta que esta é única cópia que circula entre colecionadores). https://www.youtube.com/watch?v=fxFoNIUKX6A
O Cabeleira filme de 1963 é uma adaptação do romance regionalista homônimo do século XIX, do autor cearense Franklin Távora, que conta a história de Zé Gomes (o Cabeleira) e seu pai Joaquim Gomes, ambos precursores do cangaço do nordeste brasileiro, e suas desventuras por Pernambuco. É considerado uma das maiores obras do autor, além de uma das obras pioneiras no romance regionalista nordestino.
As filmagens se deram na cidade de Mococa, em São Paulo, e Arceburgo, em Minas Gerais.
Mais informações "O Cabeleira" em: Cinemateca

Homenagem: Saturno Cerra
Filme Bruma Seca [Brasil 1960]
R.I.P.

18 novembro 2015

Morre Nicholetta Machiavelli (Seatlle - Washingotn - USA)

Estou muito triste mais uma vez, agora  pela perda de uma grande atriz e amiga pela qual tinha muita admiração também como pessoa porque passei a conhecer e conversar frequentemente com ela por e-mails, já que ela viajava muito e não tinha muita familiaridade com redes sociais.

O meu primeiro contato com a atriz foi em julho de 2011 e em meados de agosto de 2012 foi quando a procurei para lhe propor uma entrevista aos fãs em meu humilde blog no Brasil, ela não hesitou em conceder e ficou muito feliz em responder algumas perguntas sobre sua carreira e sua vida pessoal.

Expliquei que era um espaço dedicado aos protagonistas do Western Espaghetti e sem fins lucrativos. Era um tributo a todos os seus protagonistas que eu fazia voluntariamente por paixão.

Ela ficou ainda mais entusiasmada. Explicou-me que demoraria para responder as perguntas por causa das viagens mas que eu poderia
perguntar o que eu quisesse saber.

Ela respondeu a todas as perguntas durante as suas viagens que como guia turística internacional, eram inadiáveis e não podiam ser interrompidas e eu logicamente entendi sua situação. Era o seu trabalho.

A cada resposta que me chegava, as vezes uma ou duas a cada semana, ela dizia onde estava.
Foram algumas semanas de ansiedade esperando e recebendo as suas respostas às perguntas em que ela as respondia com riqueza de detalhes de tudo o que ela lembrava inclusive enviando fotos de seu arquivo pessoal para ilustrar a matéria. 
Detalhes de "filme a filme" (Western) que perguntei, Nicoletta respondia cuidadosamente dando atenção especial a cada um deles.

Deixou revelações curiosas e sinceras em seus relatos inclusive por ter se desligado totalmente do cinema, não gostava de dar mais entrevistas mas ela viu em minha sinceridade, amizade a confiança a alegria de contar algumas histórias e suas opiniões aos fãs.

Ela chegou a pleitear uma viagem ao Brasil se possível em um Carnaval, que ela já conhecia, ela achava muito bonita toda a festa dos brasileiros e eu prontamente me comprometi em recepcioná-la,
mas infelizmente não será mais possível.

Firmamos um laço de amizade virtual mas que se tornava presente nos diálogos.
A entrevista foi editada no blog em 27 de Dezembro de 2012, considerado um grande presente de Natal naquele ano aos seus fãs com repercussão mundial e com comentários e mensagens de atores, diretores e seus amigos que deixaram suas mensagens como pode ser comprovado no espaço [Comentários] da entrevista no blog.

“INACREDITÁVEL! Espero conhecê-los um dia, um por um, e obrigado Edelzio, por me contatar
e aproximar-me mais dos fãs brasileiros e da América do Sul !"
Pretendo um dia voltar a dançar um Samba por aí.”
                                                                                                   "Nicoletta Machiavelli"

Tenho certeza de que esta foi a sua última entrevista a um meio ligado ao cinema e que ela concedeu com espontaneidade e muito carinho.

A MORTE DE UMA DIVA

... Deixou seu corpo em 15 de novembro de 2015.

Ma Prem Anado (Nicoletta Machiavelli) nasceu em Stuffione, Ravarino, Emilia-Romagna, na
Itália em 01 de Agosto de 1944; seu pai era Florentino e sua mãe, americana de ascendência
escocesa-irlandesa. Ela era descendente de Niccolò Machiavelli, historiador do Renascimento italiano, político, diplomata e filósofo.
Ela se tornou atriz em uma idade bem jovem com e o tempo chegou a estrelar mais de 40 filmes.

Ela tornou-se um discípulo de Osho em 1978 pro isso seu novo nome "Ma Prem Anado" e aposentou-se do negócio do cinema.
Ela foi viver em Pune e Rajneeshpuram, juntamente com seu filho Nirjo (Wega).
Em 1985 ela se mudou para Seattle, WA, onde lecionou italiano para adultos e deu aulas particulares.
Ela também ofereceu itinerários personalizados para várias regiões da Itália trabalhando no turismo,
e deu aulas de culinária. Ultimamente se dedicava ao seu neto, Alessio.

Ontem, 15 de Novembro de 2015, às 12:06, aos 71 anos de idade, Anado (Nicoletta Machiavelli) parou de respirar, cercado pelo amor de sua família e da presença de seus amigos em Seattle, WA.

A doença começou em março, e o progresso foi rápido. Para os anos em que estivemos muito perto: ela vinha me visitar em Maremma, Itália, onde eu moro, duas vezes por ano e eu passei um tempo com ela em Seattle todos os anos quando viajava aos Estados Unidos para visitar o meu filho.

Minha querida amiga, irmã no coração, generosa, inteligente, bonita, cheia de amor e energia, contagiante jóia de vida.

Quando soube que os médicos deram-lhe pouco tempo para vida, eu tentei com pressa para estar com ela novamente, mas uma série de circunstâncias adiava minha viagem por semanas... era como se ela tivesse esperado que... Sábado de manhã, quando cheguei à casa de repouso, ela abriu os olhos e me reconheceu. Passei o dia e a noite com ela; na parte da manhã vieram amigos que estiveram mais próximos durante a doença, e então veio Prem Nirjo, seu filho. Sentei-me ao lado dela na meditação, quando sua respiração parou.

Foi num dia chuvoso e este deveria permanecer assim, mas, de repente, acreditem, o sol saiu...
“Anando Emanuela”

R.I.P Nicoletta Machiavelli                                                       TRIBUTO YOUTUBE




 FILMOGRAFIA ESPAGHETTI WESTERN NICOLETTA MACHIAVELLI

1966 Joe, o Pistoleiro Implacável  (Navajo Joe) Com Burt Reynolds e Aldo Sambrell
1967 Quando os Brutos se Defrontam  (Faccia a Faccia) Com Tomas Milian, gian Maria Volontè e William Berger
1966 Sangue nas Montanhas (Un fiume di dollari) Com Thomas Hunter e Henry Silva
1969 Uma Longa Fila de Cruzes (Una lunga fila di croci) Com William Berger e Anthony Steffen
1968 Caçada ao Pistoleiro (Un minuto per pregare, un instante per morire) Com Alex cord e Robert Ryan
1968 Rezo a Deus e Odeio Meu Próximo (Odia il prossimo tuo) Com Horst Frank, Spiros Focás e George Eastman
1968 A Pistoleira Virgem (Giarrettiera Colt) Com Claudio Camaso e Walter Barnes
2009 An Indian Named Joe (Documentário) Com Nori Corbucci e Ruggero Deodato
2008 A History of Dollars (Documentário) Direção de  Federico Caddeo 

17 agosto 2015

Rezo a Deus e Odeio o meu Próximo [Odia il Prossimo Tuo] Especial Brasil

Rezo a Deus e Odeio o meu Próximo - Brasil
Vingança Implacável - Brasil
A Lei Do Ódio E Da Vingança - Brasil
Gatilhos Da Vingança - Brasil
Odia il Prossimo Tuo - Itália
Hate The Neighbor - USA

Produção: Itália 26 de Julho de 1968
Direção: Ferdinando Baldi
Escrito: Luigi Angelo, Roberto Natale e Ferdinando Baldi
Música Intérprete: Raul Lovecchio
Duração: 86 Minutos
Produção: Enrico Cogliati Dezza
Música: “Two Friends” Composta e Dirigida Por Robby Poitevin
Interpretada: Raul Lovecchio ( Raoul)

Fotografia: Enzo Serafin      
Edição: Antonietta Zita
Direção de Arte: Giorgio Postiglione          
Dublês: Franco Fantasia
Co Produção: Cinecidi
Distribuição Original em VHS no Brasil: Reserva Especial

Spiros Focás (Clyde Garner) - Ken Dakota
George Eastman (Luigi Montefiori) - Gary Stevens
Nicoletta Machiavelli - Peggy Savalas
Horst Frank - Chris Malone
Ivy Holzer - Sra. Malone
Roberto Risso (Robert Rice) - Duke
Paolo Magalotti - José
Franco Fantasia - Xerife
Claudio Castellani - Criança/Pat Dakota
Giovanni Ivan Scratuglia - Armendáriz
Remo De Angelis - Bill Dakota
Franco Gulà - Doc
Osiride Pevarello - Membro da gang barbudo     


Ken Dakota (Garner), ao saber da notícia, chega à cidade de San Antonio para participar dos funerais e vingar a morte de seu irmão Bill Dakota e sua esposa a mando de um rico proprietário de terras “Chris Malone” e executados por Gary Stevens.
Enquanto ele parte para a missão, sua esposa fica tomando conta de seu sobrinho “Pat” (Castellani).

Junto com “Duke”, o agente funerário da cidade, Ken segue ao encalço do assassino de seu irmão dirigindo-se para o México, onde vive o sinistro “Gringo” Horst Frank mas o seu primeiro alvo é o xerife da cidade que negou ajuda a seu irmão antes de ser assassinado e logo depois ele sai em sua caçada contra o perigosíssimo Gary Stevens (Eastman) e seu bando, responsáveis pela metade das sepulturas do cemitério.

Porém outros interesses se escondem por trás deste cruel pistoleiro e Chris Malone (Horst Frank), seu rico e ganancioso sócio. Eles guardam um mapa de uma preciosa mina, que foi roubado de Bill Dakota e Chris fará de tudo para conseguir apoderar-se da parte deste mapa de Gary para si mesmo que tenha que torturá-lo até a morte com cobras cascavéis como último recurso.



A história em si tem um tema básico; “A vingança” que é baseda numa teia entre os vilões que mantém o clima interessante o suficiente para assegurar o ritmo da ação culminando em emocionantes lutas e tiroteios.

Há alguns elementos de humor, muito bem integrados no roteiro e um deles é o personagem fabricante de caixões, Duke, interpretado pelo ator “Roberto Risso” mas poderia ter sido mais explorado, mas aqui Baldi optou para que ele fizesse uma simples e agradável participação. Há também o aspecto romantico entre Ken e Peggy que é discutido algumas vezes, mas nunca evolui satisfatoriamente e a paixão caminha a distância aos problemas e intrigas locais bem ao estilo americano.



O aspecto mais original do filme são os combates entre seus oponentes com garras de ferro, promovidos por Malone obrigando os mexicanos resolverem seus assuntos locais para sua simples diversão mesmo que seja até a morte. Um César na arena do Coliseu. Uma violência barata que funciona bem aos nervos do telespectador.

A direção de Ferdinando Baldi é geralmente caracterizada por um trabalho de camera sólido na maioria das vezes com muito talento e isso é exatamente o que vemos aqui em algumas sequências criativas, incluindo uma sequência de título muito incomum para os créditos iniciais muito inovador feito em páginas de um jornal entitulado de “Silver City News”.

A guitarra forte na trilha sonora do compositor Robby Poitevin, (criador responsável pelo Espaghetti Western Musical, “Rita Nel Oeste” com Terene Hill e Gordon Mitchell (1967), fornece um apoio muito sólido para o filme, incluindo uma balada tema, popular nos primórdios do gênero na voz de Ettore Raoul Lovecchio.



Em algumas versões do filme como por exemplo na dublada em Inglês esta cansão é “Two Friends” cantada por Raoul, mas eu possuo uma versão VHS dublada para o português do Brasil com uma música instrumental completamente diferente da original.

Não sei confirmar se isso foi feito no Brasil ou faz parte de uma outra versão original europeia. Apesar de ter feito alguns filmes na Itália (incluindo o drama “Rocco e i suoi Fratelli” (1960) de Luchino Visconti, o ator grego Spiros Focas era um desconhecido fora de seu próprio país, mas assumindo o papel principal neste filme surpreende a todos com sua peformance e alavancou a sua carreira na Europa.

Retornando como os vilões de “Preparati la Bara” (Viva Django! – Brasil - 1968) também de Ferdiando Baldi. George Eastman retorna com força total procurando por Malone, o ator alemão Horst Frank novamente interpretando o vilão sofisticado. Juntos, dispostos a deixar que seus homens façam o trabalho sujo ao ostentar seu terno branco relusente.

Há alguns rostos conhecidos de destaque neste elenco, incluindo Nicoletta Machiavelli “Un Fiume di Dollari” (Sangue nas Montanhas - Brasil - 1966) e que em sua entrevista exclusiva concedida a este blog, expressou a sua opinião sobre este filme.


Aqui ela é Peggy, o interesse amoroso de Bill. Paolo Magalotti “Sette Pistole per i MacGregor” (1966) em um papel de maior destaque do que o normal como o capanga braço direito de seu chefe, Malone.

A partir de um roteiro detalhado para uma direção sólida, seria fácil confundir com um tradicional Western americano, mas os rostos familiares do Euro Western o distinguem disso.

Filmado exclusivamente na Itália, o resultado final é recomendável para os fãs de ambos os gêneros italianos e americanos que preferem enredo e personagens sobre muita ação e tiroteios.

Uma dupla de atores como Hort Frank e Georgte Eastman juntos neste filme garantem o seu sucesso e bons 86 minutos de diversão. Um jogo de interesses, tiroteios lutas a socos, perseguições a cavalo e muito cheiro de pólvora. Muito apreciável.
Exibido na TV Record em Bang Bang à Italiana em 28 de Setembro de 1983, 29 de Maio de 1985 e 22 de Junho de 1988 com o título de “Vingança Implacável” e nos cinemas brasileiros como: “Rezo a Deus e Odeio o Meu Próximo”.



Versão áudio Italiano
Legenda: Espanhol
https://www.youtube.com/watch?v=55D24QfP4c0 


09 outubro 2014

Homenagem - Divas do Western Espaghetti 2014


No dia 15 de Julho de 2014 no Roma Teatre Delle Vittorie, aconteceu um encontro histórico para os fãs do cinema europeu e em especial ao Espaghetti Western onde a produção do Stracult produzido pela TV Italiana Rai TV2, nos brindou com um encontro “Surreal” de quatro das mais prolíferas atrizes de décadas anteriores e que hoje ainda deslumbram a sua beleza e todo o seu carinho e atenção ao seus fãs que as idolatram incondicionalmente por suas carreiras artísticas.


Com a participação e apresentação de Marco Giusti, foram entrevistadas as atrizes Chelo Alonso, Nicoletta Machiavelli, Simone Blondell, Malisa Longo e também os atores Lucio Rosato e Nicola Di Gioia.

Um programa realizado num clima de descontração entre todos em que os artistas sentiram-se bem a vontade em contar e narrar parte de suas vidas que foi dedicada ao cinema lembrando alguns momentos especiais de toda a sua trajetória a uma grande plateia de jovens entusiastas do cinema mundial.


Foram dezenas de filmes interpretados em suas carreiras dos mais variados gêneros dentre eles o Peplum, Gialo, Horror e muitos outros e aqui destaco em especial o Espaghetti Western.

Dentre todas, a grande surpresa foi mesmo a presença de Chelo Alonso [Isabella Garcia], a atriz cubana nascida em 10 de Abril de 1933 em Central Lugareño, Camagüey-Cuba, que à muito tempo encontrava-se afastada da mídia.


Graças às redes sociais, hoje todos eles podem ser encontrados e contactados pelos fãs compartilhando o seu dia-a-dia, com respeito mútuo entre todos. Uma verdadeira família atores-fãs que cresce a cada minuto na Internet.


Parabenizo aos realizadores do evento pela iniciativa de homenagear estes artistas que inspiraram gerações de novos atores e atrizes pelo mundo todo e merecidamente têm o seu espaço registrado na história do cinema mundial.




Detalhes importantes como a filmografia e curiosidades que foram reveladas a este blog, podem ser encontradas e deliciadas nas entrevistas pessoais exclusivas prestadas recentemente a mim e estão disponíveis no índice deste espaço.



19 março 2013

Nicoletta Machiavelli - Agradecimentos aos Fãs - Exclusivo


Nicoletta Machavelli, uma das mais respeitadas atrizes do Espaghetti Western agradece pessoalmente através de E-mail a todos os fãs, leitores e seus amigos atores que também deixaram suas mensagens na seção de comentários deste blog na postagem de sua primeira entrevista exclusiva prestada aos fãs do Brasil em Janeiro 2013.
Nos brinda também com uma de suas mais recentes fotos tirada em uma de suas viagens em um local
conhecido como "Talamone no Mar" que fica ao Sul Toscano na Itália onde esteve a trabalho e em visita a sua família retornando em seguida à Seattle onde mora atualmente.
[Ciao Edelzio and family, and ALL of Brasil I am fine!]

27 dezembro 2012

Nicoletta Machiavelli - Entrevista Exclusiva Brasil 2013

Nicoletta Rangoni Machiavelli - Uma Diva; uma das mais belas, popular e talentosa atriz de seu tempo entre o final da década de 60 e início dos anos 70, nos brinda com uma maravilhosa entrevista em que a princípio começou a ser agendada em Agosto de 2011 e que agora com muito orgulho ela gentilmente nos concedeu e hoje se concretiza.
Alem de contar um pouco sobre sua carreira artística, dará mais ênfase em seus filmes no gênero Espaghetti Western, um contexto em que a entrevista foi elaborada. 
Com personagens marcantes durante sua trajetória no cinema europeu como uma mulher de muitas personalidades sendo a de mais sexy e ingenua à mais intrépida e audaciosa; Deixou-nos uma filmografia digna de bons trabalhos em seus mais variados gêneros em que participou e estrelou, como: Ação, Romance, Ficção, Aventura, Horror, Suspense, Crime-Policial, e muitos outros, inclusive séries de TV.

Por falta de conhecimento nestes outros gêneros e muitos deles ainda inéditos por aqui e este humilde espaço ser dedicado exclusivamente aos fãs do Western Espaghetti, as minhas perguntas serão mais direcionadas a este seguimento não desmerecendo em nenhum  momento os outros trabalhos, todos importantes e apreciados pelos fãs.
Solicitei à Nicoletta que escrevesse o quanto desejasse,  pois percebi que alem de ex-atriz é também uma grande e talentosa escritora que se expressa muito bem.
Achei que se fizesse uma dissertação abrangente, de alguma forma chegaria ao interesse dos milhares de fãs que visitam este humilde espaço.
É uma surpresa para estes fãs,  saber um pouco mais de sua vida através de suas palavras, ela que é indiscutivelmente um dos ícones femininos mais expressivos do Espaghetti Western. Palavras que ficarão registradas em mais uma página na história do cinema para todos nós.
É tão grande a satisfação de que esteja  fazendo isso para  mim que ficou difícil saber o que perguntar  e como perguntar, pois são tantas curiosidades que os “Papparazzis” gostariam de saber e você me proporcionou esta oportunidade única em divulgar em primeira-mão no Brasil.
Consegui resumir para aproximadamente quarenta perguntas de um total de cem que havia elaborado e sei que foi um pouco cansativo em responder a todas. Conhecendo-a o quão inteligente e atenciosa és,  vi que conseguiu responder a todas as questões e até certo ponto, com riqueza de detalhes em algumas delas, e que devido ao tempo, sei que seria difícil de Recordá-los.
Hoje é um dia de festa para os fãs porque ficarão conhecendo um pouco mais sobre você, inclusive suas alegrias, tristezas, enfim, muitas novidades ainda não reveladas até o momento, depois de muitos anos afastada.
Conhecendo-a a algum tempo sei que é uma mulher alegre, simpática, descontraída, inteligente e super competente e tem muito amor ao seu trabalho e a sua vida atualmente, e sei também que é avó a pouco tempo e tem agora o maior tesouro de sua vida com você, o Alesio.

Mas para sabermos os detalhes, vamos as minhas questões:

1 - O que faz atualmente?

Nicoletta: Olá Brasil. Agora vivo em Seattle, estou nos EUA desde 1981 e trabalho como intérprete e professora de língua italiana em faculdades comunitárias e com alunos particulares.
Ocasionalmente trabalho como guia em passeios, inclusive em meu país de origem, a Itália.
Organizo e dirijo pequenos passeios específicos para regiões italianas, mais acentuado na arte e na culinária local.
Sou também, ocasionalmente, um guia de turismo para os italianos e franceses que vêm para Seattle, onde eu moro. Não há muitos turistas internacionais vindo para Seattle, mas eu gosto de ser a anfitriã para minha cidade, sempre que posso.
Nos anos 80 e 90, eu era um guia de turismo em ônibus de turismo para os italianos e franceses no Oeste dos Estados Unidos e Canadá. Foi um grande trabalho, mas sazonal, e um dia o dólar dos EUA subiu e os europeus deixaram de vir!

2 - Sendo considerada uma das mais belas e sensuais atrizes dentro do Espaghetti Western vamos abordar um pouco o filme “Un fiume di dollari – 1966”, (The Hills Run Red – USA),

Nota-se neste filme um pouco mais de vegetação (mais verde) em virtude das locações em Colmenar Viejo na Espanha, onde também fora filmado grande parte da trilogia dos dólares de Leone. The Hills Run Red, originalmente intitulado [Um Rio de Dólares / Sangue nas Montanhas – Brasil] é notável por ser o primeiro western europeu de um produtor, premiado com o Oscar, Dino De Laurentiis.
Filmado na Itália e Espanha, o filme é verdadeiro para o formato do gênero, com um tema de vingança, com muito sangue e violência, e o destaque melodioso de Ennio Morricone que aqui aparece novamente sob pseudônimo anglicizado-Morricone que foi creditado como Leo Nichols (como em Navajo Joe, outra produção de De Laurentiis ), enquanto o diretor Carlo Lizzani passou  por Lee W. Beaver, que já cansado, estava tentando mudar um pouco os clichês do gênero e após o lançamento do filme, a resposta da crítica foi positiva. O filme compensava a falta de originalidade com um rítmo implacável, o desempenho de amplo cenário; Henry Silva como Mendez, tudo bem editado dentro do curso da música de Morricone.
Dentro deste contexto em um filme tão bem elogiado pela crítica: Como foi trabalhar com Thomas Hunter, Henry Silva e o diretor Carlo Lizzani (Crítico de Cinema Revista Bianco e Nero – “hoje com 90 anos” )?
Sua personagem Mary Ann é notável. É impossível assistir ao filme e esquecer sua imagem.
O que você poderia revelar sobre este filme e sua atuação?


Nicoletta: Eu já tinha trabalhado com Carlo Lizzani em 1965 em um de meus primeiros filmes “Pesadêlo de Ilusões - Brasil” (Thrilling – USA), com o ator Alberto Sordi. Grande profissional, como Henry Silva e Thomas Hunter, portanto não houve problemas.
Eu não me lembro muito, desculpe, mas lembro que era um ator de muita bondade mas que fez um personagem muito aterrorizante e piscopático: Henry Silva sempre foi um verdadeiro cavalheiro, e uma pessoa bem humorada, muito generoso com alguém como eu que estava apenas começando no cinema e eu era muito inexperiente sobre a profissão. Acho que Lizzani conseguiu o resultado que desejava neste filme e todos ajudaram.



3 - Você também trabalhou com os atores Anthony Steffen, (Django) William Berger (Sartana) e Mario Brega em "Una lunga fila di Croci - 1969" (No Room to Die - USA), [Uma Longa fila de Cruzes – Brasil], dirigido por Sergio Garrone. Uma bela fotografia de Franco Villa com um pouco estilo de Sergio Leone.

Você interpretou a mestiça “Maya”. Como foi fazer Maya? Lembra-se desse elenco? Como foi trabalhar nesse filme que também é tão cultuado mundialmente pelos fãs? 

Nicoletta: Nunca tinha ouvido falar desse filme por esse nome, acho que conheci com um título diferente mas infelizmente não me lembro de detalhes sobre ele.



4 - Você teve contato mais intimo com estes atores fora das cenas?
Destacando-se que em 1967 você fez dois Westerns e em 1968, foram três.
São cinco filmes Westerns em dois anos. Como foi isso?

Nicoletta: Uma das coisas surpreendente é que ao fazer um western, é que todo mundo se torna parte de uma família, talvez porque você esteja trabalhando todos os dias juntos. Talvez seja porque tudo é ao ar livre, com o cheiro de cavalos e as belas paisagens. Ou talvez seja porque as comodidades usuais de estúdios de cinema são inexistentes como: Não se pode comprar café na esquina, não há possibilidades de condução para a farmácia ou para a mercearia, assim, tínhamos muito tempo livre para um bate papo e fazer amigos.
Alguns atores mantinham-se mais reservados, e para si mesmos, mas realmente não importa, eu fiz amizade com os eletricistas, os tratadores de cavalos e eles eram meus amigos.
Eu ficava assustada e fascinada de estar em um cavalo, os maquiadores e cabeleireiros eram pessoas boas e foram meus conselheiros úteis: Eles me despertavam no início da manhã, eles sugeriam-me alguns movimentos, eles cuidaram de mim quando eu estava triste e riam de mim quando eu estava feliz. Os desenhistas de trajes também foram bons amigos, porque com eles eu amava fazer o meu trabalho, e podíaamos falar sobre moda a vontade e  discutir até o gosto pelas cores das roupas.
A pessoa que fez o meu figurino para “Giarrettiera Colt” ou “Giarrettiera Cold” como conheço e foi ele que me descobriu em Florença quando eu estava no colégio e me trouxera para De Laurentiis. Ele acreditava em mim, e se tornou um amigo. Ele fez as Roupas para Giarrettiera gratuitamente. Foi um filme de baixo orçamento. Eu nunca vou esquecer ele, seu nome era Piero Gherardi.
Ele era gay, e tão antigo quanto minha mãe, mas era um verdadeiro artista.
Ele ganhou Oscars nas categorias Set e Costumes (Traje-Roupa-Fantasia) em “8 ½” (1963) de Federico Fellini  e em “La Dolce Vita” (1960) também de Fellini, então ele me apresentou a Fellini e a Marcello Mastroianni assim que chegou a Roma e ai aconteceu tudo.

5 - No filme “Odia il Prossimo Tuo - 1968” (Hate the Neighbor – USA), ["Vingança Implacável" ou "A Lei do Ódio e da Vingança" -  Brasil],  você interpreta “Peggy Salavas”sob direção de  Ferdinando Baldi, com os atores:  Clyde Garner,  George Eastman, Horst Frank, Ettore Manni, Ken Wood, Franco Fantasia, Paolo Magalotti e Claudio Castellani. Poderia comentar algo sobre sua participação neste filme e sobre este elenco e direção. 

 
Nicoletta: Então, não posso dizer muito sobre estes atores pois muitas vezes as cenas de um filme eram feitas em dias diferentes com diferentes atores e o contato era por muito pouco tempo e eu também era muito tímida. Esses atores sabiam o que estavam fazendo, eu era muito nova.
6 - "La Giarrettiera Colt" – 1968" (Garter Colt – USA), [A Pistoleira Virgem – Brasil].
Este talvez tenha sido o filme que realmente continua conquistando os corações de todos os cowboys do mundo. A sensualidade e doçura de uma jovem e destemida pistoleira e jogadora de poker respeitada por todos em meio a revolução mexicana na luta contra os franceses ainda surpreende.
Neste filme você trabalhou com Claudio Camaso e Walter Barnes.
De acordo com pesquisas em outras fontes, sabe-se que você não gostava da personagem. É verdade?
Este filme é marcado por várias outras curiosidades como:
O penúltimo filme de Claudio Camaso, irmão de Gian Maria Volontè que fora preso por tentativa de homicídio contra sua mulher e veio a suicidar-se em 1977 em sua cela, e sabe-se também que “Lulu” (Giarrettiera Colt) foi o personagem que inspirou Quentin Tarantino a fazer o clássico “Kill Bill”.

Nicoletta: Ooooooh! Isso é incrível!

 
Parece que o diretor Gian Andrea Rocco foi feliz em dirigir um único espaghetti western filmado exclusivamente na Itália e teve a felicidade de tê-la como protagonista do que hoje é: Um cultuado fenômeno mundial.
O que o diretor realmente pretendeu com esse filme?
Como foi pra você mostrar toda a sensualidade com aquelas insinuações nos jogos de cartas.
Poderia relatar tudo o que lembra deste filme? 

 
Nicoletta: Não é verdade. Meu irmão produziu este filme e eu adorei fazer a personagem sim. 
Sei também que este filme nunca fora exibido em um Circuito Italiano e estou feliz em saber de você que gostam do filme no Brasil e América Latina.
Eu recebi uma cópia deste filme o ano passado. Eu não tenho cópias de meus filmes, e eu nunca mantive minhas fotografias.
Quando decidi sair da Industria Cinematográfica, deixei tudo e dei a volta ao mundo com o meu filho pequeno.

7 - Em “Un minuto per Pregare, un Instante per Morire – 1968”, (A Minute to Pray, A Second  To Die – USA), [Caçada ao Pistoleiro – Brasil], também um cultuado western por colecionadores e fãs de todo o mundo, você interpreta “Laurinda” (filha de um ex-comparsa do protagonista, Alex Cord “Clay McCoy”) em uma Co-Produção Ítalo-americana dirigida por Franco Giraldi e um grande elenco de americanos e europeus juntos;  Alex Cord, Robert Ryan, Arthur Kennedy, Enzo Fiermonte, Franco Lantieri, Mario Brega, Antonio Molino Rojo, Aldo Sambrell e Alberto Dell´ Acqua. Como foi pra você trabalhar neste filme com idiomas diferentes? Era muito confuso? A música de Carlos Rustichelli e Bruno Nicolai é outro marco neste filme. Poderia comentar sobre isso? A cena da barbearia é surreal e é classificada com uma das mais tensas do cinema no gênero.


 


Nicoletta: Eu Sou bilíngue desde que eu aprendi a falar porque a minha mãe era americana e meu pai italiano; Em casa se falava o inglês e fora da escola e no mundo foi o italiano.
Mais tarde eu aprendi francês, aos 14 anos, porque eu amava o som dele, assim, não tive problema com línguas.
Eu nunca vi os meus filmes, após terem sido feitos, nem quando eles foram lançados.
Na Itália, foram mostrados na TV, creio eu, e eu não tinha uma TV até que cheguei nos EUA, aos 37 anos!
Fiquei contente em saber mais detalhes curiosos deste filme, pois lembrava pouca coisa dele.

8 - Faccia a Faccia – 1967,  (Face to Face – USA), [Quando os Brutos se Defrontam - Brasil]. Flmado na Itália e Almería/Espanha, sem dúvida nenhuma, um clássico da trilogia de Sergio Sollima que tinha como pano de fundo, temas políticos revolucionários.
Neste filme você também deve ter visto a um desfile de grandes atores. Um time fantástico e inclusive com outras belas mulheres como Jolanda Modio, Linda Veras e Lidya Alfonsi.
Atores de peso no Espaghetti Western como Tomas Millian, Gian Maria Volontè, William Berger, Gianni Rizzo, Angel Del Pozzo, Aldo Sambrell, Nello Pazzafini, José Torres, Antonio Casas, Frank Braña e tantos outros italianos e espanhóis.
Música fantástica de Ennio Morricone e seu parceiro Bruno Nicolai.
Um filme mundialmente conhecido por quem gosta de cinema.
Gostaria que fizesse uma explanação geral sobre a produção desse filme e como curiosidade; Como era a hospedagem de toda essa legião de profissionais nos hotéis e pousadas locais.

Nicoletta: Este é um filme que lembro pouco também. Como eu disse antes, nossas cenas eram frequentemente separadas, os atores vinham para o local, gravavam suas cenas e depois partiam e ficava difícil o contato com todos eles, era tudo muito rápido.
Muitas vezes eu estava fazendo dois filmes de uma vez. Os hotéis em “Almeria” foram ótimos!
Voltei lá para o 2011 FILM FESTIVAL WESTERN ALMERIA e agora eles são ainda melhores!
ALMERIA é uma cidade incrivelmente bela em uma maravilhosa área e um dia eu gostaria de viver lá...


 
9 - "Un  Dollaro a Testa – 1966", [ Joe, Pistoleiro Implacável/Navajo Joe – Brasil], (Navajo´s Land – USA),
Quando se fala neste filme,  lembra-se imediatamente dos nomes de Burt Reynolds e Nicoletta Machiavelli e sua personagem “Estella”; Bela, sensual, personalidade forte de mestiça e guerreira.
Aqui temos um elenco riquíssimo mais uma vez com muitas mulheres bonitas como Tanya Lopert, Franca Polesello, Lucia Modgno, Valéria Sabel e Maria Cristina Sani e falando neste assunto, entre estas mulheres com quem trabalhou no cinema você teve alguma desavença por ciúme de outras atrizes em virtude de sua beleza? Poderia revelar esta curiosidade?
Como foi trabalhar com Burt Reynolds e o diretor Sergio Corbucci neste filme? Eram exigentes?
Poderia falar tudo o que lembra sobre esse filme tendo em vista que é um dos mais cultuados até hoje.
Seria um prazer e de grande valor termos mais informações deste filme, curiosidades, histórias etc, tendo em vista esta grande oportunidade de ter uma protagonista autentica deste Cult consagrado mundialmente.

 

Nicoletta: Não, eu não acredito ter havido ciúme entre eu e outras atrizes e vivíamos sim, principalmente um clima de camaradagem e ajuda mútua entre nós;  Lembre-se Edelzio; Um Western é um mundo machista e nós meninas estavamos felizes de estarmos juntas e fazer parte deste mundo de maneira alegre e divertida, enquanto os “Caras” estavam cavalgando, discutindo, brigando, duelando, atirando com suas pistolas e muitas vezes por nossa causa.
Todos eram exigentes durante um filme, mas não de uma forma desagradável. Foi o primeiro filme de Burt Reynolds como protagonista, ele era quieto e muito profissional, manteve distante, talvez porque ele estivesse cercado por  empolgados agentes italianos.
Corbucci foi um diretor ótimo, mas foi humilde sobre sua arte. Eu não pude me expressar muito naquele tempo, mas eu sentia a sensação de que ele queria fazer também outros tipos de filmes.




10 - Aldo Sambrell (Duncan – Navajo Joe) nunca foi tão odiado nas telas desde de o momento em que é visto tirando o escalpo de uma índia Cherokee, apesar do filme ter sido batizado como Navajo.
Poderia falar deste grande homem e ator homenageado no Almeria Western Film Festival 2011.

Nicoletta: Sim, Aldo era uma  pessoa especial e muito útil nas cenas que fizemos juntos, “apesar de me arrastar pelos cabelos pra fora do saloon em uma das cenas”. Eu não o via além das filmagens. Ele era uma pessoa muito tímida também, e para mim era um grande ator. Ele pareceu tão feroz neste filme, mas era somente boa atuação.

11 - Sabe-se que você trabalhou em alguns Romances "Noir"  e tiveram sucesso.
Entre os vários seguimentos e gêneros cinematográficos que atuou, não existe nenhum em sua carreira clássificado como "Erótico". Você trabalhou em algum? Houveram propostas na época?

Nicoletta: Não lembro quantos foram, mas não tive problema em fazê-los.

12 - Como foi a experiência em trabalhar em 1971 na França, no filme de terror "L´homme au cerveau greffé" no papel de “Helena” com o Director Jacques Doniol-Valcroze e os atores Matheau Carriere e Jean-Pierre Aumont que se tornou um grande Cult filmado na França, Itália e Alemanha?

Nicoletta: Eu nunca vi esse filme e não me lembro muito bem da minha atuação e também não sei lhe responder quanto aos atores. Talvez eu só tivesse uma pequena cena, não sei.
Nesta época eu estava na França atuando em vários filmes com Tony  Arzenta e Alain Delon.
Eu era apenas um rosto bonito e uma atriz que sabia a língua francesa.

13-Dentre todos os seus trabalhos em sua carreira, qual o que mais lhe agradou e qual o que lhe decepcionou?

Nicoletta: Sinceramente, a única coisa que foi mais desagradável para mim foram a "Relações Públicas" .
Como atriz designadna  para conseguir um papel, tinha que ir a festas, coquetéis, enfim, era olhada de cima para baixo como um objeto. Isso era o que mais me decepcionava.



Os filmes que eu amei fazer parte, mas que nunca teve um grande sucesso foram:  "LA Cattura" [Do Ódio ao Amor - Brasil], (The Ravine - USA) um drama  de Paolo Cavara em 1969 com David McCallum (da séerie de TV  “O Agente da U.N.C.L.E” e John Crawford filmado na Itália/Yugoslavia/USA; É uma história ambientada durante a Segunda Guerra Mundial. Holman (David McCallum), é um soldado alemão e Anja (Nicoletta Machiavelli), uma "Partisan" (membro do movimento de resistência à dominação alemã). Holman rapta Anja em um desfiladeiro nevado, e, independente da ideologia de ambos, acabam por se conhecer mutuamente, onde um romance será inevitável.
“Mordi e Fuggi”, de Dino Risi em 1973, uma comédia romantica rodada na Itália e França com Marcello Mastroianni e Oliver Reed; "Scarabea" Hans-Jürgen Syberberg  (Johann Von Syberberg) rodado na Alemanha Ocidental em 1969 atuando ao lado de atores alemães como Walter Buschhoff e Franz Von Treuberg , “Giarrettiera Colt" (A Pistoleira Virgem – Brasil),  um sensual western espaghetti rodado na Itália em 1968 sob direção de Gian Rocco ao lado Claudio Camaso, Walter Barnes e Jaspe Zola. “Le Castagne Sono Buone" de 1970 foi uma comédia também filmada na  Itália com direção de Pietro Germi com o cantor e ator Gianni Morandi e Stefania Casini.

14 - E quais são os melhores que ficaram em sua memória?

Nicoletta: Os "Spaghetti Westerns", porque os locais e as pessoas eram aventureiros.
Scarabea, por causa da liberdade de expressão que me foi permitida pelo diretor alemão e pelo fato de que era um novo tipo de cinema, com uma pequena equipe, era desenvolvido como um documentário; .
“Mordi e Fuggi” porque os atores Marcello Mastroianni  e Oliver Reed eram grandes atores, e da liberdade que o diretor Dino Risi me deu para me expressar;


 

“Una questione D'onore” [Traído Por Uma Questão de Honra], (Itália/França – 1966), que foi o meu primeiro filme como papel de liderança junto com um grande ator, Ugo Tognazzi e dirigido por Luigi Zampa e muitos outros mais que eu não consigo lembrar...



17 - Você gostava de trabalhar nos Espaghetti Westerns ou você preferia fazer filmes de outros gêneros?

Nicoletta: Estávamos nos  60, as mulheres estavam acordando!
O Papel de uma mulher em Espaghetti Western durava poucos minutos. Geralmente você tem que esperar um longo tempo para ouvir uma mulher em um diálogo nestes filmes.
Essa era a impressão que eu tinha. Eu tinha um contrato de 7 anos com a De Laurentiis, e tive que fazer os filmes que a empresa decidia. Tive que romper o contrato depois de 4 anos (1968),  porque eu me senti explorada. Ele ganhou um monte de dinheiro alugando-me para filmes pagando somente o meu salário mensal que não condizía com o trabalho e depois disso fiz outros tipos de filmes e decidi então que o "mundo do cinema" não era para mim.
Portanto, a resposta é sim, eu preferia fazer outros filmes em que eu estivesse mais envolvida.
Depois de ter dito isso, não é engraçado que o "Período do Espaghetti Western” na minha vida é realmente o único seguimento cinematográfico que voltou para mim depois de todos estes anos, retribuindo-me em homenagens agora mais velha e sábia? E retornando a Espanha e participando do “Almeria Western Film Festival”, em 2011, percebi que não importa em qual parte eu estivesse sendo filmada, nessas cidades do Oeste, na poeira, o calor, o desconforto de tudo, foi uma experiência extraordinária na minha vida.

18 - Como se sentia atuando nos Espahetti Westerns, filmes em que na maioria das vezes você era barbarizada e sofria muito nas mãos daqueles bandidos violentos em meio a tanta luta, brigas e confusões?
Como era estar naqueles estúdios empoeirados e desérticos na Itália e Espanha/Alemanha?

Nicoletta: Era tão falso, você não pode mesmo imaginar. Ninguém tocava o outro nessas cenas.
Me sentia alegre, aventureira, às vezes chato, porque esperávamos muito tempo entre as cenas.
E eu,  SHHHHH, eu odiava maquiagem e cabelo! Até hoje eu raramente vou ao cabeleireiro e muito raramente uso de maquiar meu rosto; Só os olhos.

19 - Você pensa em deixar uma biografia ou algo deste tipo para os fãs?

Nicoletta: Por que não?




[Esses nossos Maridos (I Nostri Mariti) 1966 com Alberto Sordi, Nicoletta Machiavelli e Elena Nicolai com direção de Luigi Filippo D'amico. Polêmica comédia de costumes.]

20 - Como você vê o panorama do cinema hoje?

Nicoletta: Eu não sou uma especialista, isso é certo, e eu raramente vou ver um filme. Prefiro filmes documentários que lidam com a realidade, com pessoas de verdade.

21 - Os fãs poderiam esperar um retorno seu ao cinema algum dia?

Nicoletta: Quem sabe? Talvez se fosse presenteado a mim, com essa idade, eu não acredito que receba uma porposta; A vida é grande e inesperada, O importante é vivê-la plenamente.




22 - Sente falta dos artistas com quem contracenou?

Nicoletta: Onde eles estão? Eu não vejo-os na minha vida cotidiana assim facilmente.

23 – Por onde você esteve durante todos esses anos em que não havia a força da internet?

Nicoletta: Eu sei, a Internet é incrível. Eu mudei minha vida completamente pelo menos 4 vezes, eu “fechei portas  e queimei pontes”, eu viajei muito e até parei algum tempo na Índia para meditar por 3 anos, quando meu filho tinha 5 anos.
Quando cheguei nso ​​EUA eu tinha 36 anos e meu filho nunca tinha ido à escola. Então eu decidi que este
seria o lugar para parar por um tempo. Eu fiz todos os tipos de trabalhos, desde a limpeza de casas, restaurantes, e depois começei a ensinar língua italiana e Guia Turístico.

24  - Você sabia que sua biografia e filmografia está imortalizada em um dos maiores dicionários de cinema do mundo chamado “FILMLEXICON DEGLI AUTORI E DELLE OPERE” (de 1955 a 1975) e existe um exemplar no Brasil que pertenceu a um dos maiores pesquisadores brasileiros no assunto “Ivan Casasanta Dantas (1925-1995)?
Ivan foi um amigo pessoal do pesquisador  Marcos Mauricio Lima o qual tem esse exemplar em sua coleção particular, uma obra italiana raríssima a qual o Marcos orgulhosamente possui como a um tesouro.

Nicoletta: Fantástico, não, eu não tinha idéia.

25 - Em 2008, você produziu dois vídeos documentários sobre western em parceria com o diretor Federico Caddeo sendo “A History of Dollars” com pequena duração de 11 minutos e em 2009 “An Indian Named Joe” com duração de 30 minutos com participações de Nori Corbucci e Ruggero Deodato.
Como foi essa experiência para você?

 

Nicoletta: Eu não acho que tenha sido eu. Talvez eu tenha dado uma entrevista sobre o Vídeo de “Navajo Joe” quando eu estava viajando na Itália em visita a minha família.
Eu certamente não os produzi, nem me foi pago para fazer eles e a última vez que vi Nori Corbucci foi  no set de Navajo Joe.

26 - Existem informações no MDB.NET que recentemente, no início de 2012, você participou de um filme documentário “Eurocrime! The Italian Cop and Gangster Films That Ruled the '70s” com 1:37 minutos de duração com direção de Mike Malloy.
Uma co-produção USA/ITALIA/FRANÇA com locações em Beverly Hills, California, e USA.
Neste trabalho você representa as mulheres em uma grande galeria de atores participantes neste documentário com depoimentos fantásticos dos protagonistas neste seguimento que atuaram na Europa nesta época em sua trajetória cinematográfica e convidados como; Salvatore Borghese, Mario Caiano, Enzo G. Castellari, Jose Dallesandro, Ottaviano Dell´Acqua, John P. Dulaney, Michael Forest, Claudio Fragasso, Richad Harrison, Leonard Mann, Luc Merenda, Chris Mitchum, Franco Nero, Ted Rusoff, Antonio Sabato, John Saxon, Henry Silva, John Steiner, Aarron Stielstra, Fred Williamson e outros.
É com grande surpresa no Brasil, a notícia de Antonio Sabáto Bem Novack - O dia da Lei (Miguel) - Ódio por Ódio), John Steiner (Dr. Henry Price – Tepepa/Valler - Mannaja), Leonard Mann (Sebastian Carrasco – O Pistoleiro Esquecido/Ciakmull – Ciakmull, o Homem da Vingança) estarem vivos, que contraria muitas especulações sobre suas mortes aqui.
Como você vê a importância dessa iniciativa neste trabalho?

Nicoletta: No início de 2012 eu estava lecionando italiano em Seattle como eu costumo fazer!


27-Está casada atualmente?

Nicoletta: Não, eu não sou casada.

28 - Quantos filhos tem?

Nicoletta: Eu tenho um filho maravilhoso, Nirjo, e um neto de 2 anos, Alesio e sua mãe é Alicia.

29 - Já esteve no Brasil?

Nicoletta: País encantador!
Eu estive no Brasil em 1966 para um filme "Se Tutte le Donne del Mondo" [Operação Paraíso – Brasil].
Um filme de ação dirigido por Henry Levin e Arduino Maiuri com Mike Connors, Dorothy Provine e Raf Vallone e eu tinha uma parte muito pequena, um ou dois dias, mas fiquei muito mais tempo porque a equipe estava filmando algumas cenas em Brasília (ela ainda estava sendo construída) e houve enchentes devido as chuvas.
Então a produção foi temporariamente interrompida. Ficamos hospedados no Rio de Janeiro e tive a oportunidade de ouvir todos aqueles músicos fabulosos, ao vivo! João Gilberto, Elis Regina. Eu dançava samba e bossa-nova e eu podia ser eu mesma e me diverti muito. Eu também visitei as favelas situadas atrás da praia de Copacabana e fiquei chocada, comovida, e curiosa como aquilo poderia existir.

30 - O que pensa do Brasil?

Nicoletta: Eu acredito que Brasil mudou muito desde então para o exterior, mas o espírito do povo; Que sensação maravilhosa: De música e vida, bondade essencial, de generosidade e coragem na frente de adversidades e eu acho que ainda é assim. É muito atraente para  mim. O verdadeiro sal da terra.  
Eu vou estar ai um dia!!

31 - Poderia dizer corretamente onde nasceu, pois existem dúvidas se foi em Firenze (Florença) ou em    Stuffione, Ravarino, Emilia-Romagna – Itália em 01 de Agosto de 1944.

Nicoletta: Nasci em Ravarino Modena, em 8 de setembro 1944. (Portanto a data no IMDB.NET está incorreta).
Isso foi no fim da guerra, minha mãe era uma americana e teve que se esconder dos Fascistas e naquele tempo ainda pertencíamos ao campo. Eu cresci e fui para a escola em Florença.


32 - Como é sua vida hoje e como se sente fazendo o que faz?

Nicoletta: Agitada. Ensino e guia de turismo são quase a mesma coisa, os dois trabalhos são de estar  frente ao público e é divertido.
Az vezes o cenário muda, é claro, mas eu estou fazendo o que sempre fiz, basicamente. Eu amo muito o meu país, mas eu consigo ir lá de vez em quando, e isso é bom. Eu sinto falta das maneiras simples de pessoas com quem me sinto à vontade, e dos alimentos da minha infância.
É ótimo ser um estranho em uma terra estranha, porque você pode reinventar-se, às vezes é um pouco chato, mas alguns dias eu me sinto enraizada.

33 - Você participou do Almería Festival Film Western 2011  como convidada de honra. O que achou?

Nicoletta: Fabuloso! Foi incrível rever muitos rostos conhecidos, e também para conhecer os jovens produtores de Westers.  Os organizadores e sua equipe fizeram tudo o possível para os americanos se sentirem confortáveis e bem  à vontade. A muito tempo eu não me divertia tanto!


34 - Qual a sua expectativa  para o Almería Festival Film 2012 ?

Nicoletta: Eu estava na Itália para um trabalho para uma universidade de Seattle e eu não poderia ir! Eu perdi muito.


35 - Com tudo isso que aconteceu em sua vida, o que você gostaria de dizer aos fãs do Brasil e do mundo que acompanharam sua carreira por tanto tempo e não a abandonaram-na mesmo durante algum tempo no anonimato e estão ansiosos relembrando sua imagem e lendo agora estas suas palavras ?

Nicoletta: INACREDITÁVEL! Espero conhecê-los um dia, um por um,  e obrigado Edelzio, por me contatar e aproximar-me mais dos fãs brasileiros e da América do Sul !
Pretendo um dia voltar a dançar um Samba por ai.


Nota: No IMDB.NET está escrito queLa Fuite en Avant”  foi realizado em 1983, pois está incorreto.
Na verdade, este filme foi filmando em 1976 e acho que foi nesta data em que ele foi lançado.
Em 1983 eu estava nos EUA com meu filho e meu ex-marido, um italiano e éramos pobres demais para viajar, eu estava reiniciando a minha vida depois de muitas viagens. 

- Agradeço em nome de todos os seus fãs esta sua participação especialíssima em meu blog e realmente acho que é o melhor presente para o ano 2013 à todos.
Agradeço pelas fotos exclusivas de seu arquivo pessoal para complementação desta simples Entrevista e Tributo e Mini-Biografia sua e espero que continue participando ativamente com seus comentários e elogios aqui por que será sempre bem-vinda e o mais importante para todos é de sabermos que é feliz.

Grazie!
Edelzio Sanches - Editor

 
Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do Editor. 
Colaboração Eespecial – Acervo de Marcos Maurício Lima – BH – MG - Brasil 

Nota: Como pudermos perceber em algumas respostas, existem algumas produções independentes que estão utilizando imagens e antigos comentários de artistas para produzirem documentários sem a respectiva autorização dos mesmos e isso é crime Autoral e é Universal.