A SENTENÇA DE TUCO
Portal dedicado ao Espaghetti Western
Letras-Lyrics-Song-Sung-Espaghetti Western-História-Músicas-Entrevistas-Curiosidades-Pesquisa-Opinião-Atores Brasileiros no Espaghetti Western-Atualidades-Homenagens-Resenhas-Sinópses-Subtitles/Legendas.
Mostrando postagens com marcador Il Buono Il Brutto Il Cattivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Il Buono Il Brutto Il Cattivo. Mostrar todas as postagens
18 maio 2020
12 novembro 2018
04 julho 2015
Três Homens em Conflito "O Bom, o Mau e o Feio" [Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo] Especial Brasil
Uma das figuras mais constantes no imaginário das pessoas em qualquer canto do mundo é o cáuboi americano. O gênero inspirou filmes tão díspares quanto os do acrobático Tom Mix nos anos vinte, do cantor Roy Rogers nos anos quarenta ou da lendária associação dos dois Johns ( Ford e Wayne). Curiosamente, a transfiguração para as telas dos caubóis citados mostravam uma figura romântica, sempre: limpinho, de cara lisa, que nunca trapaceava. O perfeito herói, “clean".
Foi preciso aparecer um italiano atrevido para materializar o faroeste numa escala de realidade muito maior e que provocou uma verdadeira revolução na indústria do cinema entre os anos sessenta e setenta: o Espaghetti Western. Apesar do termo meio pejorativo (Faroeste Espaguete), o movimento iniciado pelo genial diretor italiano Sérgio Leone desencadeou uma avalanche de cerca de 800 produções semelhantes se considerarmos os produzidos na Alemanha, e outros produzidos na pré fase Leone em vários outros países da Europa e tão poucos conhecidos na América Latina.
A trilogia que inaugurou o ciclo foi com os filmes "Por um punhado de dólares" (uma refilmagem de "Yojimbo" de Kurosawa), "Por uns dólares a mais" e "Três homens em conflito", este último em destaque.
A pergunta óbvia é: que diferença estes filmes apresentaram em relação a tantos outros feitos anteriormente? Basta imaginarmos qual seria a aparência real de um dos heróis do Velho Oeste Americano.
Homem rude, acostumado a passar longos períodos de solidão nas campinas, florestas ou desertos, acostumado a enfrentar dificuldades tão diversas quanto picadas de cobra, ataques de índios, fome, sede, bandidos, xerifes truculentos, fazendeiros ambiciosos, etc. Diversões? Bebidas da pior qualidade, prostitutas cheias de doenças e jogos de cartas ou dados. Mérito para Leone, disparado.
Mas não é só na aparência que os personagens de Leone são mais verossímeis. As pessoas retratadas em seus filmes são repletas de defeitos e qualidades - como qualquer ser humano - e não aquela dicotomia tradicional de mocinho bonzinho e vilão tenebroso. Não existem arquétipos, os principais personagens são farinha do mesmo saco, embora tenham características diferentes.
O título em português está perfeito ("Três homens em conflito"), mas o original vai direto à caracterização dos personagens: O Bom, o Mau e o Feio. O Feio é Tuco (Eli Wallach), um mexicano saído da miséria para o banditismo, com uma ficha criminal que vai de assassinato a abandono de lar. É ambicioso, vingativo, mentiroso e cruel, embora tenha sentimentos de família e amizade como todo ser humano.O Mau é Olhos-de-anjo (Sentenza, no original italiano, vivido por Lee Van Cleef), um assassino a preço fixo que se gaba de sempre cumprir os "trabalhos" que assume. Diferente de Tuco, que é passional, Olhos-de-anjo mata por obrigação, tortura para obter o que precisa e coopta quando vê que é necessário. Em nenhum momento perde a calma ou se desespera. O Bom é Blondie (Clint Eastwood), um pequeno vigarista de boa pontaria, que vive em parceria com Tuco arrancando dinheiro de xerifes de pequenas cidades.
O que estes homens tão diferentes têm em comum é o segredo de um tesouro confederado, enterrado num cemitério sulista. Ao longo do filme, alternam-se na dominação dos outros, com o objetivo de extrair a localização exata do tesouro.
Se a história é simples, na transformação em filme é que se nota a genialidade de Leone, que usou técnicas e movimentos de câmera ousados, aliado a uma trilha sonora de excepcional qualidade, de ninguém menos que Enio Morricone. Algumas sequências do filme são antológicas, como o triplo duelo no cemitério. A passagem de imagem de rostos e mãos dos duelistas, aliado à atordoante música de fundo são impressionantes. Outra sequência estranha e fascinante é quando Tuco percorre o cemitério procurando a sepultura correta. O ritmo alucinante da câmera consegue traduzir toda a emoção e ansiedade do personagem com o fundo musical quase que inacabável e memorável intitulada de “Extase of Gold”, título perfeito combinado à cena.
CINECITTÀ 1964
Uma ideia que me passou pela cabeça (e que pode ou não ter algum sentido) é que os três personagens na verdade são lados de um mesmo triângulo, faces diferentes de uma mesma condição humana. Todos nós temos o nosso lado “Tuco”, que se preocupa com as necessidades elementares (comer, dormir, aquecer-se, divertir-se, etc). Por outro lado, a sociedade que vivemos hoje estimula o lado “Olhos-de-Anjo” à medida em que coloca a competitividade acima de tudo. É o nosso lado Gérson, que tem que tirar vantagem de tudo, cumprindo a velha máxima de que os fins justificam os meios. Por fim, existe o nosso lado idealista e ético, que contrabalança os outros dois, que é representado pela face “Blondie”.
Talvez a "viagem" tenha sido grande nessa leitura, mas Leone mostra a sua visão otimista ao derrotar o lado mais negro do triângulo.
O filme tem o suporte dos atores, todos excelentes, ainda em início de carreira. Clint Eastwood, o que alcançou maior sucesso, vinha de alguns pequenos seriados na tv americana e aceitou participar de "Por Um Punhado de Dólares" por quinze mil dólares. Esse filme foi a grande guinada em sua carreira, projetando-o como um dos grandes nomes do cinema americano. Lee Van Cleef repetiu a sua performance em inúmeros outros filmes do Espaghetti Western, mas não teve o mesmo sucesso de Eastwood. Eli Wallach, o Tuco, desenvolveu uma notável carreira na televisão americana. Uma curiosidade sobre este último foi a recusa de um papel em "A Um Passo da Eternidade" com o qual Frank Sinatra ganhou um Oscar.
Uma atenção especial deve ser dada à trilha sonora deste filme, assinada por Ennio Morricone. A música tema é praticamente a marca registrada do faroeste no cinema, mesmo que a maioria das pessoas não tenha nem ideia de qual filme foi. Morricone é o mais produtivo compositor do cinema, ao lado de Maurice Jarre. São dele as trilhas de "O Anticristo", "1900", "La Luna", "Os Intocáveis", "Áta-me" e o maravilhoso "Cinema Paradiso" entre quase quatrocentos títulos que constam do site do Imdb.O formato de tela para este filme não poderia ser outro senão o widescreen. As panorâmicas constantes, os closes exagerados e o fantástico enquadramento de Leone simplesmente desaparecem quando se faz o corte lateral para preencher a tela da tv. Este foi um dos poucos filmes que foi lançado em VHS com o formato de cinema, gerando muitas reclamações semelhantes às dos iniciantes no DVD hoje, acostumados ao formato de videocassete. O som é mono, mas não compromete a excelente trilha sonora.
"Três Homens em Conflito" é um filme que interessa aos aficionados por faroeste, aos fãs de Eastwood, estudiosos de cinema, apreciadores de boa música ou simplesmente quem quer curtir um bom filme de ação. Outras leituras podem ser feitas, a depender de como se olhe para o filme. Experimente.
Sinópse Resumida
Unidos pelo destino, os três homens juntam suas forças para tentar encontrar uma fortuna em ouro roubado. Mas trabalho em equipe não é uma coisa natural para voluntariosos pistoleiros, e eles logo descobrem que seu maior desafio é concentrar-se em sua perigosa missão e em manterem-se vivos atravessando um país arrasado pela guerra. Sem sombra de dúvida, o Western mais ambicioso e influente já produzido.
“Três Homens Em Conflito” é uma aventura bem humorada e audaciosa que mudou para sempre o futuro deste gênero cinematográfico, aceitem alguns críticos mais conservadores ou não. O filme arrecadou três milhões de dólares, uma fábula para um filme estrangeiro no ano de 1966.
Newton Ramalho Júnior - Natal, 23 de Agosto de 2001.
Compilação, atualização e complementação - Edelzio Sanches - São Paulo, 03 de Julho 2015.
Elenco Principal: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach, Aldo Giuffrè, Mario Brega, Luigi Pistilli,
Rada Rassimov, John Bartho, Antonio Casale, Angelo Novi e Antonio Casas.
Informações:
“Três Homens em Conflito” - Brasil
“O Bom, o Mau e o Feio” - Brasil
Il Buono, il Brutto, il Cattivo - Original Italiano
Produção: Itália 1966
Direção: Sergio Leone
Música: Ennio Morricone
Duração: 163 minutos
Áudio Português Youtube
25 junho 2014
Morre Eli Wallach aos 98 anos de Idade [O Bom, O Mau e o Feio]
Morreu Eli Wallach, o vilão de westerns formado no Actors Studio
Não é por isso surpresa que Wallach, falecido esta terça-feira aos 98 anos de idade, seja
mais recordado pelos vilões que interpretou em dois dos filmes mais icónicos da década de 1960: Os Sete Magníficos (1960), versão western dos Sete Samurais de Akira Kurosawa dirigida por John Sturges, e O Bom, o Mau e o
Feio (1966), terceiro filme da trilogia de westerns-spaghetti de Sergio Leone. Mas é um destino, no mínimo, irónico para aquele que era um dos últimos nomes ainda vivos da “primeira fornada” formada na lendária escola de representação nova-iorquina do Actors Studio, que revolucionou o cinema e o teatro americanos no período do pós-II Guerra Mundial.
Era no teatro que o actor nova-iorquino, nascido no bairro de Brooklyn em 1915 e filho
único de emigrantes judeus polacos, se sentia mais à vontade. Embora tenha continuado a filmar quase até ao fim da sua vida - os seus últimos trabalhos de nota foram O Escritor Fantasma de Roman Polanski e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme de Oliver Stone, em 2010 - foi no teatro, do qual se retirou de vez em 1997, que construiu a sua carreira. Trabalhou repetidamente com a sua mulher, a também actriz Anne Jackson, que conheceu nos palcos em 1946 e com quem casou dois anos depois. Entre os muitos autores que Wallach
representou contam-se Tennessee Williams (vencendo o Tony por uma produção de A Rosa Tatuada em 1951), Jean Anouilh, Eugène Ionesco ou Tom Stoppard.
O momento em que dança com Marilyn em Os Inadaptados, de quem era amigo de longa
data e que teve aqui a sua última interpretação em vida, tornou-se célebre.


O
“camaleão por excelência”
Wallach foi um dos primeiros alunos da escola de representação do Actors Studio, fundado em 1947 e gerido a partir de 1951 por Lee Strasberg. Os seus colegas de curso chamavam-se Marlon Brando, Montgomery Clift e Sidney Lumet. E estreou-se no cinema precisamente sob o signo do teatro: foi em Baby Doll (1956), adaptação de Tennessee Williams sob o comando de Elia Kazan, ele próprio um dos fundadores da escola.
Wallach foi um dos primeiros alunos da escola de representação do Actors Studio, fundado em 1947 e gerido a partir de 1951 por Lee Strasberg. Os seus colegas de curso chamavam-se Marlon Brando, Montgomery Clift e Sidney Lumet. E estreou-se no cinema precisamente sob o signo do teatro: foi em Baby Doll (1956), adaptação de Tennessee Williams sob o comando de Elia Kazan, ele próprio um dos fundadores da escola.
Entre as
quase duas centenas de filmes e produções televisivas em que entrou, muitos
lembrar-se-ão particularmente de Os Inadaptados (1961), realizado por
John Huston e escrito pelo dramaturgo Arthur Miller, com Clark Gable, Marilyn
Monroe e Montgomery Clift nos papéis principais. A cena em que Wallach dança
com Marilyn, de quem era amigo de longa data e que teria aqui a sua última
interpretação em vida, ficou célebre. Wallach participou também em inúmeras
séries televisivas – como Cidade Nua, Batman, onde interpretou
(lá está...) o vilão Mr. Freeze, ou mais recentemente Nurse Jackie - e
no último filme da trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola (1990).
Eli Wallach nunca foi nomeado para um Óscar, mas a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood reconheceu a sua carreira no final de 2010, entregando-lhe o Óscar honorário pela “desenvoltura inata com que interpretou uma variedade de personagens, ao mesmo tempo que deixou uma marca inimitável em cada papel”. Chamou-lhe então “um camaleão por excelência”. O “camaleão por excelência” era algo que vinha da sua extensa experiência teatral - e Wallach nunca escondeu que, para um actor de composição como ele, "o cinema era apenas um meio para chegar a um fim", como disse numa entrevista de 1973 citada pelo New York Times. "Vou montar a cavalo para Espanha durante dez semanas e regresso com uma almofada financeira suficiente para poder montar uma peça."
Eli Wallach nunca foi nomeado para um Óscar, mas a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood reconheceu a sua carreira no final de 2010, entregando-lhe o Óscar honorário pela “desenvoltura inata com que interpretou uma variedade de personagens, ao mesmo tempo que deixou uma marca inimitável em cada papel”. Chamou-lhe então “um camaleão por excelência”. O “camaleão por excelência” era algo que vinha da sua extensa experiência teatral - e Wallach nunca escondeu que, para um actor de composição como ele, "o cinema era apenas um meio para chegar a um fim", como disse numa entrevista de 1973 citada pelo New York Times. "Vou montar a cavalo para Espanha durante dez semanas e regresso com uma almofada financeira suficiente para poder montar uma peça."
Williams
encenada por Elia Kazan, Camino Real. Em seu lugar ficou Frank Sinatra,
que ganhou o Óscar de melhor actor secundário
Suas
participações no Espaghetti Western foram:
1966 Il Buono, Il Brutto, Il
Cattivo [ The Good, The Bad, The Ugly / O Bom, o Mau e o Feio]
1968 I Quattro Dell´Ave Maria [O Sorriso Que Mata /
Assim Começou Trinity]
1971 Viva
A La Muerte...Tua! [Don´T Turn The Other Cheek]
1974 Il
Bianco Il Gialo Il Nero [Il Samurai / O Último Samurai Do Oeste]
Compilação da Fonte: Público.pt
Assinar:
Postagens (Atom)









