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10 abril 2018

Os Índios Apaches no Cinema Americano e Europeu.


Os Apaches são povos Athapaskan que migraram para o Sudoeste, vindos do Nordeste do Canadá, centenas de anos atrás. Eles povoaram planícies da parte central e no Sudoeste dos Estados Unidos perto do ano 850 d.C.
A nação apache é o nome dado a várias tribos nativas americanas culturalmente relacionadas entre si. O nome Apache vem de uma palavra Zuni que significa: "inimigos ou homens lutadores".
Os Apaches eram grupos nômades de caçadores e coletores, largamente conhecidos como ferozes lutadores.

Eles eram temidos por seus ataques a outras tribos, e mais tarde, no século XVI, sua reputação ficou conhecida, quando houve o confronte com os colonizadores espanhóis pelo comércio, pelas fronteiras territoriais e pela caça ao búfalo.


Os Apaches habitavam uma área enorme no lado oriental do novo México, que também invadia o Texas e o México. Este povo orgulhoso e guerreiro, se dividia em muitos grupos, sendo mais conhecidos os Jicarillas, os Mescaleiros e os Chiricahuas.
Viviam numa região hostil, de escassos recursos naturais e, por isso, se especializaram em saquear as fazendas e povoados dos colonizadores brancos e costumavam roubar também as outras tribos, sumindo rapidamente nas serras da região, onde construíam inacessíveis esconderijos.


Os primeiros intrusos do território Apache foram os espanhóis, a partir de 1500. Havia diferenças entre os vários grupos de Apaches, principalmente no modo de vestir e nos acessórios que utilizavam. Havia os grupos mais dedicados ao pastoreiro e caçadores de bisão, animal que garantiu a sobrevivência durante séculos, e outros voltados para os saques em fazendas e povoados, como os Mescaleiros, que viviam nas montanhas.

Na cultura tradicional, as mulheres cuidavam do alimento, da madeira e da água, enquanto os homens tinham que caçar e guerrear. A poligamia era praticada quando as condições econômicas permitiam.


Os Apaches viviam numa região de deserto, muito seca e muito quente, mas também bela. A beleza exótica do Arizona foi descoberta a partir dos anos 20 pelos filmes de Hollywood envolvendo-os em centenas de filmes no gênero “Velho Oeste”, que traziam as cores do Grand Canyon e do Deserto de Sonora.

Os Apaches tiveram pouca participação no Espaghetti Western (Cinema Europeu) por ser um seguimento muito diferenciado do estilo estilizado americano, mas na Alemanha surgiu em 1962 um personagem Apache criado pelo escritor, roteirista e diretor renomado, Karl May que mesmo sem ter posto os pés na América.


Criou o imortal e talvez o mais célebre personagem Apache fora da América conhecido como Winnetow, interpretado por Pierre Brice, um Apache que ao lado de seu amigo americano branco Old Shatterhand, interpretado por Lex Barker, agiam sempre em nome da justiça e da paz e que garantiu umas duas dezenas de bons e bem sucedidos westerns na tela grande equiparando-se a grandes produções americanas com roteiros bem elaborados e diferenciados da rotineira guerra entre brancos e índios.


Os Apaches são os índios mais conhecidos da América do Norte por ser um povo corajoso e muito exposto no cinema como outros nativos de todo o mundo, eles cederam à ganância e pressão dos colonizadores. Mas, a coragem e ousadia dos Apaches em defender o seu território diante de um invasor mais numeroso e poderoso rendeu-lhes uma grande exposição no cinema.

Os diretores cinematográficos exploraram ao máximo a imagem desse povo, quase sempre mostrando o lado sanguinário e feroz dos índios.

Passado um século desde a colonização do oeste americano, já se vê os índios com outros olhos e felizmente vemos que nem todos eram maus e apenas defendiam sua terra, tradições e sobrevivência com unhas, dentes, arcos e flechas.

Os Apaches não agradaram muito os diretores europeus que procuraram criar os seus próprios personagens como Django, Sartana, Sabata, Ringo entre outros, que já vinham sendo bem cultuados e ganhando inúmeros fãs pelo mundo, mas posso citar alguns Westerns Espaghettis com a presença dos Apaches que marcaram época como:

“La Battaglia de Forte Apache” [A Batalha Final dos apaches] 1964 da série Winnetou, “La Furia Degli Apache” [Gerônimo Ordena o Massacre] 1964, com Frank Latimore e Nuria Torray, “Una Donna Chiamata Apache” [Apache Woman] 1976 Com Al Cliver e Clara Hopf, “Apache Bianco” [Apache Branco] 1977 com Sebastian Harrison e Lola Forner, “Buffallo Bill L´eroi Del Far West [Buffalo Bill, o Herói do Oeste] 1965 com Gordon Scott e Mario Brega. Até Lee Van Cleef virou um herói Apache em “Captain Apache” [Capitão Apache] 1971 ao lado de Carroll Baker e Stuart Whitman [ O Home de Virgínia].


Os apaches mais famosos e memoráveis foram Chefe Manga Coloradas, apelido recebido ao roubar uma camisa vermelha. Em 1837, ele era o guerreiro mais conhecido no Novo México, que ainda pertencia ao México, e em Sonora, estado vizinho ao sul.

Cochise o grande líder da tribo Chiricahuas, promoveu a paz com os brancos durante muito tempo. Gerônimo, o mais famoso guerreiro Apache começou a odiar de verdade o homem branco no dia em que retornou para casa e encontrou tudo destruído e a sua família assassinada por mexicanos.

17 novembro 2014

Gerônimo Ordena o Massacre "El Hombre De La Diligencia"


Gerônimo Ordena o Massacre
La furia degli Apache – Itália
El hombre de la diligencia - Espanha
Apache Fury - USA

Produção: Itália e Espanha 01 de Outubro de 1964
Direção: José María Elorrieta ( Joe Lacy)
Fotografia: Alfonso Nieva          
Musica: Fernando García Morcillo
Duração: 90 minutos
História: José María Elorrieta
Baseado na novela de Eduardo Guzmán  (Edward Goodman)
Produção: Espanha e Itália 01 Outubro de 1964
Locações: Aranjuez, Madrid, Espanha
Produzido por Tomás Cicuendez
Edição: Antonio Gimeno             
Decoração do Set: Teddy Villalba            
Co Produção: Four Aces, P.C. Alesanco, Produciones Cinematografiches Algancio


Frank Latimore – Oficial Steve Loman
Nuria Torray (Liza Moreno) - Lou/Ruth
Jesús Puente - Juiz Todd Driscoll
Ángel Ortiz  - Silas/Cocheiro da Diligencia
Alfonso de La Veja - Soldado
Frank Braña (Francisco Braña) -  Capanga de Burt
Rufino Inglés - Caixa do Cartório
Mariano Vidal Molina - Burt Kaplan
Heriberto Serrador (Gerard Spencer) - Richard 'Poker Dick' Logan
Guillermo Vera - Juan Diego
Julio Pérez Tabernero - Jimmy
Guillermo Méndez - Capitão
Antonio Cintado - Sargento
George Martin (Jorge Martín) - Elmer Roscoe
Aldo Sambrell - Capanga de Burt
Yvonne Bastien – Mexicana do quartel
e com José Sancho, Germán Cobos (George Gordon) 


  
Gerônimo Ordena o Massacre, é um filme que provavelmente alguém tenha assistido no cinema brasileiro na década de 60 ou 70 e nunca mais fora exibido na televisão nacional e muito pouco sabe-se sobre ele portanto é uma boa oportunidade para saber um pouco mais.
O ator Americano Franklin Latimore Kline (1925*1998) é mais um protagonista aventurando-se na Europa neste Espaghetti Western, embora com um tema tipicamente americano envolvendo índios Apaches.
Um ator basicamente de um cem número de filmes B dos anos 50 e pouco conhecido. O elenco aqui basicamente espanhol já estava sendo bem conhecido. Aqui todo o elenco tem seus nomes americanizados em um filme com produção totalmente espanhola com parte de equipe italiana.


A jovem e bela Nurria Torray (Ruth) e seu irmão Jimmy (Julio Pérez Tabernero), Jesus Puente (Juiz aposentado Todd Driscoll), George Martin (Pistoleiro e segurança do juiz), Marino Vidal Molina, Frank Braña e Aldo Sambrell (quase irreconhecível sem barba e bigode), Pastor Serrador (Jogador), Angel Ortiz (Cocheiro), Alfonso de la Vega (Soldado), Guillermo Vera (Mexicano), Guillermo Mendes (Capitão) e Yvonne Bastien (Mexicana), são os protagonistas de uma boa e envolvente aventura na região do Arizona.


Não é bem um puro-sangue Espaghetti com os clássicos duelos de rua e as exuberantes mulheres dançando sob os balcões de saloon como estamos acostumados, e sim envolve um grupo de pessoas cada uma delas com seus objetivos durante um viagem de carruagem e têm todo o seu destino mudado após uma parada para troca de cavalos nas ruínas da Missão de San Fracisco, agora transformada em um posto de parada para troca de cavalos e descanso da cavalaria americana.


Em poucos minutos no início, desfilam-se as característica e a personalidade de cada personagem e ao longo da história vão se conhecendo um a um deles e suas ambições e relacionamentos se cruzarão a um trágico final, mas antes de resolverem as suas indiferenças, precisarão se unir contra um inimigo comum para tentarem sobrevier aos ataques imperdoáveis dos; Apaches, mas isso não seria novidade se não fosse um filme filmado na Europa.


Todas as cenas das inserções Apaches sobre o posto de parada foram filmadas no verdadeiro Forte Seseña, localizado à 40 quilômetros ao sul de Madrid no município de Aranjuez. Não se sabe ao certo se a versão completa é esta que estou analisando com 80 minutos ou exista uma mais extensa com 90 minutos mas se houvessem cortes nesta fita, seria lamentável.


Neste deslocado, desértico e pacífico posto de parada de troca de cavalos para diligências que se ambientam mesmo à região do Arizona no Texas, o responsável do posto é o ex-oficial Tenente do Exército Confederado “Steve Loman” desonrado e trabalhando sobre liberdade condicional que tem que abrigar uma diligência que chega repentinamente sendo atacada e perseguida por Apaches.


Na diligência viajam o ex-juiz Todd Driscoll que coincidentemente condenou Loman à cinco anos de recusão em presídio acusado de suposto assassinado do ex-marido de Ruth, agora sua futura esposa, seu irmão Jimmy, um Jogador e um pistoleiro contratado de Driscoll que juntos também são passageiros na viagem. A situação se agrava no momento em Jimmy, o irmão de Ruth, um jovem ingênuo e amedrontado de cabeça quente equivocadamente mata o um aborígene local que desperta a fúria de vingança pelo seu líder tribal unindo-se aos Apaches.


O juiz carrega uma fortuna em dólares em uma bolsa que tem destino a compra de um rancho para viver com Ruth, mas ela começa a cair no agrado de Loman e os dois insinuam-se um romance sem que o juiz não venha perceber, “de imediato”. Dois bandidos ex-presidiários são feitos prisioneiros por Loman na Missão, mas o interesse dos dois é de roubarem a fortuna do juiz e os dois passam a lutar ao lado de Loman para ajudar a proteger a Missão, pois suas vidas também dependem da defesa de todos contra os Apaches.

O diretor José María Elorrieta (Joe Lacy) conhecido por filmes de Terror, também experimentou aqui o seu primeiro de três Espaghetti Western e batizou-o com um nome bem típico americano para atrair as atenções como muitos faziam na época. Parece mesmo uma típica abordagem Cowboy-Apache-Americana mas aqui o enredo vai mais além de matança entre índios e soldados.

Há uma corrente de envolvimentos em que todos dependem de todos mesmo com todas as desigualdades e indiferenças entre todos e a ação acelerada e alucinante é inevitável tendo em vista a pressão do cerco dos índios à Missão sem uma chance clara de sobrevivência de cada um dos personagens que lá dentro se encontram.

Em meio aos ataques maciços dos índios entre flechas e balas, as barricadas no “Forte improvisado” por Loman e todos do lado de dentro com seus conflitos morais e pessoais vão se caindo e parece questão de tempo antes que os selvagens invadam e matem a todos.


Curioso também é que o líder indígena mencionado no título brasileiro “Gerônimo” não aparece em nenhum momento no filme. Não consegui localizar Germán Cobus, ator espanhol com pseudônimo George Gordon neste filme, mas aparece nos créditos. Isso também acontecia muito no Espaghetti Western.

Cenas de quedas e mortes dos índios foram bem elaboradas porque os índios são colocados literalmente como alvos a serem alvejados captados pela câmera propositalmente, percebe-se isso. O final não é muito surpreendente, mas o que prevalece é o bom senso entre Lomam e Ruth em uma união afetiva entre os dois salvos pela chegada da cavalaria.

A música composta por Fernando García Morcillo, encaixa-se bem nas sequências de ação e até mesmo nos momentos mais alíviádos com temas ciganos melancólicos.

Elorietta pode ter sido inspirado em “Sangue de Heróis” [Fort Apache] de John Ford com John Wayne e Henry Fonda de 1948 mas deu ênfase maior nas intrigas pessoais e conseguiu o resultado desejado que é o que se percebe aqui deixando um pouco de lado as vinganças entre mexicanos e gringos pistoleiros.

Um de seus últimos trabalhos foi em 1975 com o seu terceiro Western Espaghetti também 100% espanhol
“Si Quieres Vivir...Dispara” com James Philbrook, Frank Branã e José Canalejas.

Pode ter sido um diretor que fez sucesso com o Euro-Horror na época mas brindou-nos com este considerado por muitos como um bom Espaghetti Western dentre os seus cerca de 50 filmes ao longo de sua carreira.
Nunca exibido na TV brasileira.

Movie Versão Riped TV áudio Espanhol disponível no: 
http://www.ulozto.net/xWUcNjKw/el-hombre-de-la-diligencia-1964-spanish-satrip-avi


El Hombre De La Diligencia 1964 – 5 tracks no Original Soundtrack Download