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17 abril 2014

A Paciência Tem Limite... Nós Não! [La pazienza ha un limite... noi no!] Especial Brasil



A Paciência tem Limite... Nós não! [Brasil – Inédito]
La pazienza ha un limite... noi no!
Patience Has a Limit, We Don't - USA
¡Caray, qué palizas! - Espanha


Produção: Italia/Espanha: 27 de Setembro de 1974
Direção: Franco Ciferri (Frank Farrow)
Escrito: Fabio Carboni, Armando Morandi e Amando de Ossorio
Duração: 95 minutos
Produção Francesco Campitelli, Armando Morandi e M.F. Pérez Pareja
Música: Bixio-Frizzi-Tempera (aqui como: Leonerbert)
Fotografia: Alessandro Careillo e Miguel Fernández Mila
Edição: Giancarlo Venarucci
Set Decoração: Cruz María Baleztena
Locações: Colmenar Viejo, Madrid, Espanha
Co Produção: Ancla Century Films e Pantherfilms


Pietro Martellanza (Peter Martel)- Pupo/Bill McDonald
Salvatore Borghese - 'Pistoleiro' Duke McDonald
Rita Di Lernia - Sra. McDonald/Mamãe/viúva
Marisa Medina - Rosie/Isabel
Luis Barboo - Mancha Negra/Blacksmith
Manuel Zarzo – Tenente Pollock
Ramón Lillo (Ray Nolan) – Acombar
e com Carla Mancini, Bruno Boschetti, José Luis Chinchilla, Luciano De Ritas, Luigi Antonio Guerra, Armando Morandi , David Venancio Muro, Francisco Nieto (Paco Nieto), Javier de Rivera e Pepe Ruiz.

Fazendo parte de uma guarnição, um cabo irlandês do exército americano conhecido como McDonald aproveitando-se de uma batalha em meio ao ataque aos índios, rouba e esconde uma caixa forte contendo uma fortuna de 30.000 dólares em ouro pertencente à Sétima Cavalaria dos Estados Unidos.

Passam-se vinte anos e sua viúva vive perseguida pelo Tenente Pollock, tentando fazer com que ela confesse alguma informação sobre o ouro desaparecido e escondido pelo seu marido, a fim de recuperá-lo para o Exército por ordem de seu Coronel.

Após muita resistência, ela acaba cedendo a seus dois filhos vagabundos que recebem dela uma parte de um mapa cada um, que fora deixado pelo pai.



Os McDonald, são uma família de miseráveis que vivem em uma área desértica no meio do Arizona e para melhorarem de vida tentam agora em sua jornada localizarem o ouro, um necessita da parte do mapa do outro, mas existem muitas desavenças entre os dois irmãos que acabam até por comerem as suas partes do mapa para que um não roube o outro.

Duke que é um hábil, mas desastrado pistoleiro e Bill que se julga o esperto da família, são também perseguidos por um tal de "Mancha Negra", uma espécie de investigador colocado a serviço de um latifundiário e negociante de cavalos e seus capangas conhecido como “Acombar” para também localizar o tesouro.

Neste mapa tem como única pista deixada pelo Cabo McDonald: "A Rocha Partida" e "O Vale do Coiote e números que se referem a contagem de alguns passos que indica a localização do esconderijo.

Durante vinte anos todos na região procuram por este tesouro, mas ninguém sabia com certeza da sua existência. Do começo ao fim, o diretor Franco Ciferri com ajuda de seus roteiristas, não conseguiram arrancar tanto riso quanto pretendiam.


São situações forçadas e mesmo com alguns efeitos especiais, não
causam efeito engraçado.
A impressão que se tem ao assisti-lo é de que, a equipe envolvida neste filme não teria assistido a nenhum dos filmes de Trinity de Enzo Barboni.

Eram os últimos Espaghettis que estavam sendo produzidos e a onda era adaptá-los em comédias.

Nota-se muitas situações exageradas e mesmo assim naquela época ainda atraiam espectadores.

Vemos um tenente que por vinte anos a pedido de seu Coronel, perturba a viúva McDonald com interesse no ouro e que acaba também ao final se apaixonado e casando com ela.


Muitas pessoas estão à caça do tesouro do exército, pois foram vinte anos de rumores de seu desaparecimento na região de Denver City e quando os irmãos resolvem sair do rancho, todos desconfiam de que eles estão agora com o mapa em suas mãos.

Muitas lutas envolvendo os dois irmãos atrapalhados, com correrias, quebra-quebra no saloon, jogos de cartas malucos e até um burrinho que não coopera com Bill.


Ocasionalmente uma explosão revela a existência de petróleo nas terras dos McDonald que após tanta luta na procura do ouro, após encontra-lo, acaba por tê-lo confiscado pelo exército. A descoberta da caixa forte lembra até momentos de "Três Homens em Conflito", em uma cena focada de cima, após tanta escavação na região do Vale do Coiote.


Acostumado a ver Peter Martell em Espaghettis Westerns com roteiro sérios, fica muito estranho vendo-o atuar todo maltrapilho e desajeitado e com pouca expressão para o humor. Fica a impressão de que está sendo forçado a fazer as cenas.


Sal Borgese mais a vontade talvez por maior experiência em papéis humorísticos como a saga dos "Três Supermans" de Cinecittà e outros.

A calça vermalha, camisa cor-de-rosa e colete preto também é surreal para o Velho Oeste, mas chega a ser mesmo engraçado quando crianças o chamam de Pécos Bill.

Ele acha que é mesmo um grande pistoleiro e imaginariamente ele narra todo o seu plano durante o momento da ação que nunca tem resultado positivo.

É o personagem principal desta comédia, mas não espere aquela cena hilariante, pois ela nunca virá.

Alguns truques de filmagens são tão grotescos que possa fazer com que alguns não queiram assistir ao filme até o seu final como exemplo:
Duke dá um soco em um homem no bar e faz com que ele role de baixo para cima em uma escada. "Aquele truque de retroceder a cena".

É visivelmente uma produção muito pobre e de pouco investimento e da inexperiência da direção de um desconhecido Franco Ciferri, dirigindo aqui o seu único filme, embora já sido mencionado em trabalhos com Antonio Margheriti.
A paciência tem limites... Nós não! é o que o espectador também poderá pensar em começar assisti-lo.

O cavalo de Duke chamado Horácio, na fuga de um assalto na porta do banco leva um tiro no traseiro e começa a vazar como a um pneu furado.
Duke sai do plano da cena e volta com um curativo para tapar o vazamento de ar das nádegas do cavalo.
Muitas outras aberrações podem ser presenciadas e talvez por esse motivo desperta a curiosidade em assisti-lo.
Um filme inédito no Brasil, mas hoje pode ser encontrado facilmente na Web.
Colecionadores adoram estas relíquias que acabam se tornando Cult por sua obscuridade e curiosidade.


Na tentativa dura de salvar este filme os dois irmãos Duke e Bill são representados por Peter Martell e Salvatore Borgese, e conseguem até mesmo serem realmente simpáticos e harmonizam muito bem como parceiros.
Bill e Duke foram obviamente modelados após surgimento de Bud Spencer e Terence Hill.

Bill (Martell) é o bonito, charmoso e mais inteligente dos dois, e bem sucedido com mulheres apesar de sua aparência de maltrapilho. Duke (Borgese) no entanto, é um caipira que se julga pistoleiro sério, esperto e importante mas após uma pancada na cabeça por "Mancha Negra" ele perde a memória e complica ainda mais a localização do ouro por que esquece de lembrar as coordenas da sua parte do mapa.

Passa boa parte do filme tentando provar a si mesmo o quanto é bom em seus planos, mas falha miseravelmente em suas conclusões.
É divertido ver como Bill tem seu dedo polegar alvejado por Duke em uma demonstração frustrada de tiro e Bill andando sobre um burrinho em perseguição ao irmão Duke.

 "Você é um pistoleiro! Chapéu de combate! Concentrado! Observe seus reflexos! Passos firmes! O pistolero é para matar." (Duke McDonald).
Mancha Negra é elegante, refinado e submisso, fisicamente um pouco semelhante a Lee Van Cleef e é um personagem interessante do filme.
No final, ele tem um duelo complicado com Duke, que, no entanto, nunca tinha ouvido falar de regras tradicionais de duelo.



Mancha Negra apresenta-lhe sua pistola de um único tiro, de precisão, mas o duelo acontece em meio a muitas confusões de Duke.
É bom podermos ver brevemente a presença deste grande ator, Luis Barboo como Mancha Negra.

Uma história relativamente sem muita inspiração e sem ideias significativas.
É um Espaghetti Western típico e um pouco monótono.
Nos anos 70 foram feitos ainda vários e melhores que este.

A música do trio "Bixio, Frizzi e Tempera", fica escondida no filme e ainda sob o pseudônimo estranho de "Leonerbert". O tema da dupla "The Ballad of Bill Duke" é muito bom, mas só se ouve umas poucas frases e parece mesmo refletir agradavelmente a personalidade e as atitudes da dupla de irmãos.

Se este filme tivesse alcançado um relativo sucesso e tivessem mais alguma sequência, certamente já teriam um bom tema musical para eles.


Há uma versão em Inglês com legendas em hebraico que é muito ruim, especificamente à qualidade da imagem e os personagens ficam muitas vezes a esquerda da tela. Existia uma versão em Espanhol, mas os fãs que cultuam o subgênero agora já conseguem encontrar esta versão Espanhola com uma imagem de melhor qualidade. Infelizmente, não é um filme que será inesquecível para quem assisti-lo, mas o que talvez ainda torne o filme interessante e suportável é a dupla simpática e bem harmônica entre Martell e Borgese.

Eles promovem ao menos umas poucas cenas muito engraçadas. Se você não for um fã muito exigente e levar pelo lado histórico do cinema europeu para sentir de perto os seus altos e baixos, pode dar uma espiada e tirar suas conclusões. Talvez possa se divertir ao seu modo. É uma homenagem a estes dois ícones do Espaghetti Western, Peter Martell e Salvatore Borgese.

26 setembro 2013

Cada Bala, Uma Morte - Uno Dopo L´altro


Cada Bala, Uma Morte  
Uno Dopo L'altro
One After Another (U.S.A.)

Produção: Itália e Espanha - 13 Agosto de 1968
Direção: Nick Nostro (Nick Howard),
Nicola Nostro [21 Abril, 1931 - Gioia Tauro, Calabria, Itália]
Duração: 99 minutos
História: Mariano de Lope e Nick Nostro (Nick Howard)
Escrito: Mariano de Lope, Nick Nostro, Giovanni Simonelli
(Simon O'Neil) e Carlos E. Rodriguez
Fotografia: Mario Pacheco
Musica: Fred Bongusto  e Berto Pisano
Canção: "May Be One, May Be Nine" interpretada por Fred Bongusto
Produção: Marco Vicario e Bino Cicogna
Locações: Cinecittà Studios, Roma, Lazio, Itália
Co-Produção: Atlantica Cinematografica Produzione Films - Itália
e  Euroatlantica, Midega Film - Espanha
Edição: Renato Cinquini
Produção de Arte e Design: Enrique Alarcón,  Dario Micheli,
Rosalba Menichelli  e Giuliana Serano 




Richard Harrison - Stan
Pamela Tudor - Sabine
Paolo Gozlino (Paul Stevens) - Glenn
José Bódalo - Coronel Jefferson
Jolanda Modio - Tina
Hugo Blanco - Miguel
José Manuel Martín - Espartero
Fortunato Arena - Trent
José Jaspe - Pablo
Eugenio Galadini (Eugenio Galatini)
María Saavedra – Mulher de Espartero
José Canalejas - Frank
Luis Barboo - Hud
Mirella Pompili – (Mirella Pamphili) Mexicana assistindo a dança
Goffredo Unger (Freddy Unger) - Burt
Emilio Messina - Herb
Roberto Messina - Barman
Gilberto Galimberti – Capanga de Espartero  e Dario Micheli,  





Este é um Espaghetti Western pouco conhecido aqui no Brasil a não ser quando exibido nos nossos cinemas e que chega agora com fácil acesso através de fontes na internet.
O enredo do filme é mais ou menos como (Por um Punhado de Dólares) de Sergio Leone.
Jefferson é um ex-coronel, que junto com Espartero e seu bando de mexicanos mercenários planejam roubar o ouro de seu próprio banco, depositado por pecuaristas em Canyon City, encenando o assalto.
No momento do assalto algo sai errado e Bill Ross, caixa do banco, tenta bloquear o suposto bandido, mas Jefferson traiçoeiramente o executa.
Logo após o ocorrido, um homem solitário passeia na cidade onde o banco foi assaltado e ele fica sabendo que uma grande quantidade de ouro foi levada e demonstra muito interesse em descobrir as circunstâncias em que Bill Rosso fora morto.
Acaba envolvendo-se  com duas facções, infiltrando-se entre as duas gangues rivais e por sua vez, é espancado por ambas.
A princípio o nosso homem, Stan, é um improvável herói porque usa óculos.
Seus óculos serão, evidentemente, quebrados e prevendo que isso acontecerá frequentemente durante toda sua sina, Stan mantém um estoque deles no interior de sua jaqueta.



Jefferson faz ele acreditar que o assalto e o assassinato do caixa do banco são o trabalho do bando de Espartero, mas uma vez que Stan chega ao esconderijo do bandido, descobre que a verdade é bem diferente. 
Escapando de uma emboscada de Espartero, Jefferson envia seus homens para destruir a aldeia mexicana. Depois de conseguir lutar para convencer Espartero de sua lealdade, Stan começa sua vingança, matando uns após os outros os homens que tinham sido envolvidos no momento do falso assalto ao banco. 
É interessante que a cada morte anunciada por Stan, o agente funerário faz a entrega do caixão antecipado ao próximo defunto. Um deles é entregue dentro do saloon e o bandido realmente é morto dentro do saloon.



Durante os acontecimentos, Stan revela que Bill Ross, funcionário do banco seria seu irmão e durante o filme é possível acreditar que ele não seja, tamanha a sua sede de vingança, mas ao final já com posse da fortuna e da bela Sabine diz que ele trabalhava no banco e esperava a sua chegada a cidade pra que fizessem o roubo do ouro juntos. Fica ao espectador, tirar as conclusões quanto a essa revelação e ao sair do cinema você iria com a dúvida pra casa. 





Uma fotografia impecável e cenários bem elaborados com um  guarda-roupas escolhido por uma equipe de especialistas em Design e produção de Cena.  Percebe-se pela riqueza nos vestidos das mulheres.
Este filme teve uma grande parte rodado por Ignacio F.Iquino  mas atribuiu à Nick Nostro
(que filmou algumas sequências, além de escrever o script). 
É um Western construído de acordo com alguns padrões para produtos de grande comercialização para a época.




A história às vezes simples, mas coberto por excelentes atores e algumas sequências de  ação.
violência e ritmo agradáveis, cuidadosamente delineando os seus personagens em grau de importância dentro da história.
Uma bela música composta pela parceria de Fred Bongusto e Berto Pisano.
No geral é um western gostoso de assistir, mas sem nenhuma inesperada surpresa.