Praça Central do Cemitério de Sad Hill restaurada pela associação onde foi realizado o Antológico Duelo em "Três Homens em Conflito" [Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo], Cena protagonizada por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach em 1966.
RENOVACIÓN CUOTA ANUAL SAD HILL
Asociación Cultural Sad Hill
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quiserem adquirir uma sepultura, já sabem, por apenas 15 Euros terão seu nome e ou apelido, etc. Terão uma cruz de madeira em Sad Hill que será fotografada e divulgada na web.
VEJA A LISTA DE NOMES DE PESSOAS DE TODO O MUNDO
QUE ADQUIRIRAM A SEPULTURA NESTE LINK ABAIXO:
Após um ano de incessante trabalho para a restauração através da Associação Cultural Sad Hill,
seus associados e organizadores comemoraram com sucesso absoluto a reabertura do cenário cinematográfico escolhido por Leone e criado pelo artesão Carlo Simi.
Conseguiram recriar 1.000 das 4.000 tumbas que foram construídas para a cena final do filme e muitas delas adquiridas simbolicamente por pessoas fãs de todo o mundo que as patrocinaram e receberam o seu nome nelas.
Presença de autoridades e personalidades importantes, ex atores coadjuvantes e que participaram do filme ainda vivos estiveram presentes.
Mensagem de Clint Eastwood, James Hetfield (Metallica) e Ennio Morricone foram assistidas no telão durante as projeções do filme com cópias especialmente estendidas e remasterizadas para o evento.
[A música de abertura dos Shows da banda de rock “Metallica” pelo mundo é "The Ecstasy of Gold” de Ennio Morricone e tema do duelo final do filme, por isso a sua mensagem em agradecimento ao convite e tributo a Leone e Morricone].
Qualquer fã da Trilogia dos Dólares de Leone deve ter guardado em sua memória cinematográfica a magnífica cena da sequência final de "O Bom, o Mau e o Feio". Um filme de referência no gênero oeste, ou do Espaghetti Western neste caso, e de pico na carreira de diretor Sergio Leone. Mas a crítica de cinema não é a razão para este momento.
Em 1966, uma equipe de filmagem comandada por Leone escolheu um lugar quase perdido num vale da província de Burgos para criar, do nada, um dos mais emblemáticos cenários da história do cinema que ficou conhecido como: Sad Hill Cemetery, um lugar onde o duelo "Grand Finale" entre Clint Eastwood (O Bom) Eli Wallach (O Feio) e Lee Van Cleef (O Mau) seria acompanhada pela extensa e melancólica música de Ennio Morricone.
Neste local natural tiveram a sua proeminência e após cinco décadas agora, retornou à vida, depois de 50 anos quase esquecido.
Esta recuperação foi possível graças aos esforços voluntários dos criadores da Associação Cultural Sad Hill, que em sua origem haviam três entusiasmados fundadores e que foram posteriormente seguidos por muitos outros.
Agora, 50 anos mais tarde e depois de muito trabalho, reconstruíram e decoraram o lugar no qual julgaram como uma obrigação em preservá-lo para os fãs do filme e para o turismo da região.
Este local natural deslumbrante abre-se por trilhas num caminho estreito entre Santo Domingo de Silos e Salas de Los Infantes.
O acesso é difícil e no ponto mais alto você pode desfrutar de uma vista privilegiada com o vale do Cemitério de Sad Hill no centro.
Para aqueles que são os espectadores, Leone e sua Trilogia única do dólar este panorama nos faz ignorar lágrimas de emoção, não de ouro, mas também por viajar 50 anos de volta no tempo diretamente para a rodagem do filme, no momento em que a história e o Oeste Selvagem é vivído. Tudo o que está presente neste lugar é especial de Burgos.
Já no meio do vale à distância existem algumas vacas que pastam no que sempre foi a sua terra e agora resurge o cemitério que até a um ano atrás permanecera enterrado, quando os voluntários da associação por pura determinação partiram em trabalho braçal para limpar o terreno e voltar a dar vida a Sad Hill.
Agora Burgos estará ainda mais conhecida e visitada por turistas do mundo inteiro com a consequência do projeto e sabemos que não parará por aí. Outros locais "Set" estarão também recebendo uma atenção maior em preservação enriquecendo ainda mais a região que fez parte da história do cinema Europeu.
Javier, um dos voluntários que participaram nos últimos meses na recuperação do lugar diz que:
"Tem sido uma experiência muito gratificante. O trabalho não parecia muito grande, mas não foi fácil e aos poucos descobriram o tamanho da criação de Carlo Simi e o avanço se tornava lento a medida que visualizavam a grandiosidade do cenário criado por ele".
Mas relata orgulhoso do sucesso do projeto. Hugo, um dos moradores que ajudaram, diz que: enquanto se observa a região a partir do centro do cemitério, você se sente completamente dentro daquela cena do filme.
Uma bela encenação do duelo foi recriada pelos associados e atores dando um clima especial para todos os presentes no evento.
O filme continua a ter um exército de fãs e entusiastas em todo o mundo e continua crescendo. Tanto é que "Um colaborador americano pediu para que suas cinzas possam ser despejadas aqui quando morrer", disse David Alba, um dos criadores da associação.
Durante os últimos meses de trabalho têm surgido muitas histórias em todo o processo e muitas curiosidades vão surgindo em meio a divulgação da região e um dos mais curiosos talvez tenha sido o de um casal holandês que escolheu este local e o definiram para uma possível cerimônia de casamento inclusive com a música original do filme.
Um cenário inigualável tanto para se unir ou para morrer, realtaram.
Para bens a todos os envolvidos neste projeto e pode contar com a colaboração deste espaço para dar continuidade em divulgar e noticiar os seus projetos.
Hoje em Burgos, O 50º aniversário da produção de "O Bom, o Mau e o Feio" na comarca burgalêsa
de Arlanza se comemora con a projeção simultânea da película, um simpósio, exposições e a recuperação
do mítico "Sad Hill Cementery", cenário do duelo que conclui o filme.
A Associação Cultural Sad Hill é a organizadora desta comemoração, que inicia com a projeção
de uma versão estendida do filme com 178 minutos nas salas de exibição em Santo Domingo
de Silos e Covarrubias.
Diego Montero, membro fundador do "Sad Hill" explicou que na quinta-feira abrirá a exposição sobre
cenários dos Westerns de Sergio Leone, diretor de "O Bom, o Mau e o Feio".
O cenógrafo Carlo Simi trabalhou em muitos dos filmes de Leone e a Associação conseguiu esboços e
desenhos originais de Simi através de sua esposa e sua filha.
Precisamente a filha, Giuditta Simi também oferece uma conferência aberta na quinta-feira ao público, que também
participará crítico de cinema, o italiano Fabio Melelli.
Chegada à Barajas vindos de Roma, hoje 20 julho 2016 os primeiros convidados para o evento.
O crítico de cinema Fabio Melelli, Giuditta Simi (Filha de Carlo Simi, responsável do desenho original do Cemitério de Sad Hill),
Elisabetta Simmi, esposa do já falecido Carlo Simi.
Uma saudação e um desejo à Associação Cultural Sad
Hill para o evento do 50º aniversário de "O Bom, o Mau e Feio", realizado
com tanto entusiasmo e amor, Alberto Grimaldi. [Mensagem ao evento enviada com foto pelo facebook por Alberto Grimaldi, o produtor do filme e um dos mais proliferos produtores do Espaghetti Western.
Tanto a amostra e a conferência será organizada em Salas de los Infantes, recordou Montero, localização que também vai acolher o ato central das comemorações. Esta é uma reunião de especialistas e fãs em que os prós e contras discutirão aspectos desta obra-prima europeia, e que decorrerá de sexta a domingo.
A conferência inaugural, sexta-feira vai será aberta pelo historiador de cinema Carlos Aguilar e que se intitula "Sergio Leone: Homem, Ritual, a Morte." Destaca-se também a palestra que irá oferecer em 23 de julho, Christopher Frayling, reitor do Royal College of Art Londres e biógrafo autorizado por Sergio Leone.
Enquanto que no trabalho de Peter J. Handley, o assunto será Leone, pesquisador e documentarista Neo Zelândes, e Angel Garcia Romera destacará a música de Ennio Morricone, compositor de Leone.
Últimos preparativos para a apresentação do Cemitério de Sad Hill que será apresentado sábado dia 23 de Julho de 2016 aos participantes do evento, localizado nas proximidades de Santo Domingo de Silos..
A associação, com a ajuda de muitos voluntários, passou meses trabalhando na área, reabilitando os túmulos, fazendo a restauração do muro e a instalação dos painéis informativos. Eles conseguiram recuperar cerca de 600 dos 4,5 mil túmulos que compõem o cemitério original, apesar de apenas terem patrocinado a 500 encontrados nos primeiros cinco anéis.
Eles estão localizados em um círculo pavimentado, cercado por um muro baixo, e têm inscritos os nomes de seus patrocinadores que doaram ajuda na construção, aqueles com contribuições financeira tem ajudado o projeto.
Além disso, Sad Hill será também o cenário da cerimônia de encerramento do simpósio, no domingo, com concertos e performance teatral. Um programa abrangente para celebrar cinquenta anos atrás, o porque Sergio Leone escolheu a região de Burgos em construir o "Sad Hill Cemetery", a Missão San Antonio, o Forte da União de Betterville e Rio Bravo.
Entre Carazo, Contreras, Hortigüela, Covarrubias, Santo Domingo de Silos e Salas de los Infantes localizam-se os cenários que simulam a Guerra Civil Novo México.
Provavelmente Sergio Leone nesta foto estava cronometrando a montagem
de revólveres por "Tuco" na casa de armas.
Sergio Leone, Clint Eastwood e equipe de filmagens em balsa sobre o Rio Arlanza no set da "Batalha da Ponte Langstone" na região de Salas de los Infantes, Burgos, Hortigüela, Covarrubias.
Autorizado pelos responsáveis para promover e a divulgar o projeto "Sad Hill" no Brasil e América Latina, seguem todas as informações para conhecimento de todos sobre este desafio dos organizadores.
Os fãs poderão até mesmo adquirir uma tumba personalizada com seus dados pessoais neste cemitério.
Em 14 de Julho de 2016, recebi o e-mail da "Asociación Cultural Sad Hill" confirmando a realização do evento comemorativo do cinquentenário das filmagens do filme "O Bom, O Mau e O Feio" de Sergio Leone e fui também oficialmente autorizado a dar continuidade na divulgação América Latina.
E-mail recebido:
Estimado/a: Edelzio Sanches
Desde la Asociación Cultural Sad Hill, le informamos de este importante evento que se celebrará en los próximos días,
por si fuese de su interés.
Adjuntamos link con el programa de este evento a celebrar entre los días 20 y 24 de Julio en la provincia de Burgos.
Las inscripciones siguen abiertas (ver programa en link);
Igualmente, adjuntamos link con algunos breves vídeos de los medios de comunicación que se han hecho eco estas
últimas semanas a seguir.
Adjuntamos la programación en PDF.
Assista ao vídeo e veja parte de como ficou a restauração do cemitério onde foi realizado um dos
mais célebres duelos realizados na história do cinema entre Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef.
Depoimentos de David Alba [Sócio Fundador Asoc. Sad Hill], Guillermo Fernandéz de Oliveira [Diretor Documental de Sad Hill], Domingo Contreras [Figurante que tocou a gaita durante a tortura de Tuco] e
Sergio García [Sócio Fundador Sad Hill que também participou da banda tocando o tambor durante a tortura de Tuco].
Depoimento de alguns participantes das filmagens que ainda vivem na região.
O evento contará com a ilustre presença de Antonio Ruiz Scaño [El Niño de Leone]
como ficou mundialmente conhecido por sua atuação nos Westerns Europeus.
Assim Começou Trinity - Brasil
Os 4 da Ave Maria - Brasil
O Sorriso Que Mata - Brasil
Um Ás e Quatro Valetes - Brasil
I Quattro Dell'Ave Maria - Itália
Los Cuatro Truhanes - Espanha
Ace High - USA
Produção: Espanha, México, EUA e Itália, 31 de Outubro de 1968
Direção: Giuseppe Collizzi
Escrito: Bino Cicogna e Giuseppe Colizzi
Duração: 120 minutos
Música: Carlo Rustichelli
Maestro Regente: Bruno Nicolai
Fotografia: Marcello Masciocchi
Edição: Marcello Malvestito
Locações: Almería, Andalucía, Espanha
Co Produção: Crono Cinematografica, Finanzia San Marco
Distribuição no Brasil em VHS: CIC vídeo e New Life
Eli Wallach - Cacopoulos
Terence Hill - Cat Stevens
Bud Spencer - Hutch Bessy
Brock Peters - Thomas
Kevin McCarthy (Kevin Mc Carthy) - Drake
Tiffany Hoyveld - Esposa de Thomas
Federico Boido (Rick Boyd) - Capanga de Drake, loiro
Armando Bandini - Caixa do Banco
Livio Lorenzon - Paco Rosa
Steffen Zacharias - Harold
Remo Capitani - Cangaceiro
Bruno Corazzari - Charlie
Dante Cleri - Banqueiro, jogando cartas com Cacopoulos
Franco Gulà - Al (Homem velho conversando com o banqueiro)
Aldo Sala - Empregado do Casino tentando romper a porta
Luciano Telli - Jogador de roleta, sentando-se ao lado Cacopoulos
Giuseppe Terranova - Treasoureiro no Casino
Edoardo Torricella - Jogador de roleta, sentando-se ao lado esquerdo croupier
Elio Angelucci - Cidadão
Giancarlo Badessi - Homem de bigode promovendo a caixa preta.
Roger Beaumont - Croupier
Frank Braña - Segurança com a chave da cadeia
Gildo Di Marco - Segurança sufocado por Hutch Bessy
Leroy Haynes - Boxeador premiado
Riccardo Pizzuti - Capanga
Vicente Roca - Ramirez - Membro da Corte Marcial
Enzo Santaniello - Garoto da família irlândesa
Simonetta Santaniello - Filha da família irlandêsa
e com Antonietta Fiorito, Isa Foster e Corrado Olmi.
Western com a dupla do barulho, Cat stevens (Terence Hill) e Hutch Bessy (Bud Spencer).
E para completar as confusões, Eli Wallach interpreta Cacopoulos, o fora da lei que dá uma de Robin Hood distribuindo milhares de dólares de outras pessoas, é claro.
Tudo começa quando Cat e Hutch recebem a recompensa por terem encontrado uma carroça cheia de ouro que havia sido roubado. O presidente do banco de El Paso, o sr. Harold, paga $ 300.000 dólares para a dupla de heróis. Naturalmente o banqueiro não ficou nada satisfeito e ele quer o dinheiro de volta. Para consegui-lo, propõe um trato com o famigerado Cacopoulos.
O sr. Harold daria um jeito para que ele se livrasse da forca, saísse da cadeia e ele daria um jeito para trazer o dinheiro de volta.
Caco topa o acordo, mas impõe uma condição: Primeiro quer se vingar dos homens que o puseram na prisão e o sr. Harold é o primeiro deles. Livre, caco deixa El Paso.
Recupera facilmente o dinheiro de Cat e Hutch e ruma para o México. Só que os dois encrenqueiros podem ser enganados, mas não desistem facilmente da perseguição. Na pista de Caco, eles descobrem que ele se transformou num filantropo.
Não é difícil seguir seu rastro, e logo os três se encontram. Em meio a tiroteios, bebedeiras e apostas na roleta, os impagáveis foras da lei descobrem que, afinal de contas, estavam do mesmo lado.
Podemos neste filme desfrutar mais uma vez o personagem "Tuco" de Eli Wallach que ele havia desempenhado dois anos antes em "O Bom, O Mau e o Feio".
Giuseppe Collizzi aproveitou o sucesso do filme de Leone e resolveu ressuscitar Tuco, aqui ao lado de Terence Hill que fica em segundo plano no quesito "comédia".
O próprio Bud Spencer uma vez, mencionou em uma entrevista que foram dias incríveis ao lado de Eli, e que deve ser por isso que ele considera um de seus melhores trabalhos em Westerns.
Temos que levar em consideração que o filme não atinge o seu apogeu humorístico entre Hill/Spencer, pois ainda estavam começando a se conhecer e interagir entre si e os melhores estavam por vir.
Lançado originalmente em 1970, pela Paramount, em Technicolor e
reprisada em 1976 e 1980, já com o titulo “Assim Começou Trinity, pela
CIC/ Paramount.
Consta também exibições pela própria Paramount com o
titulo “Um Ás e Quatro Valetes.
Ainda de forma séria, essa foi a segunda vez que a dupla Hill/Spencer
apareceram juntos em um western.
Lançado em VHS, pela CIC Vídeo, com o título “Assim Começou Trinity.
Em DVD foi lançado pela New Life com o título ”Os 4 Da Ave Maria.”
Uma fotoquadrinização deste filme foi publicada na revista Ringo Nº 3 em
1971 pela Rio Gráfica Editora com o titulo “Encurralado.”
“O Sorriso que Mata” [The Smile That Kills], ninguém derrota Caco em seu
próprio jogo, porque mesmo ganhando, você perde (como anunciado vide no
cartaz de cinema da época).
Uma das figuras mais constantes no imaginário das pessoas em qualquer canto do mundo é o cáuboi americano. O gênero inspirou filmes tão díspares quanto os do acrobático Tom Mix nos anos vinte, do cantor Roy Rogers nos anos quarenta ou da lendária associação dos dois Johns ( Ford e Wayne). Curiosamente, a transfiguração para as telas dos caubóis citados mostravam uma figura romântica, sempre: limpinho, de cara lisa, que nunca trapaceava. O perfeito herói, “clean".
Foi preciso aparecer um italiano atrevido para materializar o faroeste numa escala de realidade muito maior e que provocou uma verdadeira revolução na indústria do cinema entre os anos sessenta e setenta: o Espaghetti Western. Apesar do termo meio pejorativo (Faroeste Espaguete), o movimento iniciado pelo genial diretor italiano Sérgio Leone desencadeou uma avalanche de cerca de 800 produções semelhantes se considerarmos os produzidos na Alemanha, e outros produzidos na pré fase Leone em vários outros países da Europa e tão poucos conhecidos na América Latina.
A trilogia que inaugurou o ciclo foi com os filmes "Por um punhado de dólares" (uma refilmagem de "Yojimbo" de Kurosawa), "Por uns dólares a mais" e "Três homens em conflito", este último em destaque.
A pergunta óbvia é: que diferença estes filmes apresentaram em relação a tantos outros feitos anteriormente? Basta imaginarmos qual seria a aparência real de um dos heróis do Velho Oeste Americano.
Homem rude, acostumado a passar longos períodos de solidão nas campinas, florestas ou desertos, acostumado a enfrentar dificuldades tão diversas quanto picadas de cobra, ataques de índios, fome, sede, bandidos, xerifes truculentos, fazendeiros ambiciosos, etc. Diversões? Bebidas da pior qualidade, prostitutas cheias de doenças e jogos de cartas ou dados. Mérito para Leone, disparado.
Mas não é só na aparência que os personagens de Leone são mais verossímeis. As pessoas retratadas em seus filmes são repletas de defeitos e qualidades - como qualquer ser humano - e não aquela dicotomia tradicional de mocinho bonzinho e vilão tenebroso. Não existem arquétipos, os principais personagens são farinha do mesmo saco, embora tenham características diferentes.
O título em português está perfeito ("Três homens em conflito"), mas o original vai direto à caracterização dos personagens: O Bom, o Mau e o Feio. O Feio é Tuco (Eli Wallach), um mexicano saído da miséria para o banditismo, com uma ficha criminal que vai de assassinato a abandono de lar. É ambicioso, vingativo, mentiroso e cruel, embora tenha sentimentos de família e amizade como todo ser humano.
O Mau é Olhos-de-anjo (Sentenza, no original italiano, vivido por Lee Van Cleef), um assassino a preço fixo que se gaba de sempre cumprir os "trabalhos" que assume. Diferente de Tuco, que é passional, Olhos-de-anjo mata por obrigação, tortura para obter o que precisa e coopta quando vê que é necessário. Em nenhum momento perde a calma ou se desespera. O Bom é Blondie (Clint Eastwood), um pequeno vigarista de boa pontaria, que vive em parceria com Tuco arrancando dinheiro de xerifes de pequenas cidades.
O que estes homens tão diferentes têm em comum é o segredo de um tesouro confederado, enterrado num cemitério sulista. Ao longo do filme, alternam-se na dominação dos outros, com o objetivo de extrair a localização exata do tesouro.
Se a história é simples, na transformação em filme é que se nota a genialidade de Leone, que usou técnicas e movimentos de câmera ousados, aliado a uma trilha sonora de excepcional qualidade, de ninguém menos que Enio Morricone. Algumas sequências do filme são antológicas, como o triplo duelo no cemitério. A passagem de imagem de rostos e mãos dos duelistas, aliado à atordoante música de fundo são impressionantes. Outra sequência estranha e fascinante é quando Tuco percorre o cemitério procurando a sepultura correta. O ritmo alucinante da câmera consegue traduzir toda a emoção e ansiedade do personagem com o fundo musical quase que inacabável e memorável intitulada de “Extase of Gold”, título perfeito combinado à cena.
CINECITTÀ 1964
Uma ideia que me passou pela cabeça (e que pode ou não ter algum sentido) é que os três personagens na verdade são lados de um mesmo triângulo, faces diferentes de uma mesma condição humana. Todos nós temos o nosso lado “Tuco”, que se preocupa com as necessidades elementares (comer, dormir, aquecer-se, divertir-se, etc). Por outro lado, a sociedade que vivemos hoje estimula o lado “Olhos-de-Anjo” à medida em que coloca a competitividade acima de tudo. É o nosso lado Gérson, que tem que tirar vantagem de tudo, cumprindo a velha máxima de que os fins justificam os meios. Por fim, existe o nosso lado idealista e ético, que contrabalança os outros dois, que é representado pela face “Blondie”.
Talvez a "viagem" tenha sido grande nessa leitura, mas Leone mostra a sua visão otimista ao derrotar o lado mais negro do triângulo.
O filme tem o suporte dos atores, todos excelentes, ainda em início de carreira. Clint Eastwood, o que alcançou maior sucesso, vinha de alguns pequenos seriados na tv americana e aceitou participar de "Por Um Punhado de Dólares" por quinze mil dólares. Esse filme foi a grande guinada em sua carreira, projetando-o como um dos grandes nomes do cinema americano. Lee Van Cleef repetiu a sua performance em inúmeros outros filmes do Espaghetti Western, mas não teve o mesmo sucesso de Eastwood. Eli Wallach, o Tuco, desenvolveu uma notável carreira na televisão americana. Uma curiosidade sobre este último foi a recusa de um papel em "A Um Passo da Eternidade" com o qual Frank Sinatra ganhou um Oscar.
Uma atenção especial deve ser dada à trilha sonora deste filme, assinada por Ennio Morricone. A música tema é praticamente a marca registrada do faroeste no cinema, mesmo que a maioria das pessoas não tenha nem ideia de qual filme foi. Morricone é o mais produtivo compositor do cinema, ao lado de Maurice Jarre. São dele as trilhas de "O Anticristo", "1900", "La Luna", "Os Intocáveis", "Áta-me" e o maravilhoso "Cinema Paradiso" entre quase quatrocentos títulos que constam do site do Imdb.
O formato de tela para este filme não poderia ser outro senão o widescreen. As panorâmicas constantes, os closes exagerados e o fantástico enquadramento de Leone simplesmente desaparecem quando se faz o corte lateral para preencher a tela da tv. Este foi um dos poucos filmes que foi lançado em VHS com o formato de cinema, gerando muitas reclamações semelhantes às dos iniciantes no DVD hoje, acostumados ao formato de videocassete. O som é mono, mas não compromete a excelente trilha sonora.
"Três Homens em Conflito" é um filme que interessa aos aficionados por faroeste, aos fãs de Eastwood, estudiosos de cinema, apreciadores de boa música ou simplesmente quem quer curtir um bom filme de ação. Outras leituras podem ser feitas, a depender de como se olhe para o filme. Experimente.
Sinópse Resumida
Durante o auge da Guerra Civil, um misterioso pistoleiro (Eastwood) vaga pela fronteira do oeste. Ele não possui um lar, lealdade ou companhia, até que ele encontra dois estrangeiros (Eli Wallach e Lee Van Cleef), que são tão brutos e desapegados quanto ele.
Unidos pelo destino, os três homens juntam suas forças para tentar encontrar uma fortuna em ouro roubado.
Mas trabalho em equipe não é uma coisa natural para voluntariosos pistoleiros, e eles logo descobrem que seu maior desafio é concentrar-se em sua perigosa missão e em manterem-se vivos atravessando um país arrasado pela guerra.
Sem sombra de dúvida, o Western mais ambicioso e influente já produzido.
“Três Homens Em Conflito” é uma aventura bem humorada e audaciosa que mudou para sempre o futuro deste gênero cinematográfico, aceitem alguns críticos mais conservadores ou não. O filme arrecadou três milhões de dólares, uma fábula para um filme estrangeiro no ano de 1966.
Newton Ramalho Júnior - Natal, 23 de Agosto de 2001. Compilação, atualização e complementação - Edelzio Sanches - São Paulo, 03 de Julho 2015.
Elenco Principal: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach, Aldo Giuffrè, Mario Brega, Luigi Pistilli,
Rada Rassimov, John Bartho, Antonio Casale, Angelo Novi e Antonio Casas.
Informações:
“Três Homens em Conflito” - Brasil
“O Bom, o Mau e o Feio” - Brasil
Il Buono, il Brutto, il Cattivo - Original Italiano
Produção: Itália 1966
Direção: Sergio Leone
Música: Ennio Morricone
Duração: 163 minutos
Morreu Eli Wallach, o vilão de westerns formado no Actors Studio
"Parece que tenho uma vida dupla", disse em tempos Eli Wallach. "No teatro, sou o homenzinho, ou o homem irritado, ou o homem incompreendido. No cinema, passo a vida a ser escolhido para os papéis de mau."
Não é por isso surpresa que Wallach, falecido esta terça-feira aos 98 anos de idade, seja
mais recordado pelos vilões que interpretou em dois dos filmes mais icónicos da década de 1960: Os Sete Magníficos (1960), versão western dos Sete Samurais de Akira Kurosawa dirigida por John Sturges, e O Bom, o Mau e o
Feio (1966), terceiro filme da trilogia de westerns-spaghetti de Sergio Leone. Mas é um destino, no mínimo, irónico para aquele que era um dos últimos nomes ainda vivos da “primeira fornada” formada na lendária escola de representação nova-iorquina do Actors Studio, que revolucionou o cinema e o teatro americanos no período do pós-II Guerra Mundial.
Era no teatro que o actor nova-iorquino, nascido no bairro de Brooklyn em 1915 e filho
único de emigrantes judeus polacos, se sentia mais à vontade. Embora tenha continuado a filmar quase até ao fim da sua vida - os seus últimos trabalhos de nota foram O Escritor Fantasma de Roman Polanski e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme de Oliver Stone, em 2010 - foi no teatro, do qual se retirou de vez em 1997, que construiu a sua carreira. Trabalhou repetidamente com a sua mulher, a também actriz Anne Jackson, que conheceu nos palcos em 1946 e com quem casou dois anos depois. Entre os muitos autores que Wallach
representou contam-se Tennessee Williams (vencendo o Tony por uma produção de A Rosa Tatuada em 1951), Jean Anouilh, Eugène Ionesco ou Tom Stoppard.
O momento em que dança com Marilyn em Os Inadaptados, de quem era amigo de longa
data e que teve aqui a sua última interpretação em vida, tornou-se célebre.
O
“camaleão por excelência”
Wallach foi um dos primeiros alunos da escola de representação do Actors
Studio, fundado em 1947 e gerido a partir de 1951 por Lee Strasberg. Os seus
colegas de curso chamavam-se Marlon Brando, Montgomery Clift e Sidney Lumet. E
estreou-se no cinema precisamente sob o signo do teatro: foi em Baby Doll
(1956), adaptação de Tennessee Williams sob o comando de Elia Kazan, ele
próprio um dos fundadores da escola.
Entre as
quase duas centenas de filmes e produções televisivas em que entrou, muitos
lembrar-se-ão particularmente de Os Inadaptados (1961), realizado por
John Huston e escrito pelo dramaturgo Arthur Miller, com Clark Gable, Marilyn
Monroe e Montgomery Clift nos papéis principais. A cena em que Wallach dança
com Marilyn, de quem era amigo de longa data e que teria aqui a sua última
interpretação em vida, ficou célebre. Wallach participou também em inúmeras
séries televisivas – como Cidade Nua, Batman, onde interpretou
(lá está...) o vilão Mr. Freeze, ou mais recentemente Nurse Jackie - e
no último filme da trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola (1990).
Eli Wallach nunca foi nomeado para um Óscar, mas a Academia das Artes e Ciências
Cinematográficas de Hollywood reconheceu a sua carreira no final de 2010,
entregando-lhe o Óscar honorário pela “desenvoltura inata com que interpretou
uma variedade de personagens, ao mesmo tempo que deixou uma marca inimitável em
cada papel”. Chamou-lhe então “um camaleão por excelência”. O “camaleão por
excelência” era algo que vinha da sua extensa experiência teatral - e Wallach
nunca escondeu que, para um actor de composição como ele, "o cinema era
apenas um meio para chegar a um fim", como disse numa entrevista de 1973
citada pelo New York Times. "Vou montar a cavalo para Espanha
durante dez semanas e regresso com uma almofada financeira suficiente para
poder montar uma peça."
Mas a verdade é que, se Wallach e Anne Jackson
se tornaram no “primeiro casal” do teatro americano nas décadas de 1960 e 1970,
foram mesmo os papéis de vilão que fizeram o nome do actor no grande écrã.
Faltou-lhe “aquele” papel que o atirasse para uma carreira de primeira grandeza
– mas a verdade é que o actor também nunca o terá querido. Como o comprova um
daqueles fait-divers que muitas vezes definem uma personalidade:
primeira escolha do realizador Fred Zinnemann para um papel secundário em Até
à Eternidade (1953), Eli Wallach optou antes por aceitar o convite para uma
nova peça de Tennessee
Williams
encenada por Elia Kazan, Camino Real. Em seu lugar ficou Frank Sinatra,
que ganhou o Óscar de melhor actor secundário
Suas
participações no Espaghetti Western foram:
1966Il Buono, Il Brutto, Il
Cattivo [ The Good, The Bad, The Ugly / O Bom, o Mau e o Feio]
1968I Quattro Dell´Ave Maria [O Sorriso Que Mata /
Assim Começou Trinity]
1971 Viva
A La Muerte...Tua! [Don´T Turn The Other Cheek]
1974 Il
Bianco Il Gialo Il Nero [Il Samurai / O Último Samurai Do Oeste]